A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que reduz a carga tributária sobre a indústria química e petroquímica, um dos setores estratégicos da base industrial brasileira. A proposta agora segue para análise no Senado Federal.
R$ 1,1 bilhão de alívio: entenda a redução de impostos aprovada pela Câmara em 2026
Câmara aprova redução de PIS e Cofins para indústria química; impacto fiscal pode chegar a R$ 3,1 bi até 2026.
O texto altera as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, dois tributos federais que incidem sobre a receita das empresas e têm peso relevante na formação de custos industriais. A medida vale tanto para a produção nacional quanto para a importação de insumos considerados essenciais à cadeia química.
A iniciativa ocorre em um contexto de tentativa de reindustrialização e de busca por maior competitividade do setor produtivo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Como ficam as novas alíquotas
A redução não é imediata e integral. Ela será aplicada de forma escalonada:
Primeira fase: janeiro de 2025 a fevereiro de 2026
- PIS/Pasep: 1,52%
- Cofins: 7%
Segunda fase: março a dezembro de 2026
- PIS/Pasep: 0,62%
- Cofins: 2,83%
Na prática, a carga sobre esses tributos cai de forma significativa, especialmente na segunda etapa, reduzindo o custo tributário de matérias-primas fundamentais para a indústria de transformação.
Quais produtos e empresas serão beneficiados
O benefício alcança centrais petroquímicas e indústrias químicas que utilizam insumos estratégicos, como:
- Etano
- Propano
- Butano
- Nafta petroquímica
- Gás natural
- Amônia
- Condensados
Também estão incluídos derivados importantes da cadeia química:
- Eteno
- Propeno
- Benzeno
- Tolueno
- Butadieno
Esses produtos estão na base de fabricação de plásticos, fertilizantes, solventes, embalagens, resinas, produtos de limpeza, medicamentos e uma infinidade de itens do dia a dia do consumidor brasileiro.
Impacto fiscal: quanto o governo deixa de arrecadar
A renúncia fiscal estimada para 2026 é de R$ 1,1 bilhão. Considerando o conjunto da proposta, o impacto pode chegar a um déficit de R$ 3,1 bilhões nos cofres públicos.
O relator do projeto, o deputado Carlos Zarattini, argumenta que parte desse valor será compensada por outras medidas aprovadas pelo Congresso, como:
- Corte de determinados benefícios fiscais
- Aumento de arrecadação com a taxação de apostas esportivas online
- Tributação sobre operações de fintechs
Segundo esse cálculo, cerca de R$ 2 bilhões poderiam ser compensados por essas novas fontes de receita, reduzindo o efeito líquido sobre as contas públicas.
Por que o setor químico é estratégico para o Brasil
A indústria química é considerada uma das bases da economia industrial porque abastece diversas cadeias produtivas. Ela fornece insumos para:
- Construção civil
- Agronegócio (fertilizantes e defensivos)
- Indústria automotiva
- Setor farmacêutico
- Indústria de alimentos
- Embalagens e bens de consumo
Quando o custo dos insumos químicos sobe, isso se espalha por toda a economia, encarecendo produtos finais. Por isso, o argumento central dos defensores da medida é que a redução de impostos pode melhorar a competitividade do setor nacional frente aos importados e estimular produção, emprego e investimento.
O que pode mudar para as empresas
Redução de custos de produção
Com alíquotas menores de PIS/Pasep e Cofins, as empresas químicas e petroquímicas terão redução direta no custo de aquisição de matérias-primas. Isso pode:
- Melhorar margens de lucro
- Aumentar a capacidade de investimento
- Tornar o produto nacional mais competitivo
Incentivo à produção local
A medida também atinge insumos importados, mas a lógica do projeto é equilibrar o jogo para que a produção no Brasil não fique em desvantagem tributária. Isso é relevante em um cenário de concorrência com produtos asiáticos e do Oriente Médio, onde a produção petroquímica costuma ter custos mais baixos.
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Essa é uma das principais dúvidas. Na prática, a redução de tributos sobre insumos pode, sim, ajudar a conter aumentos de preços, mas não há garantia automática de repasse integral ao consumidor.
O efeito depende de fatores como:
- Concorrência no setor
- Custo do dólar
- Preço do petróleo e do gás natural
- Estratégia comercial das empresas
Ainda assim, setores que utilizam grande volume de resinas plásticas e químicos básicos podem sentir alívio de custos ao longo da cadeia, o que ajuda a reduzir pressões inflacionárias.
Riscos e críticas à proposta
Economistas mais preocupados com o equilíbrio fiscal alertam que o Brasil já possui um sistema cheio de benefícios tributários setoriais. Cada nova renúncia pode:
- Aumentar a dificuldade de fechar as contas públicas
- Pressionar a dívida pública
- Exigir compensações por meio de novos tributos ou cortes de gastos
Por outro lado, defensores da política industrial afirmam que sem algum tipo de estímulo, o Brasil pode perder ainda mais espaço na indústria de base, aumentando a dependência de importações.
Próximos passos no Congresso
O projeto agora será analisado pelo Senado. Os senadores podem:
- Aprovar o texto como está
- Propor alterações
- Rejeitar a proposta
Se houver mudanças, o texto volta para nova análise da Câmara. Só após aprovação nas duas Casas e sanção presidencial a medida passa a valer oficialmente.
Conclusão
A redução de impostos para a indústria química e petroquímica é uma medida com forte viés de política industrial, que busca fortalecer um setor considerado estruturante para a economia brasileira. Ao mesmo tempo, levanta debate sobre responsabilidade fiscal e sobre a eficiência de incentivos tributários setoriais.
O impacto final dependerá de como o Senado tratará o projeto e de como o governo equilibrará a perda de arrecadação com novas receitas e controle de gastos.
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