A Meta apresentou nesta terça-feira (8) o Muse, um novo agente pessoal de inteligência artificial desenvolvido para não apenas responder perguntas, mas também executar tarefas em nome do usuário. A ferramenta pode atuar em aplicativos conectados, organizar compromissos, enviar e-mails e auxiliar na reserva de viagens.
O lançamento representa uma mudança importante na forma de utilização da inteligência artificial. Em vez de funcionar apenas como um chatbot que fornece informações, o Muse foi desenvolvido para receber uma instrução e tomar uma sequência de ações para cumprir determinado objetivo.
A novidade, porém, chega acompanhada de um debate relevante sobre privacidade, segurança e confiabilidade. Testes internos citados pela Reuters identificaram situações em que o sistema apresentou falhas, incluindo problemas de funcionamento e episódios envolvendo acesso inadequado a informações pessoais.
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O que é o Muse da Meta?

O Muse é um agente de inteligência artificial pessoal. A diferença para um assistente convencional está justamente na capacidade de executar ações no ambiente digital do usuário.
Segundo a Meta, o sistema pode trabalhar com aplicativos utilizados no cotidiano e assumir tarefas como envio de mensagens, organização de viagens e planejamento de atividades. A companhia também afirma que o agente consegue transformar objetivos mais amplos em planos de ação.
A tecnologia é baseada no Muse Spark, modelo da Meta desenvolvido para atividades consideradas “agênticas”, ou seja, situações nas quais a IA precisa interagir com ferramentas e executar etapas para alcançar um resultado.
A proposta faz parte da estratégia do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, de avançar em direção ao conceito de “superinteligência pessoal”, no qual sistemas de IA acompanham o usuário e realizam tarefas de maneira mais autônoma.
Como o novo agente de IA funciona?
O Muse funciona por meio de uma estrutura chamada Muse Secure VM, uma máquina virtual dedicada na nuvem. É nesse ambiente que ficam o agente e os dados associados aos serviços autorizados pelo usuário.
A Meta afirma que o sistema possui ainda um agente separado, chamado Sentinel, responsável por supervisionar as ações do Muse. Segundo a empresa, nenhuma atividade do agente chega à internet sem a aprovação desse mecanismo e, quando necessário, a autorização do próprio usuário.
O consumidor também pode determinar quais serviços serão conectados. No caso do e-mail, por exemplo, a pessoa pode escolher se o Muse terá apenas permissão para ler mensagens ou se poderá também enviar comunicações em seu nome. O acesso pode ser alterado ou revogado posteriormente.
A Meta afirma ainda que o Muse não tem acesso direto às senhas ou aos meios de pagamento armazenados. As credenciais ficam em um sistema seguro para que o agente possa utilizá-las sem necessariamente visualizá-las. A empresa também diz que as conversas e os dados armazenados na máquina virtual não são compartilhados com seus sistemas de publicidade.
Quais tarefas o Muse poderá realizar?
A proposta é permitir que o usuário entregue ao agente tarefas que normalmente exigiriam várias ações manuais.
Um exemplo seria solicitar que a IA organize uma viagem. Em vez de apenas sugerir destinos, o agente pode pesquisar opções, trabalhar com informações disponíveis nos aplicativos autorizados e auxiliar na organização de transporte e hospedagem.
Outro exemplo está relacionado ao e-mail. O usuário pode pedir que o Muse acompanhe determinadas mensagens ou prepare e envie uma resposta, desde que tenha concedido as permissões necessárias.
A Meta também prevê aplicações envolvendo agenda, compras, casa inteligente e outros serviços. A ferramenta pode ainda utilizar informações previamente fornecidas pelo usuário para personalizar suas sugestões.
Segurança é o principal desafio do Muse
A autonomia é justamente o ponto que torna esse tipo de inteligência artificial mais útil e, ao mesmo tempo, mais arriscado.
Quando um chatbot produz uma resposta errada, normalmente cabe ao usuário decidir o que fazer com aquela informação. Já um agente que possui autorização para enviar mensagens, comprar produtos ou interagir com outros serviços pode transformar um erro de interpretação em uma ação concreta.
Esse problema apareceu durante testes internos da Meta. Segundo a Reuters, funcionários relataram dificuldades de confiabilidade, incluindo interrupções no monitoramento de tarefas, desconexões e situações em que informações pessoais teriam sido expostas de maneira inadequada.
A própria Meta informou que havia adiado anteriormente o lançamento para aprimorar os mecanismos de segurança. A companhia afirma que os testes posteriores atingiram os requisitos mínimos estabelecidos para privacidade, proteção, desempenho e segurança.
Quando o Muse estará disponível?
O lançamento inicial ocorre nos Estados Unidos, em dispositivos iOS e Android, além do endereço próprio do serviço e do WhatsApp. A Meta informou que pretende levar o Muse posteriormente aos seus óculos inteligentes.
Ainda não há, no anúncio oficial, uma data definida para a chegada do serviço ao Brasil. Portanto, usuários brasileiros devem desconfiar de eventuais links ou aplicativos que prometam acesso antecipado ao Muse fora dos canais oficiais.
A empresa informa que o serviço terá utilização gratuita para grande parte das necessidades, enquanto assinaturas serão oferecidas para usuários que desejarem recursos adicionais.
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