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Café e carne foram excluídos da lista de exceções dos EUA e exportadores ainda apostam em negociação

EUA excluem café e carne da lista de exceções no tarifaço de 50%, mas exportadores ainda apostam em negociações.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre mais de 700 produtos brasileiros, anunciada no fim de julho de 2025, causou apreensão em diversos setores exportadores do Brasil.

Entre as surpresas da lista de exceções divulgada pela Casa Branca, que isentou centenas de itens da sobretaxa, estão o café e a carne bovina — dois dos principais alimentos importados dos EUA do Brasil — que ficaram de fora e terão a alíquota mais alta aplicada.

Leia mais: Tarifa de 50% agrava inflação da carne nos EUA

Setores acreditam em avanços nas negociações

Apesar de café e carne não terem sido incluídos na lista inicial de produtos isentos da tarifa, as entidades representativas desses setores mantêm a esperança de que futuras negociações possam reverter essa situação.

“A lista de exceções nos sinaliza espaço para caminhos de negociação”, disse a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), reforçando a expectativa de avanços em acordos comerciais.

Além disso, o presidente Donald Trump adiou o início da vigência da tarifa, que inicialmente começaria a valer no dia 1º de agosto, para uma semana depois, o que pode abrir espaço para conversas.

A importância do café brasileiro para os EUA

Café
Imagem: Mark Daynes / Unsplash

O café brasileiro é um dos principais produtos agrícolas exportados para os Estados Unidos. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Brasil é o maior fornecedor de café não torrado para o país, respondendo por cerca de 30% do mercado americano, seguido por países como Colômbia, Vietnã e Honduras.

O consumidor americano prefere o café arábica, cultivado em grande escala no Brasil e na Colômbia. Embora a Colômbia também seja fornecedora importante, a produção brasileira é significativamente maior e mais consistente, o que torna o Brasil um parceiro essencial para o mercado norte-americano.

“Nesses momentos, o importador ainda tem em estoque o café que não foi taxado, então ele pode praticar um preço médio para o consumidor norte-americano”, explica Celírio Inácio, diretor executivo da Abic.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que seguirá em diálogo com a National Coffee Association (NCA), entidade americana, para tentar incluir o café brasileiro na lista de exceções da tarifa.

Carne bovina: maior fornecedor para a indústria dos EUA

Na cadeia da carne bovina, o Brasil também ocupa posição estratégica. O país é o maior fornecedor de carne para a indústria de processamento nos EUA, especialmente para a fabricação de hambúrgueres e outros produtos processados. Apesar dos EUA comprarem cortes de carne direta da Austrália, o volume importado do Brasil é essencial para atender à demanda industrial.

Entretanto, com a sobretaxa de 50%, o setor estima perdas significativas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estimou que o Brasil poderá perder até US$ 1 bilhão em vendas para os EUA.

“As fábricas já pararam de produzir as carnes especificamente para os EUA”, declarou Roberto Perosa, presidente da Abiec.

Embora os EUA não sejam o maior cliente da carne brasileira — ficando atrás da China em volume — o mercado norte-americano é indispensável pela sua escala e preço competitivo.

Outras commodities agrícolas e energéticas

No pacote de exceções da Casa Branca, o suco de laranja foi um dos poucos alimentos importantes que escapou da sobretaxa máxima, permanecendo com uma tarifa de 10% definida anteriormente por Trump em abril. O pesquisador da FGV Bioeconomia, Leonardo Munhoz, ressalta que o suco é um dos poucos produtos alimentícios brasileiros que conseguiram escapar da tarifa máxima.

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Na véspera da confirmação da lista, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, havia afirmado que alguns produtos que não são cultivados localmente, como café, poderiam ter tarifa “zero”. No entanto, o café acabou não sendo incluído na lista de isenções, assim como manga, abacaxi e cacau, que também ficaram fora da exceção.

O impacto para o mercado de pescados

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Imagem: Freepik

Outro segmento que depende fortemente dos Estados Unidos é o de pescados, que destina cerca de 70% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) lamentou a exclusão dos pescados da lista de isenções.

“Não há alternativas viáveis de mercado”, afirmou a Abipesca em nota, alertando que o impacto da tarifa será severo e imediato, com consequências sociais e econômicas profundas em regiões dependentes da pesca, como o Ceará.

Panorama das exportações brasileiras para os EUA

O gráfico das exportações brasileiras para os EUA mostra que, além do café e da carne, outros produtos importantes compõem a pauta comercial, com destaque para o suco de laranja, minérios, metais e produtos energéticos — muitos deles incluídos na lista de exceções.

Ainda assim, a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump deve provocar um impacto significativo nas negociações bilaterais, elevando custos e forçando empresários e governos a buscarem alternativas para manter o fluxo comercial.

Com informações de: G1

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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