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Caixa inicia saque de cotas do PIS para quem trabalhou entre 1971 e 1988

A Caixa Econômica Federal libera o saque de cotas do PIS/PASEP para trabalhadores que atuaram entre 1971 e 1988.

Julia FernandesPor Julia Fernandes9 min de leitura
PIS/PASEP

Em um anúncio de grande relevância para milhões de brasileiros, a Caixa Econômica Federal deu início à liberação do saque de cotas do Fundo PIS/PASEP para um grupo específico de trabalhadores. O pagamento, que muitos consideravam um valor “esquecido”, é destinado a quem exerceu atividade com carteira assinada no período entre 1971 e 1988. A medida representa o resgate de um direito histórico e uma oportunidade de acesso a um dinheiro há muito tempo disponível, mas que por questões burocráticas e de desconhecimento, não foi sacado. A ação faz parte de um esforço contínuo para liquidar os saldos remanescentes de um dos mais antigos fundos de proteção ao trabalhador do Brasil, oferecendo um alívio financeiro significativo para milhares de pessoas, muitas delas já aposentadas ou próximas da aposentadoria.

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Um resgate histórico: a origem das cotas do Fundo PIS/PASEP

Para entender a importância da liberação atual, é preciso voltar no tempo e compreender a distinção entre as cotas do PIS/PASEP e o abono salarial. O Fundo PIS/PASEP foi criado no início da década de 1970 com o objetivo de promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. O PIS (Programa de Integração Social) era voltado para trabalhadores da iniciativa privada e era administrado pela Caixa, enquanto o PASEP (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) era para servidores públicos e administrado pelo Banco do Brasil. A cada ano, empregadores e órgãos públicos depositavam contribuições nas contas individuais desses trabalhadores.

Entendendo a distinção entre PIS/PASEP e abono salarial

O que está sendo liberado agora são as cotas do fundo. As cotas se referem aos depósitos feitos nas contas dos trabalhadores no período de 1971 a 4 de outubro de 1988, quando a Constituição Federal mudou a destinação dessas contribuições. O dinheiro nessas contas pertencia aos trabalhadores. Em contraste, o abono salarial é um benefício anual, pago a quem atende a critérios específicos de renda e tempo de trabalho no ano-base. Ele é um valor fixo, geralmente equivalente a um salário mínimo, e não um saldo acumulado ao longo da vida profissional. A liberação atual é, portanto, sobre as cotas históricas, e não sobre o abono salarial.

A criação do Fundo e o seu legado

O Fundo PIS/PASEP foi criado com o objetivo de redistribuir a renda, garantindo ao trabalhador o direito a uma participação nos lucros e na riqueza das empresas e da sociedade. Em 1988, com a promulgação da nova Constituição, os depósitos individuais deixaram de ser feitos e os recursos passaram a ser destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que financia o seguro-desemprego e o abono salarial. Desde então, o dinheiro das cotas ficou à disposição para ser sacado pelos trabalhadores que tivessem o direito. Muitas pessoas, no entanto, nunca sacaram seus valores por desconhecimento, esquecimento ou dificuldade de acesso à informação. A nova liberação busca corrigir essa lacuna histórica.

Quem tem direito ao saque extraordinário de setembro?

A liberação de setembro de 2025 é direcionada a um grupo muito específico. Não se trata de um saque universal como em outras ocasiões, mas sim do resgate final dos valores de cotas. A elegibilidade é determinada por um conjunto de critérios claros.

Os critérios de elegibilidade e a janela de tempo

Para ter direito ao saque, o trabalhador precisa ter cumprido três requisitos principais:

  1. Ter tido inscrição no PIS ou no PASEP no período entre 1971 e 4 de outubro de 1988.
  2. Ter trabalhado com carteira assinada durante esse período.
  3. Não ter sacado o valor total das cotas até o presente momento.

Esses critérios delimitam o público-alvo a um grupo de pessoas que, em sua maioria, já estão aposentadas ou em idade avançada. A janela de tempo, que se encerrou com a promulgação da nova Constituição, é a chave para a elegibilidade. Qualquer pessoa que tenha começado a trabalhar com carteira assinada após 5 de outubro de 1988 não terá direito a esses saques de cotas.

Por que essa liberação é diferente das anteriores?

Anteriormente, a liberação de cotas do PIS/PASEP já havia sido feita de forma mais ampla, em 2017, por exemplo. No entanto, a liberação atual é a última e definitiva chance para o saque desses valores. Ela representa o encerramento do ciclo das cotas, com o intuito de que não haja mais dinheiro “esquecido” nos fundos. Para os beneficiários, isso significa que não haverá novas oportunidades para sacar o valor.

Calendário de pagamentos: o cronograma de saques por mês de aniversário

Caixa
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Para que a liberação seja organizada e para evitar aglomerações em agências, a Caixa estabeleceu um calendário de pagamentos por mês de nascimento do beneficiário. A organização do cronograma permite que o acesso aos valores seja feito de forma gradual e segura.

Como o cronograma foi estruturado

A liberação escalonada é uma prática comum da Caixa em grandes operações de pagamento, como o Auxílio Emergencial e os saques do FGTS. A logística é pensada para que a capacidade tecnológica do aplicativo e o atendimento presencial das agências não sejam sobrecarregados. O dinheiro é liberado em lotes, o que garante a eficiência e a rapidez do processo para cada grupo de beneficiários.

Tabela completa para consulta

Para facilitar a consulta, o cronograma é dividido por mês de nascimento. A seguir, está a tabela de liberação dos saques, válida para o mês de setembro de 2025:

  • Nascidos em janeiro, fevereiro e março: O dinheiro já está disponível a partir de [Data específica].
  • Nascidos em abril, maio e junho: O saque poderá ser feito a partir de [Data específica].
  • Nascidos em julho, agosto e setembro: O benefício será liberado a partir de [Data específica].
  • Nascidos em outubro, novembro e dezembro: O valor estará disponível a partir de [Data específica].

É crucial que os beneficiários fiquem atentos às datas de liberação para acessar o dinheiro no momento certo e se planejarem para a retirada.

Guia completo para a retirada do seu dinheiro

O processo de saque é relativamente simples, mas requer atenção e o uso dos canais corretos para evitar transtornos. O primeiro passo é verificar a elegibilidade e o saldo, e o segundo é escolher a melhor forma de retirar o dinheiro.

Primeiro passo: a consulta do saldo e da elegibilidade

A maneira mais prática de verificar se você tem direito ao saque e qual o valor disponível é através dos canais de atendimento da Caixa. O aplicativo oficial do FGTS e o site da Caixa, são as principais ferramentas para essa consulta. O trabalhador precisa ter em mãos seu número de inscrição do PIS (que pode ser encontrado na carteira de trabalho antiga) e seu CPF. Além da consulta online, é possível ligar para a Central de Atendimento da Caixa ou se dirigir a uma agência para obter as informações.

As opções de saque disponíveis: do digital ao presencial

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A Caixa oferece diferentes formas de saque, adaptadas às necessidades dos beneficiários:

  1. Crédito em conta Caixa: Se o trabalhador possui uma conta-corrente ou poupança na Caixa, o valor pode ser creditado automaticamente, sem a necessidade de ir a uma agência.
  2. Saque em espécie: O saque pode ser feito em qualquer agência da Caixa, nas casas lotéricas ou nos correspondentes Caixa Aqui, mediante a apresentação de um documento de identificação com foto. Para valores até R$ 3.000, o saque pode ser feito com o Cartão do Cidadão e senha.
  3. Transferência: O valor pode ser transferido, sem custo, para uma conta bancária de qualquer titularidade, desde que seja feita a solicitação nos canais digitais da Caixa.

A flexibilidade nas opções de saque busca garantir que todos, independentemente de sua familiaridade com a tecnologia, possam ter acesso ao benefício de forma segura e conveniente.

Questões e problemas comuns na hora de sacar

Em uma operação que envolve milhões de pessoas, é natural que surjam dúvidas e problemas. É importante saber como agir em situações específicas para garantir que o direito seja exercido plenamente.

O que fazer em caso de cotas de um familiar falecido?

Os herdeiros de um trabalhador que tinha cotas do PIS/PASEP e não as sacou têm o direito de solicitar o valor. A documentação necessária para o saque é a certidão de óbito do titular, um documento de identificação do herdeiro e, em alguns casos, um alvará judicial ou uma escritura pública. O processo deve ser feito em uma agência da Caixa, onde a documentação será analisada para a liberação do dinheiro. A Caixa tem canais específicos para orientar os herdeiros sobre o processo.

A importância da segurança: cuidados para evitar golpes

Em períodos de liberação de benefícios, o número de golpes aumenta. É fundamental que os beneficiários estejam atentos. A Caixa não solicita senhas, dados pessoais ou números de cartão de crédito por telefone, e-mail ou WhatsApp. O único canal seguro para consulta de saldo e acesso aos valores é o aplicativo oficial do FGTS e os canais de atendimento da Caixa. Qualquer contato que peça seus dados de acesso, oferecendo “ajuda” para o saque, deve ser ignorado. A segurança da informação é a maior garantia de que seu dinheiro será protegido.

O impacto financeiro e a relevância social da medida

A liberação das cotas do PIS/PASEP não é apenas uma transação financeira; é uma medida com grande relevância social e econômica, especialmente para a população mais idosa.

O uso do dinheiro e o alívio para os beneficiários

Para muitos dos beneficiários, que trabalharam em um período de profundas transformações no Brasil e que hoje vivem com rendas modestas, o valor do PIS/PASEP pode fazer uma grande diferença. O dinheiro pode ser usado para cobrir despesas médicas, fazer pequenos reparos em casa, ajudar a família ou simplesmente servir como um complemento de renda. É um dinheiro que chega em um momento de necessidade e que pode aliviar o peso das finanças no dia a dia.

O fechamento de um ciclo para um fundo histórico

A liberação total e final das cotas do PIS/PASEP representa o encerramento de um ciclo para um fundo que foi criado com uma visão de inclusão social. O processo de saque, ao ser simplificado e divulgado em larga escala, garante que o direito de uma geração de trabalhadores não seja esquecido e que o dinheiro, que pertence a eles, seja finalmente acessado. É a formalização do pagamento de uma dívida histórica com o trabalhador brasileiro.

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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