A Caixa Econômica Federal encerrou a sétima rodada de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026 sem apresentar uma nova proposta para o Saúde Caixa, tema que concentra uma das principais preocupações dos empregados.
A reunião ocorreu em São Paulo na quarta-feira, 19 de agosto. Segundo informações divulgadas pela representação dos trabalhadores, o banco havia sinalizado anteriormente que discutiria possíveis soluções para o plano, mas a negociação terminou sem uma nova oferta. A expectativa é de que o assunto volte à mesa no dia 25.
O impasse acontece após propostas anteriores para o custeio do plano terem sido rejeitadas pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa). Entre as principais discussões está a forma de financiamento do Saúde Caixa e o impacto das despesas sobre empregados, aposentados e pensionistas.
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Saúde Caixa é o principal ponto de impasse
A representação dos empregados cobra mudanças no modelo de custeio para ampliar a participação da Caixa e evitar que o aumento das despesas seja transferido em maior escala aos beneficiários.
Pelas condições discutidas na campanha, o acordo estabelece limites para a participação do banco no financiamento do plano. Os trabalhadores defendem uma solução que preserve a sustentabilidade financeira do Saúde Caixa sem elevar excessivamente os custos para empregados da ativa, aposentados e pensionistas.
Em declaração divulgada após a reunião, a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, afirmou que havia grande expectativa por uma proposta que permitisse manter o plano sustentável e acessível aos participantes. Sem uma nova oferta, a negociação foi adiada para uma próxima rodada.
A pauta específica dos empregados da Caixa foi entregue em junho e reúne outras reivindicações relacionadas a carreira, condições de trabalho, remuneração e direitos trabalhistas.
PCDs e direito à desconexão também entraram na negociação
Além do Saúde Caixa, a reunião tratou de medidas voltadas às pessoas com deficiência. A Caixa apresentou propostas relacionadas à ampliação das possibilidades de ausências justificadas para cuidados com a própria saúde.
A representação dos trabalhadores considerou que houve avanços, mas defendeu ajustes. Entre as demandas está a ampliação das possibilidades de teletrabalho para empregados PCDs, conforme as necessidades de adaptação, além da discussão sobre jornada de trabalho.
Outro tema foi o chamado direito à desconexão. A Caixa propôs reforçar em acordo coletivo que cobranças de metas e monitoramento de resultados não ocorram fora da jornada. A CEE, porém, defendeu medidas mais amplas para evitar demandas profissionais durante períodos de descanso.
A discussão inclui mensagens e notificações enviadas por plataformas corporativas, além da utilização de canais não institucionais para cobranças relacionadas ao trabalho.
Trabalhadores apontam sobrecarga nas plataformas e agências
A sobrecarga de trabalho também foi levada à mesa de negociação. Segundo a representação dos empregados, há equipes reduzidas atendendo um volume elevado de clientes, com diferenças significativas na quantidade de atendimentos entre plataformas.
A CEE sustenta que a pressão por resultados e o acúmulo de demandas não estão restritos aos canais digitais. A preocupação abrange também agências físicas e outras áreas da Caixa, com possíveis reflexos sobre as condições de trabalho e o adoecimento dos empregados.
Também foram apresentadas cobranças relacionadas ao fim de controles paralelos de metas e à revisão de critérios do Alcance.Caixa que, segundo a representação sindical, poderiam gerar consequências para equipes em situações envolvendo denúncias de assédio.
Outras reivindicações incluem discussões sobre o Super Caixa, remuneração variável, PLR Social, contratações e mudanças nas condições de atendimento.
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Negociações ocorrem perto da data-base da categoria
O calendário da Campanha Nacional dos Bancários aumenta a pressão para que as partes avancem nas próximas reuniões. A categoria tem data-base em 1º de setembro, e a pauta entregue pelos representantes dos trabalhadores inclui propostas específicas para os empregados da Caixa e reivindicações nacionais negociadas com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Entre as preocupações levantadas pelo movimento sindical está o encerramento da vigência dos acordos coletivos sem renovação automática. Desde a Reforma Trabalhista de 2017, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) passou a vedar a ultratividade das normas coletivas, ou seja, sua continuidade automática após o fim da vigência.
Para os representantes dos empregados, a proximidade do prazo reforça a necessidade de respostas às reivindicações ainda pendentes.
Paralisação de 24 horas foi aprovada para 20 de agosto

Em meio às negociações, assembleias aprovaram uma paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira, 20 de agosto. A mobilização envolve bancários de diferentes instituições e faz parte da Campanha Nacional Unificada de 2026.
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, a proposta de paralisação recebeu 89,34% dos votos favoráveis, enquanto a proposta apresentada pela Fenaban foi rejeitada com 97,66% dos votos, segundo dados divulgados pelo sindicato. Os percentuais podem variar conforme a base sindical analisada.
Para os clientes da Caixa, uma paralisação pode afetar o atendimento presencial, dependendo da adesão em cada localidade. Canais digitais e caixas eletrônicos podem continuar disponíveis, mas é recomendável antecipar serviços presenciais e verificar o funcionamento da agência antes de se deslocar.
A próxima rodada específica entre Caixa e representantes dos empregados é aguardada para o dia 25, quando o Saúde Caixa deve voltar ao centro das discussões.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



