Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Aposentadoria do INSS pode não cobrir despesas na velhice, temem brasileiros

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
Brasileiros

A maioria dos brasileiros acredita que depender apenas da Previdência pública pode não ser suficiente para garantir estabilidade financeira no futuro. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Icatu Seguros em parceria com a Conversion: 92% dos entrevistados dizem ter essa preocupação.

Apesar do receio, o levantamento mostra uma distância significativa entre preocupação e planejamento. 62% afirmam não ter previdência privada, enquanto 78% apontam a insegurança financeira e o medo de ficar sem recursos como uma das principais preocupações em relação à aposentadoria.

O estudo ajuda a revelar como diferentes gerações estão se preparando para o futuro, quanto os brasileiros acreditam precisar receber depois de parar de trabalhar e por que transformar patrimônio acumulado em renda ainda é um desafio.

Leia mais:

Flávio Bolsonaro defende permitir CNH a partir dos 16 anos

Brasileiros sabem que precisam se preparar, mas não sabem quanto guardar

Brasileiros
Imagem: Reprodução / Ministério do Trabalho e Previdência

Uma das principais conclusões da pesquisa é que muitos brasileiros reconhecem a necessidade de construir uma reserva para a aposentadoria, mas não têm clareza sobre o tamanho necessário desse patrimônio.

Entre os entrevistados, 58% afirmam ter uma noção aproximada de quanto precisariam receber por mês para manter o padrão de vida depois de se aposentar. Outros 28% dizem ter apenas uma ideia do valor, enquanto 14% admitem não saber quanto precisariam mensalmente.

Para Henrique Diniz, diretor de Previdência da Icatu Seguros, os resultados indicam uma busca por previsibilidade financeira, mas também mostram uma dificuldade em transformar essa preocupação em um planejamento concreto.

A situação também varia de acordo com a renda. Entre as famílias que recebem mais de R$ 28 mil por mês, 71% afirmam possuir previdência privada, percentual consideravelmente superior ao observado no conjunto da população pesquisada.

Como cada geração está se preparando para a aposentadoria?

A idade aparece como um dos fatores que mais diferenciam o comportamento dos entrevistados. O levantamento mostra que começar a pensar cedo na aposentadoria não significa necessariamente ter uma grande reserva, mas aumenta o tempo disponível para construir patrimônio.

Geração Z

Entre os entrevistados de 16 a 28 anos, 31% afirmam já ter começado a se preparar financeiramente para a aposentadoria.

O percentual chama atenção porque essa faixa etária ainda está distante da aposentadoria. Mesmo quando os valores acumulados são pequenos, começar antecipadamente permite distribuir os aportes por um período mais longo.

A previdência privada foi citada por 29% dos integrantes da Geração Z.

Millennials

Entre os brasileiros de 29 a 44 anos, apenas 20% dizem já ter iniciado uma preparação financeira para a aposentadoria.

Nesse grupo, a previdência privada foi mencionada por 19% dos entrevistados. O resultado indica que uma parcela relevante chega à fase intermediária da vida profissional sem uma estratégia definida para substituir a renda do trabalho no futuro.

Geração X

Entre pessoas de 45 a 60 anos, apenas 18% afirmam já possuir uma reserva considerada significativa para o futuro.

Outros 31% dizem que começaram a se preparar, mas ainda têm pouco dinheiro acumulado. Como consequência, 70% da Geração X não se consideram financeiramente preparados para a aposentadoria.

A previdência privada aparece entre 30% dos entrevistados dessa faixa etária.

Pessoas com mais de 60 anos

Entre os entrevistados com mais de 60 anos, 18% afirmam possuir uma reserva para o futuro.

A previdência privada foi mencionada por 27% desse grupo.

Os números mostram que a necessidade de planejamento não desaparece quando a aposentadoria se aproxima. Pelo contrário: nessa etapa, a discussão passa a envolver não apenas a formação do patrimônio, mas também a maneira de transformar os recursos acumulados em renda.

Mulheres e homens adotam estratégias diferentes

A pesquisa também identificou diferenças no comportamento financeiro entre homens e mulheres.

Entre o público feminino, 29% afirmam ainda não ter começado a se preparar financeiramente para a aposentadoria. Entre os homens, esse percentual é de 14%.

As formas de buscar orientação também variam. As mulheres tendem a discutir o assunto principalmente dentro da família, enquanto os homens recorrem com maior frequência a assessores financeiros, gerentes bancários e especialistas.

Na escolha dos investimentos, 56% das mulheres dizem optar por produtos de baixo risco, enquanto 44% utilizam a poupança e 23% mencionam a previdência privada.

Entre os homens, 67% apontam investimentos de baixo risco, 34% citam a poupança e 33% mencionam a previdência privada.

Esses números não significam que exista uma estratégia necessariamente melhor para determinado gênero. A escolha de investimentos depende de fatores como renda, idade, objetivos, prazo e tolerância ao risco.

O que é desacumulação na aposentadoria?

Planejar a aposentadoria não significa apenas juntar dinheiro durante a vida profissional. Também é preciso decidir como esse patrimônio será utilizado quando chegar o momento de parar de trabalhar.

Essa segunda etapa é chamada de desacumulação. O termo se refere ao período em que a pessoa começa a utilizar os recursos que acumulou ao longo dos anos para complementar ou substituir sua renda.

A pesquisa mostra que os entrevistados demonstram preferência por receber o patrimônio de maneira gradual, em vez de retirar todo o dinheiro de uma só vez.

63% afirmam preferir receber uma renda mensal no futuro, enquanto 24% escolheriam retirar os recursos aos poucos, conforme a necessidade. Apenas 8% dizem preferir receber todo o valor acumulado de uma vez.

A preferência por uma renda recorrente pode estar relacionada à busca por maior previsibilidade no orçamento durante a aposentadoria.

Segundo Guilherme Argolo, gerente de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, a procura pela conversão do patrimônio acumulado em renda entre clientes da empresa cresceu 47% em 2025, atingindo um recorde histórico.

Por que começar a planejar a aposentadoria cedo faz diferença?

O tempo é um dos principais fatores envolvidos na formação de uma reserva de longo prazo. Quem começa a investir mais cedo tem mais anos para realizar aportes e pode distribuir o esforço financeiro ao longo de um período maior.

Isso não significa que quem ainda não começou esteja sem alternativas. O planejamento pode ser iniciado em diferentes momentos da vida, mas quanto mais próximo da aposentadoria, maior tende a ser a importância de avaliar quanto já foi acumulado, quanto será possível investir e qual renda será necessária no futuro.

Um exemplo simples ajuda a entender a diferença: uma pessoa que começa a construir uma reserva aos 25 anos terá quatro décadas ou mais para fazer aportes antes dos 65. Já alguém que começa aos 50 terá um período muito menor para formar o mesmo patrimônio.

Por isso, o planejamento deve considerar não apenas quanto investir, mas também o tempo disponível, a inflação, os rendimentos dos investimentos, os custos envolvidos e a renda que será necessária no futuro.

Previdência privada é a única forma de complementar a aposentadoria?

Não. A previdência privada é apenas uma das alternativas disponíveis para quem deseja construir patrimônio de longo prazo.

Investimentos financeiros, imóveis, negócios próprios e outras formas de formação de patrimônio também podem fazer parte de uma estratégia de aposentadoria.

A escolha depende do perfil de cada pessoa. Antes de contratar um produto financeiro, é necessário avaliar custos, tributação, liquidez, riscos, rentabilidade esperada e regras de resgate.

Também é importante diferenciar Previdência Social, administrada pelo sistema público, de previdência complementar, que pode ser contratada por meio de instituições financeiras e seguradoras.

Ter uma previdência privada, portanto, não significa automaticamente estar preparado para a aposentadoria. O resultado dependerá dos valores contribuídos, do período de acumulação, dos custos e das condições do plano.

Quanto dinheiro é preciso para se aposentar?

Não existe um valor único que sirva para todos os brasileiros.

A quantia necessária depende principalmente da renda desejada na aposentadoria, dos gastos mensais, da idade em que a pessoa pretende parar de trabalhar, do patrimônio já acumulado e de outras fontes de renda.

Uma forma prática de começar o planejamento é calcular quanto seria necessário por mês para manter o padrão de vida desejado. Depois, é possível estimar quanto desse valor viria da Previdência Social e quanto precisaria ser complementado por investimentos ou outras fontes.

O cálculo deve ser revisado ao longo dos anos, já que renda, despesas, inflação e objetivos pessoais podem mudar.

O que a pesquisa mostra sobre o futuro da aposentadoria?

O levantamento revela um paradoxo: os brasileiros demonstram preocupação com a própria segurança financeira, mas uma parcela significativa ainda não transformou essa preocupação em planejamento.

O problema aparece inclusive entre pessoas mais próximas da aposentadoria. Ao mesmo tempo, a presença de jovens que já começaram a construir uma reserva mostra uma mudança de comportamento entre parte das novas gerações.

Outro ponto relevante é a preferência por receber o patrimônio acumulado como renda. Para especialistas ouvidos pela pesquisa, esse comportamento indica que o brasileiro começa a prestar mais atenção não apenas à formação da reserva, mas também à forma como ela será utilizada.

Como começar a planejar a aposentadoria?

Quem ainda não possui uma estratégia pode começar com um diagnóstico financeiro básico.

Primeiro, é necessário identificar a renda atual, as despesas e quanto pode ser destinado regularmente para investimentos de longo prazo. Depois, o ideal é estabelecer uma meta de renda para a aposentadoria e calcular quanto patrimônio será necessário para alcançá-la.

Também é recomendável manter uma reserva de emergência separada dos investimentos destinados à aposentadoria. Dessa forma, uma despesa inesperada não exige o resgate antecipado de recursos de longo prazo.

Por fim, o planejamento deve ser revisado periodicamente. Mudanças de salário, casamento, filhos, compra de imóvel, desemprego ou alteração nos objetivos podem modificar a estratégia necessária.

A principal conclusão da pesquisa é justamente essa: preocupação, sozinha, não garante segurança financeira. O planejamento precisa transformar o medo de faltar dinheiro no futuro em uma estratégia compatível com a realidade de cada pessoa.

Como foi feita a pesquisa?

Brasileiros
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O levantamento da Icatu Seguros em parceria com a Conversion foi realizado em maio de 2026.

Foram entrevistadas 500 pessoas conectadas à internet, de todas as regiões do Brasil. O grupo era formado por 60% de mulheres e 40% de homens, com idade a partir de 18 anos.

Participaram pessoas com diferentes situações profissionais e financeiras, incluindo empregados, desempregados, autônomos, estudantes e aposentados.

Os resultados, portanto, representam o universo pesquisado e não devem ser interpretados automaticamente como uma fotografia de toda a população brasileira.

Conclusão

A pesquisa mostra que os brasileiros estão preocupados com a aposentadoria, mas muitos ainda não transformaram essa preocupação em planejamento. Definir uma meta de renda, organizar as finanças e começar a formar uma reserva são passos importantes para construir um futuro com mais segurança.

O planejamento não precisa começar com grandes valores. O mais importante é conhecer a própria realidade financeira e criar uma estratégia que possa ser mantida ao longo dos anos, permitindo ajustar os objetivos conforme a renda e as necessidades mudam.

Compartilhar