O empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, compareceu nesta quinta-feira (25) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instaurada para investigar um dos maiores esquemas de fraudes já registrados na Previdência Social.
Careca do INSS nega participação em fraudes
Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, ficou em silêncio em depoimento à CPMI sobre fraudes em aposentadorias, negando participação no esquema.
Apontado pela Polícia Federal (PF) como articulador de um sistema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões, Antunes optou por ficar em silêncio diante das perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), alegando parcialidade e falta de imparcialidade por parte do parlamentar.
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O depoimento do “Careca do INSS”

Alegação de perseguição
Antunes iniciou sua participação com um pronunciamento breve, no qual afirmou ser vítima de “mentira, inveja e calúnia”. Segundo ele, as denúncias surgiram após um conflito comercial com um ex-sócio, que teria tentado extorqui-lo sem sucesso.
Apesar de admitir que uma de suas empresas prestou serviços a entidades envolvidas nos descontos irregulares, negou ter participação direta no esquema de corrupção investigado pela PF.
Recusa em responder
Ao longo de 50 minutos, foram feitas mais de 150 perguntas pelo relator Alfredo Gaspar. O empresário manteve-se em silêncio, amparado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o autorizou a não produzir provas contra si.
Entre as questões levantadas estavam:
- O relacionamento com diretores do INSS, comprovado por fotografias.
- O suposto uso de propinas para presentear servidores do órgão.
- O crescimento exponencial de seu patrimônio pessoal.
Gaspar não poupou críticas, chamando Antunes de “arrogante e prepotente” e o acusando de liderar o “maior roubo aos aposentados e pensionistas da história do Brasil”.
O papel de Antunes no esquema segundo a PF
O facilitador das fraudes
Relatórios da Polícia Federal indicam que Antunes atuava como um intermediário entre entidades sindicais e servidores corruptos do INSS, negociando a autorização de descontos automáticos em benefícios sob a justificativa de mensalidades associativas.
Essas mensalidades, contudo, eram cobradas sem qualquer prestação de serviços real, onerando milhares de aposentados e pensionistas em todo o país.
Movimentação financeira suspeita
A investigação aponta que Antunes movimentou R$ 53 milhões em recursos provenientes de sindicatos e empresas ligadas ao esquema. Esse montante é considerado incompatível com a renda oficial declarada, de R$ 24 mil mensais.
Somente em 129 dias de apuração, a PF identificou movimentações de R$ 12,2 milhões em contas vinculadas ao empresário.
Repasses imediatos
Os relatórios revelam que Antunes mantinha saldos baixos nas contas, realizando repasses no mesmo dia em que recebia os valores, estratégia interpretada como tentativa de dificultar o rastreamento financeiro.
Presentes e subornos a servidores do INSS
O caso do Porsche
Entre os exemplos de supostos subornos, a PF destacou a compra de um Porsche de R$ 500 mil que teria sido transferido para a esposa de um procurador do INSS. O veículo é citado como símbolo da troca de favores que garantia a continuidade dos descontos fraudulentos.
Distribuição de “brindes”
O relator Alfredo Gaspar também acusou Antunes de ter distribuído “brindes milionários” a dirigentes do INSS, embora o lobista tenha preferido não responder às acusações.
A trajetória da CPMI do INSS
Origem da comissão
A CPMI foi instalada após denúncias de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões, revelados por auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) e operações da Polícia Federal.
O objetivo da comissão é apurar responsabilidades, identificar beneficiários do esquema e propor medidas legislativas para impedir novas fraudes.
Conflito político
O depoimento de Antunes ganhou tom político. O relator acusou o empresário de ser um “arquivo vivo”, insinuando que sua presença ameaça interesses de pessoas de dentro e fora do INSS.
Parlamentares da oposição, por outro lado, criticaram a condução do interrogatório, afirmando que o relator estaria mais preocupado em criar uma narrativa acusatória do que em ouvir efetivamente o depoente.
Prisão e habeas corpus
Detenção preventiva
Antunes está preso preventivamente desde 12 de setembro de 2025, acusado de liderar o esquema que desviou milhões de reais da Previdência.
Decisão do STF
O ministro André Mendonça, do STF, concedeu habeas corpus que garantiu a Antunes o direito de não responder perguntas durante a CPMI. A decisão segue o princípio constitucional que impede a autoincriminação.
O impacto das fraudes nos beneficiários do INSS
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Aposentados prejudicados
Os descontos indevidos recaíam diretamente sobre os benefícios de aposentados e pensionistas, que muitas vezes percebiam valores reduzidos sem explicação.
Dificuldade de contestação
Muitos segurados não conseguiam cancelar as cobranças por falta de transparência e pela burocracia do sistema, o que aumentava a indignação com o esquema.
Perdas acumuladas
Embora os valores individuais descontados fossem pequenos, a dimensão nacional da fraude levou a prejuízos bilionários, reforçando a gravidade do caso.
Repercussão política e social
Oposição e aliados
O silêncio de Antunes alimentou debates na comissão. Enquanto governistas reforçaram as acusações de corrupção sistêmica, opositores apontaram que o depoimento se transformou em um espetáculo midiático, sem avanços concretos na investigação.
Pressão por responsabilização
Organizações de aposentados e sindicatos independentes exigem que a CPMI indique nomes de servidores envolvidos e pressione o Ministério Público para acelerar denúncias formais.
Perspectivas da investigação

Próximos passos
A CPMI deve ouvir novos depoimentos de dirigentes sindicais e servidores do INSS citados nos relatórios da PF. Além disso, quebra de sigilos bancários e fiscais de empresas ligadas a Antunes já está em análise.
Possíveis desdobramentos
Caso as provas sejam confirmadas, Antunes poderá responder por crimes como:
- Organização criminosa.
- Corrupção ativa e passiva.
- Lavagem de dinheiro.
- Estelionato contra a Previdência.
Considerações finais
O depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, marcou mais um capítulo da CPMI que investiga o maior escândalo de fraudes na Previdência Social. Embora tenha se recusado a responder às perguntas, amparado por decisão do STF, os indícios apresentados pela Polícia Federal reforçam o peso das acusações.
Com movimentações financeiras incompatíveis, suspeita de subornos milionários e um esquema que afetou milhares de aposentados, Antunes se mantém como figura central de uma investigação que pode redefinir os mecanismos de controle do INSS.
Para a sociedade, o caso reforça a necessidade de transparência, fiscalização e responsabilização em um setor vital para milhões de brasileiros.
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