A BYD atravessa 2026 com uma operação brasileira muito diferente daquela encontrada pelo consumidor quando a marca acelerou sua entrada no mercado nacional. Além de ampliar o portfólio de carros elétricos e híbridos plug-in, a fabricante chinesa passou a contar com produção em Camaçari, na Bahia, e prepara novas etapas de nacionalização.
O avanço coloca a empresa em disputa direta com montadoras tradicionais e outras fabricantes chinesas que ampliam investimentos no Brasil.
Em agosto de 2026, a BYD chegou a 24,5 mil veículos emplacados e ficou próxima da Chevrolet no ranking geral de marcas. Modelos como Song Pro e Song Plus também aparecem entre os SUVs médios de maior volume do país.
Parte dessa expansão está ligada à fábrica baiana, que produz modelos estratégicos da marca e deverá aumentar gradualmente o conteúdo nacional dos veículos.
Ao mesmo tempo, o consumidor encontra uma linha extensa, que vai do compacto elétrico Dolphin Mini ao SUV híbrido de sete lugares Atto 8, além de sedãs, SUVs, picape e modelos elétricos de desempenho elevado.
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Fábrica da BYD em Camaçari mudou a estratégia da marca no Brasil

A implantação industrial da BYD na Bahia começou antes de 2026.
Em julho de 2025, a fabricante apresentou o primeiro Dolphin Mini montado em caráter de teste na nova unidade. Naquele momento, a empresa ainda preparava as linhas para a produção em escala.
A inauguração oficial da linha de montagem final ocorreu em outubro de 2025.
Portanto, não é correto dizer que a fábrica foi inaugurada em julho de 2025 ou que sua operação industrial começou em 4 de março de 2026. A data de 4 de março está relacionada principalmente a lançamentos de produtos, como o Song Plus 2027 e o Atto 8.
A planta de Camaçari ocupa uma área de aproximadamente 4,6 milhões de metros quadrados e recebeu investimento inicial anunciado de R$ 5,5 bilhões.
A primeira etapa foi projetada para capacidade de 150 mil veículos por ano, com expansão inicialmente prevista para 300 mil unidades.
Posteriormente, a BYD confirmou planos para elevar o potencial da fábrica para até 600 mil veículos anuais quando todas as fases de expansão estiverem implementadas.
Quais carros da BYD já são produzidos na Bahia?
Dolphin Mini, King e Song Pro formaram a primeira leva de modelos produzidos em Camaçari.
No começo de janeiro de 2026, a fabricante informou que já havia produzido perto de 20 mil automóveis na fábrica em pouco mais de dois meses de operação industrial.
Na mesma ocasião, confirmou que o Song Plus se tornaria o quarto modelo produzido na Bahia durante 2026.
O processo de nacionalização, entretanto, ocorre em etapas.
A fábrica começou utilizando o sistema SKD, no qual conjuntos e componentes chegam do exterior para montagem no Brasil. A estratégia declarada pela companhia é avançar gradualmente para processos industriais mais completos, incluindo estampagem, soldagem e pintura.
Isso significa que chamar todos os veículos simplesmente de “100% nacionais” exige cautela. A produção está localizada no Brasil, mas a nacionalização das peças e das etapas industriais ocorre progressivamente.
BYD pretende aumentar quantidade de componentes brasileiros
A ampliação do conteúdo local tornou-se uma das próximas etapas da estratégia em Camaçari.
A fabricante já anunciou a homologação de fornecedores instalados no Brasil e pretende diminuir gradualmente sua dependência de componentes importados.
Em fevereiro de 2026, informações divulgadas sobre o planejamento industrial indicavam uma meta de aproximadamente 50% de nacionalização de componentes até 2027 e a possibilidade de reunir até 12 modelos na operação baiana ao longo da expansão.
A mudança é relevante porque uma cadeia maior de fornecedores brasileiros pode reduzir exposição a custos logísticos, tarifas de importação e oscilações cambiais.
Ao mesmo tempo, o avanço da fabricação local tende a aumentar a disputa por fornecedores com outras montadoras instaladas no país.
Quais modelos a BYD oferece no Brasil em 2026?
O portfólio brasileiro se tornou mais amplo do que a lista inicial de Dolphin, Song e Yuan.
O próprio site da fabricante em setembro de 2026 apresenta modelos como Atto 8, Dolphin Mini, Dolphin, Dolphin Plus, Dolphin SE, Han, King DM-i, Seal, Sealion 7, Shark, Song Plus, Song Plus Premium, Song Pro DM-i Flex, Tan, Yuan Plus e Yuan Pro.
A diversidade permite à marca atuar em diferentes faixas de mercado.
O Dolphin Mini permanece como uma das principais portas de entrada para a eletrificação. O Dolphin ocupa uma posição intermediária entre os hatches elétricos, enquanto Yuan Pro e Yuan Plus atendem compradores interessados em SUVs totalmente elétricos.
Nos híbridos plug-in, King, Song Pro, Song Plus, Atto 8 e Shark aumentam a presença da empresa em segmentos nos quais ainda existe demanda por autonomia combinada entre bateria e combustível.
Quanto custam os carros da BYD?
Existe um cuidado importante ao comparar os preços.
Tabela FIPE não é tabela de preço público sugerido da montadora. Ela funciona como referência de valor médio do mercado para determinado veículo e ano-modelo.
Também não é recomendável comparar uma promoção para produtor rural, PCD, taxista ou comprador que entrega um usado com o preço normal de varejo.
A própria BYD trabalha regularmente com descontos temporários, bônus de troca e condições especiais.
Entre os preços públicos sugeridos ou de lançamento já confirmados oficialmente pela fabricante para linhas recentes estão:
| Modelo | Preço de referência divulgado |
|---|---|
| BYD Dolphin Mini GL | R$ 118.990 |
| BYD Dolphin | R$ 149.990 |
| BYD King GL | R$ 169.990 |
| BYD Song Pro GL | R$ 189.990 |
| BYD Song Pro GS | R$ 199.990 |
| BYD Yuan Plus | R$ 235.800 |
| BYD Song Plus 2027 | R$ 249.990 |
| BYD Song Plus Premium | R$ 299.800 |
| BYD Shark | R$ 379.800 |
| BYD Atto 8 | R$ 399.990 |
| BYD Han | R$ 559.800 |
Os preços foram divulgados pela BYD em momentos diferentes e podem mudar conforme ano-modelo, estoque, região, modalidade de venda e campanhas promocionais. Por isso, não devem ser tratados como uma tabela imutável válida em todas as concessionárias durante setembro.
FIPE da Shark não significa que a picape custa aquele valor nova
A diferença entre FIPE e preço de varejo fica evidente na BYD Shark.
O preço público anunciado pela fabricante no lançamento foi de R$ 379.800. Em diferentes momentos, entretanto, a montadora criou condições especiais para vendas diretas e produtores rurais.
Na Agrishow de 2026, por exemplo, a BYD anunciou a picape a partir de R$ 313 mil em venda direta para CNPJ, com foco no produtor rural.
Em setembro de 2026, a campanha oficial da montadora oferece ainda bônus de R$ 10 mil na Shark 2025/2026 para determinadas compras no varejo.
Portanto, um valor da FIPE próximo de R$ 305 mil não deve ser apresentado como preço oficial do veículo zero-quilômetro.
São referências diferentes.
Promoções da BYD mudam o preço final em setembro
As condições comerciais ajudam a explicar por que dois consumidores podem encontrar preços finais diferentes para o mesmo modelo.
Na campanha válida em setembro de 2026, a BYD oferece bônus de R$ 10 mil para o Song Pro GS a gasolina e R$ 10 mil para o Song Plus 2026/2027.
O King GS conta com bônus de R$ 5 mil, enquanto o Song Plus Premium pode receber R$ 30 mil em determinadas condições.
Yuan Pro e Shark aparecem com bônus de R$ 10 mil.
No Atto 8, a campanha envolve bônus de troca.
Quem oferece um BYD usado pode receber até R$ 20 mil adicionais na negociação, enquanto usados de outras marcas podem gerar bônus de R$ 15 mil, respeitadas as condições estabelecidas pela empresa.
Isso reforça a necessidade de informar no texto quando o preço depende de promoção.
Dolphin Mini continua como um dos carros mais importantes da marca
O Dolphin Mini ganhou importância não apenas por ser o elétrico compacto da empresa.
Em fevereiro de 2026, o modelo emplacou 4.094 unidades no varejo e alcançou a primeira posição do ranking mensal entre automóveis vendidos nesse canal, segundo a própria fabricante.
A produção em Camaçari tornou o compacto uma peça estratégica para a expansão da BYD.
A linha utiliza a Bateria Blade e possui versões voltadas tanto ao varejo tradicional quanto a modalidades de venda direta.
Na configuração com bateria de 38 kWh, a fabricante informa autonomia de até 280 km segundo os parâmetros do Inmetro. Uma versão GL, com bateria menor de 30,08 kWh, foi desenvolvida para reduzir o preço de entrada.
King disputa mercado de sedãs híbridos
O King representa a BYD entre os sedãs híbridos plug-in.
A versão GL teve preço público sugerido de R$ 169.990 em comunicados da fabricante, enquanto outras configurações adicionam equipamentos e recursos de assistência à condução.
A estratégia do modelo é oferecer uma alternativa eletrificada a compradores que tradicionalmente procurariam sedãs médios movidos apenas a combustão.
A presença da produção brasileira também abriu espaço para condições específicas de venda direta em determinadas categorias.
Song Pro ganhou versão flex desenvolvida para o Brasil
O Song Pro tornou-se um dos projetos mais importantes da operação nacional porque passou a contar com motorização híbrida plug-in flex.
A tecnologia DM-i Flex permite abastecimento com gasolina ou etanol, além da utilização da bateria para rodar em modo elétrico.
A versão atual do Song Pro DM-i Flex possui autonomia elétrica homologada de até 57 km na configuração GL e 72 km na GS, segundo os números apresentados pela BYD com base no PBEV.
Por isso, a informação de que o Song Pro atual possui bateria de 26,6 kWh e supera 100 km elétricos não deve ser usada.
Essas especificações estão relacionadas ao Song Plus 2027.
Song Plus 2027 recebeu bateria maior e motor turbo
O Song Plus foi atualizado em março de 2026.
Na linha 2027, o SUV recebeu motor 1.5 turbo associado ao sistema híbrido e uma bateria de 26,6 kWh.
A BYD manteve o preço anunciado de R$ 249.990 no lançamento dessa configuração.
A atualização aumentou a capacidade elétrica em comparação com a configuração anterior.
Dados técnicos da linha apontam autonomia elétrica próxima de 99 km na metodologia do Inmetro, enquanto o conjunto híbrido entrega aproximadamente 239 cv.
Além disso, a fabricante confirmou que o Song Plus entraria na programação industrial de Camaçari durante 2026.
Atto 8 é o SUV de sete lugares mais sofisticado entre os híbridos
O Atto 8 estreou oficialmente no Brasil em 4 de março de 2026 por R$ 399.990.
O modelo utiliza a plataforma híbrida plug-in DM-P e possui sete lugares.
Uma correção importante em relação a algumas descrições do veículo envolve a potência.
O Atto 8 comercializado no Brasil entrega 488 cv de potência combinada, e não mais de 1.000 cv.
Segundo a BYD, o SUV acelera de zero a 100 km/h em 4,9 segundos e tem velocidade máxima limitada a 200 km/h.
O pacote inclui suspensão eletrônica DiSus-C, nove airbags e tecnologias avançadas de assistência ao motorista.
Shark tenta conquistar espaço entre compradores de picapes
A Shark representa a entrada da BYD em um segmento tradicionalmente dominado por picapes a diesel.
Em vez desse conjunto mecânico, o modelo utiliza sistema híbrido plug-in.
A fabricante também explora o potencial da função V2L, que permite utilizar a energia armazenada no veículo para alimentar equipamentos externos.
Isso ajuda a posicionar a picape entre consumidores rurais, empresas e motoristas que precisam utilizar equipamentos elétricos fora da rede convencional.
O preço público sugerido no lançamento foi de R$ 379.800, mas campanhas de venda direta e bônus podem reduzir significativamente o desembolso dependendo do perfil do comprador.
Linha elétrica vai além do Dolphin

Embora Dolphin Mini e Dolphin sejam os nomes mais conhecidos da gama elétrica da empresa, o portfólio é maior.
Yuan Pro e Yuan Plus disputam o mercado de SUVs elétricos, enquanto Seal ocupa uma faixa de sedãs com maior foco em desempenho.
Han permanece como sedã de categoria superior, e Tan atende consumidores que procuram SUV elétrico grande com sete lugares.
A linha também passou a contar com o Sealion 7, ampliando a disputa no segmento de SUVs elétricos.
O site da BYD mantém esses modelos entre as opções oferecidas no mercado brasileiro em 2026.
Produção de 600 mil carros depende da expansão da fábrica
A meta de 600 mil veículos por ano merece contexto.
A capacidade inicial da planta não é de 600 mil.
A primeira etapa foi estruturada para aproximadamente 150 mil unidades anuais. Uma etapa seguinte foi planejada para 300 mil.
A projeção de até 600 mil veículos representa uma expansão futura da capacidade total da fábrica, anunciada pela companhia depois do projeto inicial.
Portanto, também não significa que Camaçari já produza atualmente nesse ritmo.
A ampliação dependerá de novas etapas industriais, investimentos, fornecedores, nacionalização de peças e evolução da demanda.
BYD aumenta pressão sobre montadoras tradicionais
A estratégia da BYD em 2026 combina produção local, expansão do portfólio e campanhas agressivas de preço.
A marca já deixou de atuar apenas como uma importadora de carros elétricos para construir uma operação industrial de longo prazo no país.
Camaçari é a peça central desse movimento.
A fábrica começou com Dolphin Mini, King e Song Pro, deverá incorporar outros modelos e tem planos de expansão para chegar, em sua configuração completa, a uma capacidade muito superior à atual.
Para o consumidor, a consequência aparece principalmente no aumento da oferta de elétricos e híbridos em faixas cada vez mais variadas.
Também exige atenção redobrada ao comparar preços.
Preço público sugerido, oferta de concessionária, bônus para troca, venda direta e tabela FIPE representam valores diferentes. Em uma marca que realiza campanhas comerciais com frequência, misturar essas referências pode fazer um veículo parecer muito mais barato ou mais caro do que realmente está disponível para determinado comprador.
Em setembro de 2026, a BYD mantém justamente essa combinação: fábrica em expansão, novos modelos, versões flex desenvolvidas para o mercado brasileiro e bônus temporários para vários veículos.
O próximo passo será ampliar a nacionalização e transformar a capacidade industrial prometida em produção efetiva, enquanto a companhia tenta ganhar espaço em um mercado no qual as fabricantes chinesas já deixaram de ocupar apenas nichos de eletrificados.
