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Seis em cada dez brasileiros fazem bicos para complementar a renda

Uma parcela expressiva da população brasileira tem recorrido a trabalhos extras para conseguir equilibrar o orçamento. Uma pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com o Ipsos-Ipec, Fundação Grupo Volkswagen e União Europeia, mostra que seis em cada dez brasileiros economicamente ativos fizeram algum tipo de atividade remunerada além do trabalho principal no último ano. […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
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Uma parcela expressiva da população brasileira tem recorrido a trabalhos extras para conseguir equilibrar o orçamento. Uma pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com o Ipsos-Ipec, Fundação Grupo Volkswagen e União Europeia, mostra que seis em cada dez brasileiros economicamente ativos fizeram algum tipo de atividade remunerada além do trabalho principal no último ano.

Os chamados “bicos” aparecem como uma estratégia para aumentar o dinheiro disponível no fim do mês diante de despesas essenciais que pressionam o orçamento. Entre as atividades mais comuns estão serviços gerais, faxina, pequenos reparos, manutenção e jardinagem.

O levantamento Viver nas Cidades: Desigualdades e Mobilidade Social ouviu 3,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, das classes ABCDE, em dez capitais brasileiras: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia.

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Imagem: VGstockstudio / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

A necessidade de complementar a renda aparece em um contexto no qual boa parte dos entrevistados percebeu pouca melhora financeira recente. Apenas 18% disseram que sua renda aumentou nos 12 meses anteriores à pesquisa, enquanto 31% relataram queda e 45% afirmaram que o rendimento permaneceu estável.

Esse cenário ajuda a explicar por que atividades realizadas fora do emprego principal passaram a fazer parte da estratégia financeira de muitas famílias. Para quem tem despesas fixas elevadas, algumas horas adicionais de trabalho durante a semana ou aos fins de semana podem representar uma diferença importante no orçamento.

Os serviços gerais se destacam justamente por terem barreiras de entrada relativamente menores em comparação com ocupações que exigem formação profissional específica. Faxinas, pinturas, pequenos consertos, jardinagem e manutenção podem ser realizados de maneira autônoma e gerar renda diretamente para o trabalhador.

Alimentação é a principal pressão sobre o orçamento

Entre as despesas domésticas, a alimentação foi apontada por 47% dos entrevistados como o item que mais pesa no orçamento familiar. Moradia ficou em segundo lugar, mencionada por 27%, enquanto saúde apareceu em terceiro, com 11%.

A pressão sobre os gastos essenciais também pode provocar mudanças nos hábitos de consumo. A pesquisa identificou, por exemplo, aumento no consumo de ovos acompanhado de redução na compra de carnes, laticínios e produtos hortifrutigranjeiros.

A mudança indica uma tentativa de preservar a quantidade de alimentos consumidos sem ultrapassar o dinheiro disponível. Em outras palavras, quando determinados produtos ficam mais caros, famílias podem substituí-los por alternativas consideradas mais acessíveis.

Esse comportamento não representa necessariamente uma escolha baseada apenas em preferência alimentar. Para famílias com orçamento limitado, alterações no cardápio podem funcionar como mecanismo de adaptação diante da necessidade de manter outras despesas básicas.

Mais escolaridade nem sempre significa maior renda

Outro resultado importante da pesquisa aparece no campo da mobilidade social. A maioria dos entrevistados declarou ter alcançado um nível educacional superior ao de seus pais, mas essa evolução não ocorreu na mesma proporção quando analisada a renda.

Ao todo, 73% afirmaram possuir escolaridade maior que a dos pais. Quando a comparação passa para os rendimentos, entretanto, o percentual cai para 46% entre aqueles que disseram ganhar mais do que os pais ganhavam quando tinham a mesma idade.

A diferença mostra que ampliar a formação educacional não garante, isoladamente, uma melhora equivalente nas condições financeiras.

Para o mercado de trabalho, isso reforça a importância de conectar qualificação profissional com oportunidades concretas de emprego, melhores salários e possibilidade de progressão na carreira.

Mobilidade social não acontece da mesma forma para todos

Homem sentado à mesa enquanto fala no telefone e faz anotações em uma prancheta. dinheiro
Imagem: GaudiLab / shutterstock.com

A percepção sobre os últimos cinco anos também revela avanços e retrocessos simultâneos.

Entre os participantes, 45% disseram ter aumentado a própria renda, enquanto 44% relataram melhora na escolaridade e 41% perceberam evolução nas condições de moradia.

Ao mesmo tempo, 35% afirmaram que sua renda diminuiu e 24% disseram ter enfrentado piora nas condições de habitação. Os números mostram que trajetórias econômicas diferentes convivem dentro da mesma população.

Por isso, medir mobilidade social apenas pelo rendimento pode deixar de fora mudanças importantes na vida das famílias. Educação, acesso ao mercado de trabalho, moradia e autonomia financeira também influenciam a percepção sobre avanço ou retrocesso social.

Imagem: Reprodução

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