O Projeto de Lei 1846/2025, que trata do fim dos descontos automáticos de associações nos benefícios pagos pelo INSS, pode ter sua tramitação acelerada a partir desta terça-feira (20). A proposta, apresentada pelo deputado Sidney Leite (PSD-AM), pretende revogar o dispositivo legal que permite descontos associativos diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Caso o requerimento seja aprovado, o projeto poderá seguir diretamente para análise e votação em plenário, sem necessidade de passar pelas comissões temáticas da Casa. A medida surge em resposta a recentes revelações de fraudes bilionárias envolvendo entidades de classe e servidores do INSS.
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O que propõe o Projeto de Lei 1846/2025?

Leia mais: Golpe revelado: INSS encerra benefício que cobrava taxas indevidas de aposentados
Na prática, o projeto revoga um artigo da referida lei, usado como base legal para os descontos. Ao longo das décadas, esse dispositivo passou por alterações, incluindo a retirada da exigência de revalidação periódica das autorizações para os descontos — mudança implementada em março de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Fraudes em larga escala motivam ação legislativa
Investigação revela prejuízo de bilhões aos segurados
A proposta ganhou força após a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) revelarem um esquema de fraude que pode ter desviado mais de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. As investigações apontam que milhões de aposentados e pensionistas tiveram valores descontados sem consentimento, em benefício de associações fantasmas ou controladas por grupos criminosos.
Enriquecimento ilícito e conivência de servidores
Segundo a PF, os valores desviados eram repassados a dirigentes de associações e servidores públicos envolvidos com o esquema. A CGU estima que 6 milhões dos 9,5 milhões de beneficiários atingidos podem ter sido vítimas de cobrança indevida.
Histórico de mudanças legais e fragilização dos controles
Fim da revalidação abriu brechas para abusos
Em 2022, uma mudança na legislação retirou a obrigatoriedade de renovação periódica da autorização para manter os descontos nos benefícios previdenciários. Até então, aposentados e pensionistas precisavam confirmar regularmente seu consentimento. Com a nova regra, os abatimentos passaram a ocorrer de forma contínua, o que facilitou a manutenção de cobranças automáticas, muitas vezes realizadas sem clareza ou consentimento explícito dos segurados.
Déficit de fiscalização e ausência de controle social
Outro fator apontado por especialistas é a falta de mecanismos efetivos de controle social e fiscalização. Com milhões de benefícios processados mensalmente, o sistema se tornou vulnerável à atuação de associações de fachada que operam de forma agressiva, com uso indevido de dados pessoais.
Serviços prestados x cobranças automáticas
Enquanto algumas associações oferecem serviços de assistência, convênios e orientação jurídica a seus associados, outras são acusadas de existirem apenas para realizar descontos. Muitas vezes, os aposentados sequer reconhecem a entidade responsável pelo débito registrado em seu benefício.
Dificuldade de cancelamento e desinformação
Diversos relatos indicam que segurados enfrentam dificuldades para cancelar os descontos, muitas vezes desconhecendo o processo necessário para interromper a cobrança. A burocracia e a desinformação acabam perpetuando os débitos por anos.
Próximos passos na Câmara dos Deputados
Votação da urgência pode acelerar análise do mérito
A previsão é de que o pedido de urgência para a tramitação do projeto receba aval dos deputados. Caso isso ocorra, o texto do PL 1846/2025 poderá ser votado diretamente no plenário, o que acelera o processo legislativo. Parlamentares favoráveis à proposta esperam votar o mérito ainda no primeiro semestre de 2025.
Proposta deve enfrentar resistência
Embora o projeto tenha apoio de lideranças, entidades de classe e sindicatos que se beneficiam dos descontos devem articular resistência à proposta.
Avaliação técnica e impacto financeiro

Corte pode reduzir prejuízos a aposentados
Se aprovado, o PL deve impedir a continuidade de fraudes semelhantes às investigadas pela PF. Estima-se que os descontos associativos indevidos representem perdas significativas à renda de milhões de brasileiros que dependem exclusivamente dos benefícios do INSS.
Mudança pode afetar estrutura de entidades
A suspensão da principal fonte de receita pode inviabilizar a atuação de muitas entidades associativas, inclusive aquelas que operam legalmente. Nesse cenário, analistas defendem a criação de regras mais claras para cobrança de contribuições, com mecanismos de autorização mais rigorosos.
FAQ – Perguntas frequentes
Por que o projeto está sendo discutido agora?
O debate foi impulsionado por investigações que apontam fraudes bilionárias envolvendo descontos realizados sem autorização de segurados.
Quem apresentou o projeto?
O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) é o autor da proposta.
Os descontos associativos são legais?
Sim, mas estão amparados por uma lei que vem sendo usada para realizar cobranças abusivas. O PL propõe revogar esse dispositivo.
Considerações finais
A análise do Projeto de Lei 1846/2025 pela Câmara dos Deputados ocorre em um momento decisivo para a proteção dos direitos dos aposentados e pensionistas do INSS. Diante de um escândalo que pode ter causado prejuízos bilionários a milhões de brasileiros, a proposta surge como resposta concreta a um problema sistêmico de fraudes e abusos relacionados aos descontos associativos.




