A perda de um ente querido é um momento difícil e marcado por dor, mas além do sofrimento emocional, muitos brasileiros enfrentam prejuízos financeiros que poderiam ser evitados.
Brasileiros perdem recursos de R$ 10 mil a R$ 50 mil de parentes falecidos
Brasileiros deixam de resgatar R$ 10 a 50 mil de parentes falecidos por falta de orientação e desconhecimento dos direitos.
Um levantamento recente da Planeje Bem, primeira plataforma digital nacional especializada em planejamento sucessório e apoio pós-perda, aponta que entre R$ 10 mil e R$ 50 mil em recursos financeiros ficam esquecidos por herdeiros e familiares após o falecimento de parentes próximos.
Esses valores, classificados como “ativos invisíveis”, não são resgatados em grande parte por falta de conhecimento, orientação adequada e pelo impacto emocional do luto.
Leia mais:
iPhone 17 Air aparece em inédita cor azul em vídeo exclusivo
Apple libera recurso de oxímetro para certos relógios após atualização
Ativos invisíveis: o que são e por que são esquecidos?

Definição e importância dos ativos invisíveis
Ativos invisíveis são direitos financeiros e benefícios deixados por pessoas falecidas que, por diferentes razões, não são identificados ou resgatados pelos herdeiros.
Esses valores vão além dos bens tradicionais como imóveis e veículos, abrangendo recursos em contas bancárias esquecidas, seguros, benefícios trabalhistas, pensões e indenizações, entre outros.
Por que os herdeiros não resgatam esses recursos?
Segundo Carolina Aparício, diretora executiva e fundadora da Planeje Bem, o principal motivo para essa perda financeira está no desconhecimento dos direitos que o falecido possuía, somado ao impacto emocional da perda e à complexidade burocrática.
“Muitas famílias não sabem que certos valores podem ser acessados de forma simples, sem a necessidade de inventário, desde que saibam onde buscar e como agir”, explica.
Além disso, a ausência de orientação financeira durante o momento de luto faz com que muitos esqueçam prazos legais para o resgate, resultando em perdas irreparáveis.
Principais ativos financeiros esquecidos pelas famílias brasileiras
Percentual de esquecimento dos ativos invisíveis
Baseado em dados da plataforma, o levantamento da Planeje Bem indicou os seguintes percentuais de recursos não resgatados pelas famílias:
- Indenização do Seguro DPVAT (acidentes de trânsito): 40%
- Auxílios e benefícios trabalhistas (FGTS, PIS/Pasep, salários e outros): 25% a 30%
- Contas bancárias, investimentos e consórcios: 25%
- Seguros de vida e acidentes pessoais: 20%
- Seguros corporativos e previdência privada (PGBL/VGBL): 20%
- Pensão por morte do INSS: 10%
Outros recursos menos divulgados e esquecidos
Além desses, existem outros ativos que também passam despercebidos, como auxílios-funeral oferecidos por bancos e operadoras de cartão (entre R$ 2 mil e R$ 5 mil), milhas aéreas com potencial de perdas de até R$ 4 mil se não transferidas a tempo, e carteiras virtuais vinculadas a cartões de crédito.
Impactos financeiros e emocionais do esquecimento
Consequências para as famílias
O não resgate desses ativos invisíveis acarreta um prejuízo financeiro significativo, que poderia auxiliar as famílias em um momento delicado. “O desconhecimento pode fazer com que recursos essenciais para despesas emergenciais ou reorganização financeira sejam perdidos”, alerta Carolina Aparício.
O luto e sua relação com a burocracia
A diretora da Planeje Bem destaca que o choque emocional da perda, especialmente quando causada por acidentes de trânsito — principal motivo do DPVAT — contribui para o adiamento da busca pelos direitos.
“Muitas vezes, as pessoas até sabem que têm direito, mas deixam para depois e acabam perdendo o prazo”, completa.
Como o planejamento sucessório pode evitar perdas
A importância de conversar sobre bens e direitos
Um dos principais conselhos para evitar o acúmulo de ativos invisíveis é a realização de um planejamento sucessório transparente e a conversa franca sobre os bens que cada pessoa possui.
Segundo Carolina, “falar sobre a morte não é tabu, é um processo natural que pode evitar muita confusão e prejuízo para os familiares”.
Benefícios do planejamento antecipado
Com um planejamento adequado, é possível organizar documentos, informar os beneficiários corretos, e identificar os recursos que podem ser acessados rapidamente após a morte. Além disso, diminui-se a burocracia e o risco de litígios judiciais, proporcionando segurança financeira para a família.
Perfil dos brasileiros que mais esquecem os ativos invisíveis
Dados demográficos dos herdeiros
O levantamento indica que homens representam entre 65% e 70% dos casos de esquecimento, enquanto mulheres ficam entre 30% e 35%.
A faixa etária predominante é de 25 a 45 anos, um grupo que geralmente acumula diversas responsabilidades e pode não ter tempo ou conhecimento para gerir esses processos.
Relação familiar e grau de envolvimento
Muitos herdeiros que deixam de resgatar esses valores são sobrinhos, filhos ou netos do falecido que não tinham envolvimento direto com a gestão financeira da pessoa. Após resolverem questões imediatas do funeral, esses familiares retomam suas rotinas e deixam os prazos expirarem.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Benefícios específicos e particularidades
Seguro obrigatório DPVAT: o mais negligenciado
O DPVAT é o benefício mais frequentemente esquecido, com 40% das indenizações não resgatadas. A natureza repentina da morte em acidentes de trânsito e o choque emocional explicam o alto índice. Para ter direito, os familiares precisam fazer o pedido em até três anos após o acidente, prazo pouco conhecido.
Auxílios trabalhistas e direito imediato
Valores como FGTS, PIS/Pasep e salários não necessariamente precisam aguardar o inventário judicial para serem liberados, caso os herdeiros estejam de acordo e apresentem alvará judicial simples. Essa informação pode evitar atrasos e perdas.
Contas bancárias e o Sistema de Valores a Receber
O Banco Central criou o Sistema de Valores a Receber (SVR) para facilitar a identificação e o resgate de valores esquecidos em contas, consórcios e aplicações. Ainda assim, a falta de comunicação do falecido e de atualização dos beneficiários dificulta o acesso a esses recursos.
Dicas para herdeiros e familiares

Organize documentos e consulte especialistas
É fundamental que os herdeiros coletem todos os documentos do falecido, como certidões, extratos bancários, apólices de seguro e comprovantes de benefícios, e procurem orientações especializadas em planejamento sucessório.
Aja rapidamente para evitar a perda de prazos
Muitos benefícios e valores possuem prazos legais para resgate. Quanto antes a família agir, maiores são as chances de recuperar os recursos e garantir o direito aos benefícios.
Utilize plataformas digitais de apoio pós-perda
Ferramentas como a Planeje Bem têm se mostrado eficazes para orientar familiares e acelerar o processo de identificação e resgate de ativos invisíveis, oferecendo suporte especializado e recursos práticos.
Considerações finais
O levantamento da Planeje Bem revela uma face pouco conhecida do impacto da perda de um ente querido: o prejuízo financeiro causado pelo não resgate de direitos e recursos que poderiam aliviar o sofrimento das famílias.
A falta de conhecimento, o luto e a burocracia contribuem para que milhões de reais fiquem esquecidos anualmente no Brasil.
Investir em planejamento sucessório, aumentar a conscientização e facilitar o acesso a informações são passos fundamentais para garantir que esses recursos cheguem de fato aos seus beneficiários, fortalecendo a segurança financeira dos brasileiros após uma perda.
Enfrentar o tema da morte com naturalidade, diálogo e organização pode transformar o momento da despedida, mitigando prejuízos e promovendo mais dignidade e amparo às famílias enlutadas.
