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Empresa ligada a Careca do INSS movimentou 5x mais que a renda, aponta Coaf

Relatório do Coaf revela que Prospect Consultoria, do careca do INSS, movimentou 5 vezes mais que o esperado durante fraudes.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
INSS

Um relatório sigiloso do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou movimentações atípicas na empresa Prospect Consultoria Empresarial, pertencente a Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como o Careca do INSS. O documento foi encaminhado à CPMI do INSS, que investiga fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas em todo o país.

A movimentação financeira entre março e maio de 2023, período que coincide com o auge das fraudes no INSS reveladas pela operação Sem Desconto, ultrapassou os limites esperados para uma empresa do porte da Prospect. A empresa movimentou cerca de R$ 1,5 milhão por mês, cinco vezes mais do que a capacidade financeira esperada de R$ 309 mil.

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Imagem: Criada por IA/Edição: Seu Crédito Digital

Números que não batem com a realidade declarada

Segundo o relatório, a média da movimentação foi baseada em R$ 4,5 milhões em créditos e R$ 4,6 milhões em débitos no período analisado. Isso resultou numa média mensal de movimentação que extrapola em 5,06 vezes a capacidade financeira estimada da empresa.

O Coaf apontou que a movimentação era “elevada e incompatível” com a estrutura da Prospect e ocorria sem justificativas claras. As principais operações envolviam transferências originadas de empresas com supostos vínculos comerciais com a Prospect e o próprio sócio-gerente, além de repasses para diversas pessoas físicas e jurídicas.

Quem é o Careca do INSS

De executivo de marketing a investigado federal

Antonio Carlos Camilo Antunes, antes um nome conhecido no setor de marketing de planos de saúde, é hoje apontado como o principal operador de um esquema de fraudes dentro do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a Polícia Federal, ele utilizava sua empresa como intermediária financeira entre entidades associativas e servidores do INSS. Por meio dessas operações, valores indevidos eram repassados sob a justificativa de mensalidades associativas que nunca foram autorizadas pelos beneficiários.

Dados de beneficiários usados indevidamente

O relatório da Operação Sem Desconto indica que Antunes teria tido acesso a dados sigilosos de beneficiários do INSS e os repassava a entidades associativas envolvidas em fraudes, que, por sua vez, promoviam filiações compulsórias e cobranças indevidas diretamente na folha de pagamento dos aposentados e pensionistas.

Prisão e novas fases da investigação

A operação Cambota e a prisão preventiva

Antonio Carlos está preso desde 12 de setembro de 2025, após a deflagração da operação Cambota, considerada um desdobramento da Sem Desconto. A investigação se aprofunda na dilapidação de patrimônio, ocultação de bens e tentativa de obstrução de Justiça.

Um dos pontos levantados pela PF é o vazamento de informações confidenciais sobre as investigações, que teriam possibilitado a Antunes e outros investigados se anteciparem às ações policiais.

Envolvimento de autoridades do INSS

Pagamentos a ex-diretores e procuradores

Documentos obtidos pela CPMI indicam que o “Careca do INSS” fez pagamentos suspeitos a empresas e familiares de pelo menos três autoridades do INSS. Um dos nomes citados é o ex-diretor de Benefícios da autarquia, que teria recebido R$ 1,4 milhão diretamente de Antunes.

Já o procurador-geral afastado do INSS aparece como receptor de R$ 7,5 milhões, valores repassados supostamente como pagamento por facilitar o acesso aos dados dos segurados.

Outro ex-diretor, Alexandre Guimarães, responsável pela área de governança do INSS, também teria recebido quantias indevidas, segundo a investigação.

Esquema de empresas e associações

INSS
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A teia empresarial de Antunes

Segundo a PF, Antunes está à frente de uma “miríade de empresas”, com a Prospect sendo apenas uma das envolvidas nas movimentações suspeitas. Essas empresas atuariam como pontes para viabilizar os repasses entre entidades associativas e servidores públicos.

As entidades citadas no fluxograma da PF incluem:

  • Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec)
  • Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA)
  • Associação de Suporte Assistencial e Beneficente para Aposentados, Servidores e Pensionistas do Brasil (Asabasp)
  • Associação no Brasil de Aposentados e Pensionistas da Previdência Social
  • Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap)
  • União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos (Unaspub)

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Essas entidades seriam as fontes dos valores depositados nas contas da Prospect, que repassava parte dos montantes a agentes do INSS.

Embate na CPMI do INSS

Depoimento tenso e recusa de responder

Antonio Carlos Camilo Antunes foi convocado para prestar depoimento à CPMI do INSS no dia 25 de setembro de 2025. O depoimento foi tenso. Mesmo amparado por um habeas corpus do STF, ele optou por não responder à maioria das perguntas, especialmente as do relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que o chamou reiteradas vezes de “senhor Careca do INSS”.

Em sua fala inicial, Antunes alegou ser apenas um “empresário próspero” e negou qualquer envolvimento com as fraudes, embora os dados apresentados pela PF, Coaf e a própria CPMI contradigam suas declarações.

Silêncio da defesa e próximos passos da CPMI

Defesa não se manifesta

A defesa de Antonio Carlos foi procurada para comentar as movimentações apontadas pelo Coaf, mas não houve manifestação até o fechamento desta reportagem.

Enquanto isso, a CPMI segue requisitando novos dados ao Banco Central, Receita Federal e INSS para aprofundar as investigações sobre a origem dos recursos movimentados e o destino final do dinheiro desviado de aposentados e pensionistas.

Repercussões e impactos no INSS

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Imagem: Freepik e Canva

Risco institucional e medidas de controle

O escândalo envolvendo o “Careca do INSS” não é apenas um caso isolado de corrupção, mas aponta para fragilidades graves nos sistemas de controle e proteção de dados do INSS. A utilização indevida de informações sigilosas expôs milhões de aposentados a descontos não autorizados, comprometendo sua renda mensal.

O Ministério da Previdência já anunciou que deve rever os mecanismos de autorização de descontos, exigindo autenticação digital ou biométrica para novas filiações a entidades.

Imagem: Reprodução

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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