Os preços da carne bovina nos Estados Unidos estão em alta e podem alcançar novos recordes nos próximos meses, após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Carne é novo ovo: tarifas sobre Brasil elevam preços e geram temor de falta nos EUA
Tarifas sobre carne brasileira elevam preços nos EUA; consumidores enfrentam risco de escassez e alta histórica.
A medida, anunciada pelo governo Trump em agosto, adicionou uma tarifa extra de 40% sobre a carne brasileira, afetando diretamente o abastecimento doméstico e pressionando os consumidores americanos.
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A carne substitui os ovos como símbolo da inflação alimentar

No inverno passado, os ovos chamaram atenção como o produto mais impactado pela inflação nos EUA, após um surto de gripe aviária que reduziu a oferta e elevou os preços. Agora, a carne bovina parece assumir esse papel, diante de aumentos consecutivos de preço e temores de escassez.
Darin Parker, presidente da PMI Foods, alertou que a situação pode se tornar “o problema dos ovos da administração Biden”, fazendo referência aos aumentos extremos observados no setor de alimentos durante a gestão anterior.
Queda no fornecimento interno de gado
O aumento dos preços é impulsionado por um baixo fornecimento de gado nos EUA, o maior produtor mundial de carne bovina. Frigoríficos como Tyson Foods e JBS processaram quase 9% menos vacas em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo níveis não vistos desde 2016.
A situação se agrava devido à proibição recente de compras de animais do México, motivada por questões sanitárias, e à redução histórica do rebanho americano, aumentando a pressão sobre a oferta doméstica.
Impacto das tarifas sobre a carne brasileira
Até agora, o impacto sobre os consumidores americanos foi amenizado pelo aumento das importações brasileiras, que quase dobraram até julho deste ano. A carne magra do Brasil é combinada com cortes mais gordurosos dos EUA para produção de carne moída e hambúrgueres.
No entanto, a imposição de uma tarifa total de 76,4% sobre os produtos brasileiros praticamente excluiu o país do fornecimento de aparas para os EUA. Parker destaca:
“O Brasil está meio fora do jogo para fornecimento de aparas neste estágio, porque ninguém realmente consegue arcar com essa tarifa.”
A medida gera um deslocamento no mercado, com aumento do poder de negociação de outros fornecedores internacionais.
Alternativas internacionais para os EUA
Com a diminuição das importações brasileiras, países como Austrália, Uruguai e Argentina devem aumentar seus embarques para os EUA, embora enfrentem tarifas variáveis.
- Austrália: Produção projetada para recorde em 2025, com tarifa básica de apenas 10%. Até agosto, os embarques aumentaram 22%.
- Uruguai e Argentina: Sujeitos a tarifa de 36,4% para volumes acima da cota livre de impostos.
- México: Planeja importar mais carne do Brasil para exportar aos EUA.
Apesar das medidas, especialistas afirmam que não há volume suficiente para atender à demanda americana, pressionando ainda mais os preços no varejo.
Consequências para os consumidores americanos
Com a restrição do fornecimento brasileiro e a oferta limitada doméstica, os preços da carne devem continuar subindo, afetando diretamente o bolso do consumidor. O cenário aponta para:
- Aumento do custo da carne moída e hambúrgueres;
- Risco de escassez em supermercados;
- Maior dependência de fornecedores alternativos;
- Pressão inflacionária no setor de alimentos.
Darin Parker ressalta:
“A única pessoa que realmente sai prejudicada em tudo isso é o consumidor americano.”
Comparação com a inflação dos ovos
A situação atual lembra o caso dos ovos no inverno anterior, quando surtos sanitários elevaram os preços e causaram prateleiras vazias. A diferença é que, agora, a alta nos preços da carne bovina é impulsionada principalmente por fatores comerciais e tarifas, além de oferta limitada.
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Essa dinâmica evidencia a sensibilidade do mercado americano a importações e políticas externas, com o Brasil sendo historicamente o maior fornecedor de carne bovina.
Perspectivas de mercado e negociações futuras
Analistas de comércio internacional indicam que a situação pode se estabilizar parcialmente à medida que outros fornecedores aumentem a produção e os embarques. No entanto, as tarifas brasileiras representam um obstáculo significativo que deve persistir nos próximos meses.
O mercado deve observar:
- Ajustes nos contratos de fornecimento com Austrália, Uruguai e Argentina;
- Possíveis negociações diplomáticas para reduzir tarifas e evitar impacto prolongado nos consumidores;
- Efeitos sobre a inflação alimentar e a política econômica dos EUA.
Impacto no setor de fast food e alimentos processados

A escassez de carne e os preços mais altos podem afetar a indústria de fast food e alimentos processados, que depende de carne bovina barata para hambúrgueres, carne moída e produtos industrializados.
- Aumento nos custos de produção;
- Possível repasse de preços aos consumidores;
- Ajustes em cardápios e ofertas promocionais;
- Necessidade de diversificação de fornecedores e produtos alternativos.
O cenário atual nos Estados Unidos reforça a importância do comércio internacional e das políticas tarifárias sobre preços de alimentos essenciais. A carne bovina, que agora é considerada o “novo ovo”, evidencia como decisões comerciais e restrições externas podem impactar diretamente o consumidor final.
Especialistas alertam que, a menos que haja ajustes estratégicos ou negociações que permitam reestabelecer o fornecimento brasileiro, os preços da carne devem continuar subindo, aumentando a pressão sobre a inflação alimentar no país.
Para os consumidores americanos, o desafio será adaptar hábitos de consumo e lidar com a volatilidade do mercado até que a oferta global se estabilize.
Com informações de: InfoMoney
