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Cade abre apuração sobre negociação de minas de níquel com estatal da China

Cade apura venda da Anglo American à MMG, estatal da China, que pode controlar mais de 50% do mercado de níquel no Brasil.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu nesta terça-feira (26) um processo administrativo para investigar a venda dos ativos de níquel da Anglo American no Brasil para a MMG, subsidiária da estatal chinesa China Minmetals. A operação, avaliada em US$ 500 milhões, levanta preocupações sobre concentração de mercado e impactos geopolíticos.

Segundo despacho obtido pelo Poder360, o Cade irá analisar se o negócio pode configurar ato de concentração econômica prejudicial à concorrência no setor de minerais estratégicos.

Leia mais: Ações na China continental atingem 100 trilhões de yuans

Negócio sob suspeita

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Imagem: Freepik

O acordo envolve os complexos de Barro Alto e Codemin (Niquelândia), em Goiás, além de projetos de exploração em Morro Sem Boné (MT) e Jacaré (PA).

Com a compra, a MMG passaria a deter:

  • Mais de 50% do mercado brasileiro de níquel;
  • Quase 100% do mercado nacional de ferro-níquel;
  • Cerca de 60% do mercado global do insumo.

Esse domínio reforça a posição da China em um material estratégico para baterias, veículos elétricos e aço inoxidável, setores considerados essenciais para a transição energética mundial.

Proposta contestada

A transação se tornou alvo de polêmica porque a Corex Holding, ligada ao grupo turco Yildirim, alega ter apresentado uma oferta de US$ 900 milhões — quase o dobro do valor acertado com a MMG.

A Corex questiona a decisão tanto no Brasil quanto na União Europeia, afirmando que a operação ameaça a segurança de suprimento de países ocidentais.

Em nota ao Incra, a empresa declarou:

“Revela-se contraditório que o Brasil, detentor de significativa diversidade e abundância de recursos minerais estratégicos, permita a sistemática exploração dessas riquezas por agentes estrangeiros, sem o correspondente desenvolvimento de sua cadeia produtiva nacional.”

Investigação sobre terras

Além do Cade, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) também foi acionado. O órgão avalia se a venda pode violar restrições à aquisição de terras rurais por estrangeiros.

As áreas envolvidas ficam em regiões sensíveis de Goiás, Mato Grosso e Pará. Em ofício, o Incra citou riscos à soberania nacional, destacando a necessidade de avaliar impactos além do aspecto econômico.

Repercussão internacional

A polêmica ultrapassou fronteiras.

Na União Europeia, a Corex enviou petição afirmando que “este desenvolvimento contribui significativamente para reduzir a dependência da UE de capacidades de refino concentradas, particularmente em meio a desafios geopolíticos e de mercado em curso”.

Já nos Estados Unidos, o Aisi (Instituto Americano do Ferro e do Aço) pediu ao governo do presidente Donald Trump que pressione o Brasil a rever o acordo. Segundo a entidade, a venda fortalece a dependência global da China em minerais críticos, aumentando vulnerabilidades estratégicas do Ocidente.

Estratégia empresarial

A Anglo American defendeu a operação, alegando que a venda segue sua estratégia global de concentrar investimentos em cobre, minério de ferro e nutrientes agrícolas.

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Já a MMG afirmou que cumprirá todas as exigências regulatórias e que o negócio “representa uma grande realização para empregados, comunidades locais e acionistas”.

Risco de concentração de mercado

Carne china
Imagem: Freepik/Slon

O Cade analisará se a compra compromete a concorrência no setor mineral. O órgão poderá aprovar, impor restrições ou vetar a operação.

Especialistas em regulação alertam que a concentração pode afetar não apenas preços, mas também a segurança de abastecimento de indústrias estratégicas. O níquel é considerado insumo-chave para a transição energética, já que compõe baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de energia renovável.

Contexto geopolítico

A disputa reflete a crescente rivalidade entre China e países ocidentais no controle de minerais críticos. Hoje, empresas chinesas já controlam parte significativa da produção global de lítio, cobalto e terras raras.

Se confirmada, a operação pode consolidar a China como líder mundial no fornecimento de níquel, insumo vital para indústrias do futuro.

Cade em posição estratégica

O desfecho do processo no Cade será acompanhado de perto por governos, empresas e organismos internacionais. O tribunal administrativo terá de equilibrar interesses econômicos, concorrenciais e geopolíticos.

Para o Brasil, a decisão pode significar não apenas a regulação de um mercado, mas também um posicionamento estratégico no tabuleiro global da mineração.

Com informações de: Poder360

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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