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Câmara aprova urgência para derrubar alta do IOF

Câmara aprova urgência de projeto que visa derrubar decreto de aumento do IOF. Saiba mais sobre.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
IOF

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (16), o regime de urgência para um projeto que tenta revogar o mais recente decreto do governo federal sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Com 346 votos favoráveis contra 97, os parlamentares deram sinal verde para acelerar a tramitação da proposta, mesmo que o mérito, ou seja, o conteúdo da medida, ainda não tenha sido discutido.

A votação reflete a crescente insatisfação do Congresso com os sucessivos aumentos de tributos adotados pelo Executivo. A urgência permite que o projeto seja analisado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões permanentes da Casa, encurtando o caminho até uma decisão final.

Leia mais: Aumento do IOF: o que diz a lei sobre a constitucionalidade do decreto

O que está em jogo no projeto sobre o IOF

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O projeto em questão busca anular um decreto presidencial publicado na última quinta-feira (11), que promoveu uma nova “recalibragem” das alíquotas do IOF. Este é o terceiro ajuste feito pelo governo desde o mês de maio.

A medida tem gerado forte reação do empresariado e de parte do Legislativo. A oposição tenta agora votar o mérito ainda nesta semana, enquanto a base aliada busca ganhar tempo para que o Executivo apresente alternativas de corte de despesas.

Insatisfação entre parlamentares pressiona o governo

A votação da urgência foi articulada após pressão de líderes partidários. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o governo já tem consciência da resistência existente no Congresso:

“O governo é sabedor da insatisfação no Congresso” e tem o compromisso de apresentar uma agenda de cortes de despesas, declarou Motta, após reunião com ministros e parlamentares.

Ainda segundo Motta, a decisão de pautar a urgência foi simbólica e reflete o “sentimento da Casa” diante das últimas medidas econômicas do Executivo.

Reações e articulações políticas

Durante a votação, apenas o PSB e a federação PT-PCdoB-PV se posicionaram contra a urgência. O restante dos partidos liberou as bancadas para votar como quisessem, indicando a amplitude da insatisfação com o aumento do imposto.

A movimentação do Executivo para conter a aprovação incluiu uma reunião com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além de líderes da base e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

No entanto, a ofensiva não foi suficiente para impedir o avanço da proposta.

Oposição quer votação do mérito nesta semana

O deputado Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, afirmou que está negociando com Hugo Motta para que o mérito da proposta — que efetivamente revogaria o aumento do IOF — seja votado ainda nesta terça-feira (17).

“A gente quer que haja sim uma clara e evidente ação de corte de gastos. […] Vamos inclusive propor para que possamos avançar nesse mérito ainda antes do recesso do meio do ano. Se possível, votar amanhã”, disse Zucco em entrevista.

A oposição pretende se reunir com o presidente da Câmara nesta terça para discutir os próximos passos.

Entenda o histórico do aumento do IOF

A primeira proposta de aumento do IOF foi anunciada em 22 de maio, mas recuada parcialmente no mesmo dia após repercussão negativa no mercado financeiro. A principal crítica era voltada ao aumento da tributação sobre investimentos de fundos nacionais no exterior.

Na semana passada, o governo publicou um novo decreto, alterando novamente as alíquotas do IOF como parte de um plano para aumentar a arrecadação pública.

A previsão inicial do Ministério da Fazenda era de arrecadar R$ 18 bilhões em 2025 e R$ 37 bilhões em 2026 com a medida. Após a “recalibragem” mais recente, a expectativa caiu para cerca de R$ 7 bilhões, embora o número oficial ainda não tenha sido divulgado.

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O que é o IOF e por que ele é importante

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é um tributo federal aplicado em diversas transações, como empréstimos, câmbio, seguros e investimentos. Sua principal função é regular a economia, sendo frequentemente usado para conter o consumo ou estimular o crédito, além de reforçar a arrecadação da União.

No entanto, por afetar diretamente operações do dia a dia de empresas e cidadãos, qualquer alteração nas alíquotas tem impacto imediato sobre o mercado financeiro e o ambiente de negócios.

Próximos passos no Congresso

Foto do prédio do congresso nacional em brasília INSS
Imagem: Alejandro Zambrana / Shutterstock.com

A urgência aprovada permite que o projeto seja colocado em votação a qualquer momento no plenário. Para que o decreto presidencial seja efetivamente derrubado, o projeto precisa ser aprovado não apenas pela Câmara, mas também pelo Senado Federal.

Com o recesso parlamentar de julho se aproximando, há pressão de ambos os lados, oposição e governo, para definir o futuro do decreto ainda em junho.

Corte de despesas pode ser caminho para o consenso

Em meio à crise, integrantes da base aliada defendem que o Executivo apresente um plano detalhado de corte de gastos públicos, como alternativa à elevação da carga tributária.

Essa solução poderia apaziguar os ânimos no Congresso e evitar um confronto direto entre os Poderes. No entanto, até o momento, o governo ainda não divulgou quais áreas poderão sofrer redução orçamentária.

Com informações de: CNN Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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