A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre mais de 700 produtos brasileiros, anunciada no fim de julho de 2025, causou apreensão em diversos setores exportadores do Brasil.
Café e carne foram excluídos da lista de exceções dos EUA e exportadores ainda apostam em negociação
EUA excluem café e carne da lista de exceções no tarifaço de 50%, mas exportadores ainda apostam em negociações.
Entre as surpresas da lista de exceções divulgada pela Casa Branca, que isentou centenas de itens da sobretaxa, estão o café e a carne bovina — dois dos principais alimentos importados dos EUA do Brasil — que ficaram de fora e terão a alíquota mais alta aplicada.
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Setores acreditam em avanços nas negociações
Apesar de café e carne não terem sido incluídos na lista inicial de produtos isentos da tarifa, as entidades representativas desses setores mantêm a esperança de que futuras negociações possam reverter essa situação.
“A lista de exceções nos sinaliza espaço para caminhos de negociação”, disse a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), reforçando a expectativa de avanços em acordos comerciais.
Além disso, o presidente Donald Trump adiou o início da vigência da tarifa, que inicialmente começaria a valer no dia 1º de agosto, para uma semana depois, o que pode abrir espaço para conversas.
A importância do café brasileiro para os EUA

O café brasileiro é um dos principais produtos agrícolas exportados para os Estados Unidos. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Brasil é o maior fornecedor de café não torrado para o país, respondendo por cerca de 30% do mercado americano, seguido por países como Colômbia, Vietnã e Honduras.
O consumidor americano prefere o café arábica, cultivado em grande escala no Brasil e na Colômbia. Embora a Colômbia também seja fornecedora importante, a produção brasileira é significativamente maior e mais consistente, o que torna o Brasil um parceiro essencial para o mercado norte-americano.
“Nesses momentos, o importador ainda tem em estoque o café que não foi taxado, então ele pode praticar um preço médio para o consumidor norte-americano”, explica Celírio Inácio, diretor executivo da Abic.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que seguirá em diálogo com a National Coffee Association (NCA), entidade americana, para tentar incluir o café brasileiro na lista de exceções da tarifa.
Carne bovina: maior fornecedor para a indústria dos EUA
Na cadeia da carne bovina, o Brasil também ocupa posição estratégica. O país é o maior fornecedor de carne para a indústria de processamento nos EUA, especialmente para a fabricação de hambúrgueres e outros produtos processados. Apesar dos EUA comprarem cortes de carne direta da Austrália, o volume importado do Brasil é essencial para atender à demanda industrial.
Entretanto, com a sobretaxa de 50%, o setor estima perdas significativas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estimou que o Brasil poderá perder até US$ 1 bilhão em vendas para os EUA.
“As fábricas já pararam de produzir as carnes especificamente para os EUA”, declarou Roberto Perosa, presidente da Abiec.
Embora os EUA não sejam o maior cliente da carne brasileira — ficando atrás da China em volume — o mercado norte-americano é indispensável pela sua escala e preço competitivo.
Outras commodities agrícolas e energéticas
No pacote de exceções da Casa Branca, o suco de laranja foi um dos poucos alimentos importantes que escapou da sobretaxa máxima, permanecendo com uma tarifa de 10% definida anteriormente por Trump em abril. O pesquisador da FGV Bioeconomia, Leonardo Munhoz, ressalta que o suco é um dos poucos produtos alimentícios brasileiros que conseguiram escapar da tarifa máxima.
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Na véspera da confirmação da lista, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, havia afirmado que alguns produtos que não são cultivados localmente, como café, poderiam ter tarifa “zero”. No entanto, o café acabou não sendo incluído na lista de isenções, assim como manga, abacaxi e cacau, que também ficaram fora da exceção.
O impacto para o mercado de pescados

Outro segmento que depende fortemente dos Estados Unidos é o de pescados, que destina cerca de 70% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) lamentou a exclusão dos pescados da lista de isenções.
“Não há alternativas viáveis de mercado”, afirmou a Abipesca em nota, alertando que o impacto da tarifa será severo e imediato, com consequências sociais e econômicas profundas em regiões dependentes da pesca, como o Ceará.
Panorama das exportações brasileiras para os EUA
O gráfico das exportações brasileiras para os EUA mostra que, além do café e da carne, outros produtos importantes compõem a pauta comercial, com destaque para o suco de laranja, minérios, metais e produtos energéticos — muitos deles incluídos na lista de exceções.
Ainda assim, a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump deve provocar um impacto significativo nas negociações bilaterais, elevando custos e forçando empresários e governos a buscarem alternativas para manter o fluxo comercial.
Com informações de: G1
