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Pesquisa Atlas/Bloomberg revela que 53% dos brasileiros consideram a economia ruim

53% dos brasileiros consideram a economia ruim, aponta Atlas/Bloomberg. Inflação e renda familiar impactam percepção negativa da população.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Caixa/servidores economia

A percepção econômica da população brasileira segue marcada por um forte sentimento de insatisfação.

Segundo levantamento recente da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado em 28 de agosto de 2025, 53% dos brasileiros consideram a situação econômica do país como “ruim”. Apenas 29% avaliam positivamente o cenário atual, enquanto 18% preferem classificá-lo como “normal”.

O estudo ouviu 6.238 pessoas entre os dias 20 e 25 de agosto, por meio de recrutamento digital aleatório, e tem margem de confiança de 95%.

Além da avaliação da economia nacional, a pesquisa também investigou a percepção da situação financeira das famílias, revelando um retrato ainda mais preocupante.

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A avaliação da economia nacional

Inflação
Imagem: Shutterstock

Descontentamento majoritário

O dado mais chamativo do levantamento é o alto índice de descontentamento com a economia. Mais da metade dos entrevistados (53%) afirma que o Brasil vive um momento econômico ruim.

Esse percentual sugere um distanciamento significativo entre os indicadores macroeconômicos e a percepção da população.

Contraponto positivo é minoritário

Em contrapartida, 29% dos entrevistados disseram ver a economia como “boa”. Esse grupo, ainda que significativo, está bem abaixo do percentual dos insatisfeitos. Já os que optaram pela avaliação neutra — “normal” — somam 18%.

Análise dos resultados

O recorte da pesquisa sugere que, mesmo diante de eventuais melhoras em certos indicadores econômicos, os efeitos na vida cotidiana da população ainda são insuficientes para gerar otimismo generalizado.

Problemas como inflação, desemprego e endividamento podem estar contribuindo para essa visão predominantemente negativa.

Situação econômica das famílias

Panorama familiar segue crítico

O levantamento também abordou a percepção da população sobre a economia dentro do próprio lar. Para 38% dos brasileiros, a situação econômica familiar é ruim, o que reflete um impacto direto dos desafios macroeconômicos na vida privada da população.

Avaliação positiva e neutra

Em relação à situação familiar, 33% dos entrevistados consideram que está boa. Já 29% acreditam que a situação está normal. Esses dados mostram que a percepção familiar é ligeiramente menos pessimista do que a visão sobre o cenário nacional, mas ainda assim preocupante.

Fatores que influenciam a percepção negativa

Inflação persistente

Um dos principais responsáveis pela insatisfação é a inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — referência oficial para medir a inflação no Brasil — fechou em 5,23% no acumulado de 12 meses até julho, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora o número represente uma queda em relação a picos anteriores, ainda está acima da meta oficial de 3% estipulada pelo Banco Central (BC), que admite uma margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Projeções do Banco Central

O Boletim Focus, que reúne estimativas do mercado financeiro, prevê que a inflação deva encerrar 2025 em 4,86%. Embora esteja dentro do limite superior da meta (4,5%), o índice ainda preocupa, pois corrói o poder de compra e influencia diretamente na percepção do custo de vida.

Custo de vida e renda estagnada

Além da inflação, o baixo crescimento da renda média e o aumento do endividamento das famílias são elementos que alimentam a insatisfação. Muitos brasileiros relatam dificuldades para manter o mesmo padrão de consumo de anos anteriores, mesmo que estejam empregados.

Impacto político da percepção econômica

Termômetro para o governo

A percepção negativa da economia funciona como um indicador crucial para o desempenho do governo federal. Em geral, a avaliação econômica influencia diretamente a popularidade dos governantes — principalmente em um cenário pré-eleitoral ou em processos decisórios importantes, como reformas.

Potenciais efeitos nas eleições

Caso esse descontentamento persista, pode ter impacto direto nas eleições municipais de 2026 e até mesmo nas estratégias eleitorais para 2026, quando ocorrerão as eleições presidenciais. A economia costuma ser um dos temas centrais do debate político e é determinante na escolha do eleitorado.

A relação entre dados técnicos e a percepção social

Descompasso entre estatísticas e realidade cotidiana

Ainda que a economia apresente sinais de recuperação em indicadores como PIB, geração de empregos ou saldo da balança comercial, a percepção popular pode permanecer negativa se esses avanços não forem percebidos no cotidiano da população.

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Comunicação e confiança

Especialistas afirmam que há uma lacuna de comunicação entre dados econômicos técnicos e sua tradução em melhorias concretas para os cidadãos.

Quando o brasileiro não vê a melhora refletida no supermercado, no posto de gasolina ou no valor da conta de luz, o discurso de crescimento econômico não convence.

Comparação com pesquisas anteriores

Tendência de pessimismo

O sentimento captado pela AtlasIntel/Bloomberg segue a tendência de pesquisas anteriores. Mesmo em momentos de relativa estabilidade econômica, a percepção pública se manteve cautelosa ou negativa.

Em 2024, por exemplo, dados de outras pesquisas mostravam que cerca de 45% a 50% dos brasileiros avaliavam a economia como ruim, demonstrando uma manutenção da insatisfação mesmo após avanços pontuais.

Influência de eventos recentes

Crises políticas, instabilidades internacionais, variações no preço do petróleo e outras variáveis também afetam a confiança da população. A percepção econômica é altamente sensível a eventos de curto prazo, como aumentos repentinos na tarifa de energia ou no preço dos alimentos.

O que esperar para os próximos meses?

Economia pessimistas
Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Perspectiva de estabilidade lenta

O Banco Central tem adotado uma postura conservadora na condução da política monetária. A taxa básica de juros (Selic) permanece elevada, o que ajuda no controle da inflação, mas desestimula o consumo e o investimento.

A combinação de inflação ainda acima da meta e crescimento econômico moderado pode manter o ambiente de cautela.

Reformas e políticas públicas

O governo federal aposta em reformas estruturais, como a reforma tributária, como forma de recuperar a confiança e estimular o crescimento. No entanto, os efeitos dessas mudanças são de médio e longo prazo, e não devem impactar imediatamente a percepção econômica da população.

Conclusão

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela uma realidade clara: o brasileiro está descontente com a economia. Com 53% da população considerando o cenário ruim e 38% avaliando negativamente a situação familiar, os dados apontam para uma crise de confiança que vai além dos indicadores formais.

Para que a recuperação econômica seja percebida como real, será necessário não apenas melhorar os números, mas também traduzir esses avanços em qualidade de vida para a população.

A missão de reverter esse quadro está nas mãos do governo, dos gestores públicos e da iniciativa privada — todos com o desafio de aproximar a macroeconomia do dia a dia do cidadão.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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