A Caixa Econômica Federal anunciou nesta segunda-feira (13) um novo conjunto de regras para o financiamento imobiliário no país. As medidas visam ampliar o acesso ao crédito habitacional, especialmente para a classe média, e estimular o setor da construção civil, um dos motores da economia brasileira.
Caixa muda regras de financiamento e permite usar FGTS em imóveis de até R$ 2,25 milhões
Caixa amplia teto do financiamento imobiliário para R$ 2,25 milhões, reduz valor da entrada e permite uso do FGTS em imóveis novos e usados.
Entre as mudanças, o destaque fica para o aumento do teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, e o retorno do limite de financiamento de até 80% do valor do imóvel, reduzindo a necessidade de entrada.
Com isso, famílias com renda acima de R$ 12 mil mensais passam a contar com condições mais vantajosas, incluindo juros regulados de até 12% ao ano — abaixo da taxa Selic, atualmente em 15%.
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Entenda o que muda com as novas regras da Caixa

O novo pacote de medidas altera de forma significativa o funcionamento do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que é a principal base de financiamento para pessoas físicas no país.
Antes, o limite para enquadramento no SFH era de R$ 1,5 milhão. Agora, imóveis de até R$ 2,25 milhões poderão ser financiados dentro do sistema, com juros controlados e possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Redução do valor de entrada
Com o retorno do financiamento de até 80% do valor do imóvel, o comprador precisará dispor de uma entrada menor.
Exemplo prático:
- Regra antiga (70%) – imóvel de R$ 500 mil exigia entrada de R$ 150 mil;
- Nova regra (80%) – o mesmo imóvel agora pode ser adquirido com R$ 100 mil de entrada.
Essa diferença representa um aumento de poder de compra de 10% sobre o valor total, tornando o crédito mais acessível a quem busca sair do aluguel ou investir em um segundo imóvel.
FGTS agora pode ser usado em imóveis mais caros
Uma das novidades mais comemoradas é a ampliação do uso do FGTS para imóveis com valor de até R$ 2,25 milhões. Antes, o limite era de R$ 1,5 milhão.
O trabalhador poderá usar o saldo do fundo para:
- Dar entrada no financiamento;
- Amortizar o saldo devedor, reduzindo o valor total das parcelas;
- Pagar parte das prestações mensais, aliviando o orçamento familiar.
Essas opções continuam válidas tanto para imóveis novos quanto usados, desde que enquadrados no SFH e dentro dos critérios de renda e comprovação de capacidade de pagamento.
“Nosso objetivo é ampliar o acesso à moradia e permitir que mais famílias possam realizar o sonho da casa própria com condições equilibradas”, declarou a presidente da Caixa, Rita Serrano, durante a coletiva de anúncio.
Quem pode se beneficiar das novas condições

O novo modelo de financiamento da Caixa foi criado para atender famílias com renda mensal superior a R$ 12 mil, faixa que antes ficava entre o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e os financiamentos de mercado, com juros mais altos.
Esses consumidores, agora, poderão acessar crédito com condições reguladas e uso do FGTS, o que antes era restrito a imóveis de menor valor.
E quem ganha até R$ 12 mil?
As famílias com renda inferior continuam sendo contempladas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que mantém faixas de subsídio e juros reduzidos para imóveis populares.
O novo modelo, portanto, não substitui o MCMV, mas preenche uma lacuna entre os dois segmentos de mercado.
Estímulo ao setor imobiliário e à economia
De acordo com o governo federal, as medidas devem injetar R$ 20 bilhões em crédito habitacional até o fim de 2026. A estimativa é de que 80 mil novos imóveis sejam financiados no período.
Já o Banco Central projeta um impacto ainda mais expressivo: a movimentação de R$ 111 bilhões em recursos apenas no primeiro ano de vigência das novas regras, representando um aumento de R$ 52,4 bilhões em relação ao sistema anterior.
Especialistas apontam que a iniciativa deve gerar efeito multiplicador sobre a economia, com reflexos positivos no emprego, consumo e arrecadação.
“O crédito imobiliário tem forte impacto na cadeia produtiva, pois movimenta desde a construção civil até o setor de serviços”, avalia o economista Eduardo Rossi, da FGV.
Como usar o FGTS para financiar um imóvel
O uso do FGTS é um dos principais atrativos do novo modelo. Para utilizá-lo, é preciso atender às regras do Conselho Curador do Fundo e estar dentro do limite de R$ 2,25 milhões.
Modalidades de uso do FGTS
1. Entrada no financiamento
O saldo pode ser usado para compor a entrada do imóvel, reduzindo o valor financiado.
2. Amortização do saldo devedor
É possível quitar parte do saldo do financiamento, diminuindo o prazo ou o valor das parcelas.
3. Pagamento de prestações
O trabalhador pode usar o fundo para abater até 80% do valor de até 12 parcelas consecutivas, aliviando o orçamento mensal.
Essas operações são feitas diretamente pelo aplicativo FGTS, pelo site da Caixa ou nas agências físicas, mediante apresentação de documentos de identidade, comprovantes de renda e contrato de financiamento.
Como solicitar o financiamento na Caixa
A Caixa orienta os interessados a seguir três etapas principais:
1. Simulação online
Acesse o site oficial da Caixa e use o simulador habitacional para estimar o valor do crédito, o prazo e as parcelas conforme sua renda familiar.
2. Reunião de documentos
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Separe os seguintes itens:
- Documento de identidade e CPF;
- Comprovante de residência;
- Comprovante de renda ou declaração de imposto de renda;
- Certidão de estado civil e comprovantes de FGTS.
3. Análise de crédito e proposta
Após a simulação e entrega dos documentos, a Caixa realiza uma análise de crédito. Se aprovado, o cliente escolhe o tipo de financiamento (com ou sem uso do FGTS) e define as condições de pagamento.
O processo é concluído com a assinatura do contrato e registro em cartório, com liberação dos valores em até 15 dias úteis.
O que muda no uso dos recursos da poupança
Além das alterações no SFH, o governo também aprovou mudanças no uso dos recursos da caderneta de poupança.
Regras atuais
- 65% dos depósitos da poupança devem ser direcionados ao crédito habitacional;
- 20% ficam retidos pelo Banco Central como depósito compulsório;
- 15% permanecem livres para outras operações dos bancos.
Transição até 2027
Durante o período de transição (2025–2027):
- O depósito compulsório cai de 20% para 15%;
- Os bancos poderão aplicar essa diferença no novo modelo habitacional.
A partir de janeiro de 2027
- O percentual obrigatório de 65% destinado ao crédito habitacional será extinto;
- Os depósitos compulsórios no Banco Central deixarão de existir;
- 100% dos recursos da poupança poderão ser usados no crédito imobiliário, ampliando a oferta de financiamento.
Essa mudança deve aumentar a liquidez do mercado e permitir que as instituições reduzam os juros cobrados dos consumidores.
Perspectivas para o mercado imobiliário

A ampliação do teto e o uso do FGTS em imóveis de maior valor chegam em um momento em que o setor imobiliário demonstra sinais de retomada.
Nos últimos meses, construtoras e incorporadoras registraram crescimento nas vendas e lançamentos, especialmente nas capitais e regiões metropolitanas.
Com as novas regras, especialistas preveem uma forte demanda por imóveis na faixa de R$ 800 mil a R$ 2 milhões, público que até então estava limitado a linhas de crédito mais caras.
“Esse movimento fortalece o mercado de médio padrão, com reflexos diretos na geração de empregos e na arrecadação de tributos municipais”, avalia o consultor imobiliário Lucas Brito.
Considerações finais
As novas medidas da Caixa Econômica Federal representam uma mudança estrutural no crédito habitacional brasileiro.
O aumento do teto do SFH para R$ 2,25 milhões, o uso ampliado do FGTS e a redução da entrada tornam o financiamento mais acessível e equilibrado para famílias de classe média.
Com impacto esperado de mais de R$ 100 bilhões na economia, o pacote estimula o setor da construção civil, aquece o mercado imobiliário e favorece o crescimento do crédito de longo prazo no país.
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