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BYD aposta na verticalização e enfrenta montadoras japonesas no Brasil

BYD aposta na verticalização e fábrica na Bahia para reduzir custos e desafiar Toyota, Honda e Tesla no mercado brasileiro de elétricos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
BYD

A indústria automotiva global vive uma transformação acelerada em 2025, e a montadora chinesa BYD lidera essa revolução por meio de um modelo de produção verticalizado que desafia as tradicionais gigantes japonesas como Toyota e Honda, além da americana Tesla.

Com fábricas em Shenzhen e expansão confirmada para Camaçari, Bahia, a BYD controla mais de 70% da cadeia produtiva de seus veículos elétricos, permitindo uma redução significativa nos custos e preços mais acessíveis para o consumidor.

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Verticalização: o diferencial competitivo da BYD

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Imagem criada pelo ChatGPT

A estratégia da BYD baseia-se na integração total de sua produção, que vai desde a extração do lítio até a logística de entrega dos carros. Em 2024, sua divisão de baterias, FinDreams, produziu 155 GWh, tornando-se a segunda maior do mundo, atrás apenas da gigante CATL. Essa capacidade produtiva interna possibilita que a BYD reduza os custos em até 30%, segundo análises do setor automotivo, o que se reflete em preços altamente competitivos, como o modelo Dolphin, vendido por US$ 7.780 na Ásia — menos da metade do preço de carros equivalentes da Tesla.

Controle de componentes e logística própria

Além da produção das baterias, a BYD fabrica motores, chips e sistemas eletrônicos internamente, eliminando a dependência de fornecedores externos. Sua linha de produção em Shenzhen utiliza robótica avançada, que ajusta os processos em tempo real, garantindo agilidade e qualidade. A empresa também detém navios próprios para o transporte de seus veículos, como o que trouxe mais de 7 mil carros híbridos para o Brasil em maio de 2024, destacando seu domínio sobre a logística.

Sistema enxuto japonês: tradição testada pela inovação

Desde o pós-guerra, as montadoras japonesas desenvolveram o sistema enxuto, fundamentado em princípios como Just in Time e Kaizen, que enfatizam a redução de estoques e a melhoria contínua. Essa metodologia, centrada na terceirização de componentes e no alto nível de especialização dos fornecedores, fez do Japão líder mundial em eficiência automotiva.

Limitações diante da eletrificação

Contudo, a rápida eletrificação do setor expôs vulnerabilidades deste modelo, especialmente na produção de baterias e semicondutores. A crise global de chips em 2021 evidenciou os riscos da dependência externa. Em 2024, a Toyota produziu 80 GWh de baterias, menos da metade da BYD, o que sinaliza uma desvantagem competitiva clara no mercado emergente dos veículos elétricos.

A resposta da Toyota à ascensão da BYD

Em maio de 2025, a Toyota anunciou um robusto investimento de 245 bilhões de ienes (aproximadamente R$ 1,6 bilhão) para ampliar sua capacidade de produção de baterias de 80 para 120 GWh até 2030. Novas fábricas estão em construção em Kyushu e Hyogo, no Japão, e em Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Parcerias e tecnologia em foco

A estratégia inclui parcerias com empresas como LG Energy Solution para garantir o fornecimento de baterias e a pesquisa avançada em baterias de estado sólido, que prometem maior eficiência energética e segurança. Além disso, a Toyota investe em inteligência artificial para otimizar suas linhas de produção e desenvolve semicondutores próprios, adaptando o tradicional sistema enxuto à nova realidade tecnológica.

Tesla: inovação e desafios na produção

Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock.com

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A Tesla mantém uma verticalização parcial, com suas Gigafactories produzindo baterias, motores e softwares próprios. A companhia aposta forte em inteligência artificial e automação para ajustar rapidamente a produção e personalizar seus veículos.

Dependência e custos elevados

Apesar da inovação, a Tesla ainda depende de fornecedores externos como Panasonic e CATL para cerca de 40% das suas baterias. Em 2024, a produção total da empresa foi de 100 GWh, inferior à da BYD. Seus veículos têm preços elevados nos Estados Unidos, como o Model Y, vendido a US$ 44.990, contrastando com os preços mais acessíveis do BYD Song Plus, a US$ 14.500 na China.

Expansão da BYD no Brasil e o cenário nacional

A BYD confirmou a instalação de uma fábrica em Camaçari, Bahia, com início da produção previsto para 2026. A nova planta será responsável pela fabricação de baterias e veículos elétricos, aproveitando incentivos fiscais e o crescimento de 25% nas vendas de elétricos no Brasil em 2024. Em maio do mesmo ano, a empresa entregou 7.292 carros híbridos ao Porto de Suape, em Pernambuco, consolidando sua presença no país.

Concorrência local

Toyota e Honda, com fábricas em São Paulo (Sorocaba e Porto Feliz) e Sumaré, respectivamente, modernizam suas linhas com robótica e planejam aumentar a produção local de baterias. A Toyota, inclusive, aposta em parcerias e tecnologia para ampliar sua competitividade, enquanto a Honda avalia estratégias semelhantes para acompanhar o ritmo da BYD no mercado nacional.

Imagem: Divulgação

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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