O consumidor brasileiro pode esperar uma redução nos preços do café nos próximos meses, conforme apontado pelo último relatório Visão Agro do Itaú BBA. Essa tendência está relacionada ao progresso da colheita da safra 2025/26 e ao aumento da oferta, com destaque para o crescimento significativo do café robusta.
Café mais barato? Itaú BBA prevê queda de preços no Brasil em breve
Itaú BBA prevê queda no preço do café no Brasil nos próximos meses, impulsionada pela maior oferta na safra 2025/26. Veja mais!
Cenário atual do preço do café no Brasil

Segundo o IPCA, o preço do café moído subiu 77,88% nos 12 meses até junho. No entanto, essa alta apresentou desaceleração em junho, reduzindo o crescimento mensal de 4,59% em maio para 0,56%.
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Impacto da inflação e custo da matéria-prima
A alta do preço do café tem refletido os custos elevados da matéria-prima ao longo do último ciclo agrícola, que forçaram repasses significativos ao varejo. No entanto, o panorama começa a mostrar sinais de melhora para o setor, com uma expectativa de maior disponibilidade de grãos e recuperação da oferta.
Produção estimada para a safra 2025/26
Projeção do USDA e participação de arábica e robusta
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra brasileira 2025/26 deve totalizar:
| Tipo de café | Produção estimada (milhões de sacas) | Variação em relação à safra anterior |
|---|---|---|
| Arábica | 40,9 | -6,4% |
| Robusta | 24,0 | +14,8% |
Esse cenário reflete uma queda esperada na produção de arábica, principal variedade consumida no Brasil, enquanto a robusta deve crescer significativamente, ampliando sua participação na composição dos blends.
Consequências para a indústria e blends
A indústria do café começa a visualizar um cenário mais favorável, com a maior produção de robusta possibilitando a recomposição dos blends com uma maior proporção desse grão. Isso representa um movimento de ajuste após anos de restrição na oferta devido a quebras de safra tanto no Brasil quanto em outros grandes produtores, como o Vietnã.
Fatores que influenciam o mercado nacional e internacional
Disponibilidade global e competição por matéria-prima
Com a expectativa de aumento da oferta global na safra 2025/26, a competição entre exportadores, torrefações e indústria de café solúvel tende a diminuir, o que pode ajudar a estabilizar e até reduzir os preços no varejo.
Efeitos da legislação europeia antidesmatamento (EUDR)
Por outro lado, o Itaú BBA alerta para possíveis impactos da legislação europeia antidesmatamento (EUDR), que pode estimular antecipações de compras por parte de importadores. Essa movimentação já foi observada no ano anterior e pode gerar pressões temporárias sobre os preços e o estoque.
Volatilidade cambial como risco para o setor
Outro ponto de atenção é a volatilidade cambial. Embora os preços internacionais do café tenham recuado recentemente, uma eventual desvalorização do real pode neutralizar os efeitos dessa queda para empresas com custos dolarizados ou exposição ao mercado externo. Essa condição também influencia financiamentos e dívidas em moeda estrangeira, impactando a cadeia produtiva.
Contexto global: tarifas e concorrência
Tarifas impostas pelos Estados Unidos
Em 9 de julho, o presidente Donald Trump anunciou tarifas que podem afetar o comércio de café brasileiro com os Estados Unidos. Apesar disso, o Itaú BBA avalia que substituir o Brasil como fornecedor não é tarefa simples, devido à limitada capacidade produtiva de outros países.
Os EUA, maior consumidor mundial de café arábica, podem ver o consumo diminuir se a oferta brasileira cair, devido à alta nos preços.
Brasil como líder
Participação de mercado por país
O Brasil mantém liderança mundial na produção de café arábica, com 42% da produção global, seguido pela Colômbia (13%) e Etiópia (12%). Outros países têm participação significativamente menor, o que reforça a importância do Brasil para o abastecimento mundial dessa variedade.
Implicações para o mercado doméstico
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A forte participação brasileira no mercado global coloca o país em posição estratégica, mas também vulnerável a pressões externas como tarifas e políticas ambientais internacionais, que podem alterar dinâmicas de oferta e demanda.
Recuperação gradual da demanda interna

Comportamento do consumidor e preço
A demanda interna por café deve se recuperar lentamente. A alta nos preços dos últimos anos levou parte dos consumidores a optarem por cafés com menor valor agregado, mudança que pode persistir mesmo com a tendência de queda nos preços.
Perspectivas para o mercado doméstico
O mercado brasileiro acompanha com cautela a evolução dos preços, considerando a importância do café na cesta básica e a sensibilidade do consumidor às variações do preço final.
FAQ
A variação cambial pode impactar o preço do café?
Sim. A desvalorização do real pode anular a queda dos preços internacionais, elevando os custos para produtores e empresas com exposição em dólar.
Como as tarifas dos EUA afetam o mercado brasileiro?
As tarifas podem dificultar as exportações brasileiras para os EUA, maior consumidor mundial de café, impactando os preços e o volume comercializado.
Considerações finais
Em suma, apesar dos desafios, o horizonte para o café brasileiro apresenta oportunidades para estabilização e até queda nos preços, desde que fatores externos e internos sejam monitorados de perto. O acompanhamento contínuo dessas variáveis será fundamental para que produtores, indústrias e consumidores possam se adaptar a esse novo ciclo do mercado.
