A Caixa Econômica Federal anunciou na última semana, durante o evento TokenNation, a conclusão bem-sucedida de dois testes de pagamentos off-line com o Drex, a versão digital do real. A iniciativa representa um marco na inclusão financeira de regiões sem acesso à internet, como comunidades ribeirinhas da Amazônia, e abre caminho para a democratização dos serviços bancários digitais no Brasil.
Caixa anuncia testes de pagamentos off-line usando Drex, a CBDC brasileira
Caixa realiza testes de pagamentos off-line com Drex na Amazônia e projeta impacto de R$ 30 milhões no PIB local. Saiba mais!
A tecnologia, baseada em blockchain, permitiu que transações fossem realizadas sem conexão com a internet, usando um cartão físico carregado com reais digitais, o que possibilita a circulação de valores mesmo em áreas remotas. Os testes mostram o potencial do Drex para transformar realidades e aproximar cidadãos do sistema financeiro nacional.
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Como foram realizados os testes do Drex off-line
Primeiro teste: validação em ambiente de sandbox
O primeiro experimento ocorreu em junho de 2024, em ambiente controlado, chamado de sandbox regulatório. O objetivo era validar as funcionalidades básicas do Drex, como transferências ponto a ponto, segurança das chaves criptográficas e integração com sistemas legados bancários.
Esse ambiente permitiu à Caixa mapear eventuais falhas operacionais e testar a resiliência da tecnologia blockchain usada no projeto. O foco foi garantir que os dados e valores armazenados nos cartões pudessem ser lidos, movimentados e sincronizados posteriormente com os servidores bancários.
Segundo teste: campo real na Amazônia
Já o segundo teste, considerado o mais relevante até agora, foi realizado em abril de 2025 na cidade de São Sebastião da Boa Vista, no interior do Pará. O município tem pouca cobertura de internet e mais de 7 mil beneficiários de programas sociais, o que o torna um cenário ideal para testes de inclusão financeira.
O piloto envolveu dois moradores de uma comunidade ribeirinha, que utilizaram seus cartões Drex carregados previamente com valores digitais. Eles fizeram compras em um comércio local sem internet, realizando uma transação direta entre o cartão do comprador e o terminal do comerciante.
“Eles realizaram o pagamento e o comerciante, por sua vez, transferiu o valor para outro usuário, demonstrando que a tecnologia permite o ciclo econômico completo mesmo off-line”, afirmou Rafael Silva, superintendente regional da Caixa.
A tecnologia por trás: blockchain, cartões e parcerias estratégicas
Para viabilizar o Drex off-line, a Caixa contou com o apoio de parceiros tecnológicos estratégicos, incluindo a Elo e a Microsoft. A solução é baseada em tecnologia blockchain, que garante segurança, imutabilidade e rastreabilidade das transações.
Cartão físico como carteira digital
O cartão físico utilizado funciona como uma carteira digital local, com capacidade de armazenar valores em Drex. Mesmo sem conexão, ele permite:
- Leitura e autenticação de dados via chip;
- Transferência segura de valores para terminais compatíveis;
- Registro de transações para posterior sincronização com a rede bancária.
A proposta é que cada cartão funcione como uma “moeda digital ambulante”, especialmente útil em regiões com baixa bancarização ou ausência de conectividade.
Parcerias para escala nacional
A Caixa integra um consórcio com o Banco do Brasil e a SFCoop, reunindo as principais cooperativas de crédito do país — Sicoob, Sicredi, Cresol, Ailos e Unicred. O objetivo é viabilizar a escala e padronização das tecnologias utilizadas no Drex, com foco na Fase 2 do projeto piloto, que trata da tokenização de ativos como imóveis e serviços.
Impacto econômico direto na região amazônica
Um dos pontos mais destacados pela Caixa é o potencial de impacto econômico do Drex off-line em comunidades isoladas. Somente em São Sebastião da Boa Vista, o banco estima que a formalização das transações pode injetar até R$ 30 milhões no Produto Interno Bruto nacional.
Essa cifra se baseia em dois fatores:
- Redução do uso de dinheiro em espécie, que é difícil de circular e armazenar com segurança em regiões ribeirinhas;
- Integração de pequenos comerciantes ao sistema bancário, permitindo acesso a crédito, seguros e outros serviços financeiros.
“Hoje, o cidadão tem o cartão do benefício, mas precisa viajar até uma cidade maior para sacar. Com o Drex off-line, ele pode utilizar os valores diretamente na comunidade, sem deslocamentos”, explica Silva.
Agências-barco: presença, mas com limitações
Atualmente, a Caixa mantém duas agências-barco que atendem a 26 municípios da região amazônica. No entanto, essas embarcações não permitem saques, o que restringe o acesso ao dinheiro. A tecnologia Drex surge como uma alternativa mais eficaz e sustentável para garantir liquidez local.
O que é o Drex e por que ele é importante?

O Drex é o nome oficial do real digital, moeda emitida pelo Banco Central do Brasil, que faz parte do movimento global de criação de CBDCs (moedas digitais de bancos centrais). Diferente das criptomoedas tradicionais, o Drex tem lastro no real e é controlado por autoridades monetárias.
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Objetivos principais do Drex:
- Reduzir custos de transação bancária;
- Aumentar a eficiência dos pagamentos;
- Ampliar o acesso de camadas excluídas ao sistema financeiro;
- Permitir transações programáveis com contratos inteligentes;
- Facilitar pagamentos instantâneos e interbancários.
O projeto Drex está atualmente na segunda fase de testes, que inclui não apenas pagamentos off-line, mas também tokenização de ativos, como imóveis, precatórios e recebíveis.
Inclusão financeira: um novo capítulo para o Brasil
O caso de São Sebastião da Boa Vista é simbólico. Trata-se de uma cidade com menos de 30 mil habitantes, de difícil acesso e com carência de serviços bancários. O sucesso do Drex off-line ali pode servir de modelo para replicação nacional, principalmente em regiões do Norte e Nordeste.
Benefícios diretos da inclusão com Drex:
- Redução da dependência de dinheiro em espécie;
- Estímulo ao comércio local com pagamentos digitais;
- Formalização de atividades econômicas antes invisíveis ao sistema bancário;
- Possibilidade de concessão de microcrédito a partir do histórico de transações.
Segundo dados do Banco Central, mais de 34 milhões de brasileiros vivem em áreas com baixa ou nenhuma cobertura bancária, o que mostra o potencial transformador da tecnologia Drex.
Próximos passos do projeto Drex

A Caixa afirma que continuará realizando testes práticos, inclusive em outras cidades amazônicas, e participará ativamente das definições da infraestrutura regulatória e técnica da moeda digital.
Além disso, a expectativa é que, ainda em 2025, a Fase 2 do piloto inclua:
- Tokenização de imóveis com escrituração digital;
- Criação de smart contracts para liberação automática de crédito;
- Desenvolvimento de identidade digital bancária vinculada ao Drex.
O Banco Central planeja a adoção plena do Drex a partir de 2026, dependendo dos resultados do piloto e da aprovação legislativa.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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