Apesar da cautela que vem dominando parte do mercado diante de um cenário macroeconômico mais incerto, o Banco Safra manteve o Banco do Brasil (BBAS3) em sua carteira recomendada de dividendos para o mês de junho de 2025. Segundo relatório divulgado pela instituição, a decisão é embasada na sólida estrutura de funding da estatal, no bom desempenho operacional e na expectativa de manutenção de dividendos robustos.
Dividendos do Banco do Brasil: vale a pena investir em BBAS3? Safra responde
Safra mantém Banco do Brasil na carteira de dividendos, com projeção de ROE acima de 20% e yield de 11,3% em 2025.
O Safra vê potencial para que o Banco do Brasil mantenha um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) acima de 20% mesmo em meio a desafios como o impacto da inadimplência no setor do agronegócio. A projeção é otimista frente às avaliações mais conservadoras de outras instituições, que veem riscos no cenário de crédito rural.
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Justificativa do Safra para manter BBAS3 na carteira
Estrutura de funding resiliente
De acordo com o Safra, o Banco do Brasil se beneficia de uma base de depósitos ampla e estável, o que sustenta sua margem financeira mesmo em ambientes de juros elevados. O banco estatal é conhecido por captar recursos a custos competitivos, o que lhe permite operar com spreads confortáveis.
Essa característica é vista como essencial em um momento em que o ciclo de política monetária aponta para uma desaceleração na economia, aumento da inadimplência e maior seletividade na concessão de crédito.
Ciclo de juros favorece o banco
Embora os juros altos tendam a esfriar a atividade econômica, eles também aumentam o retorno das aplicações feitas com os depósitos captados pelo banco. No caso do Banco do Brasil, o Safra acredita que isso resultará em margens de depósito mais elevadas ao longo do ano, beneficiando o lucro líquido e, por consequência, a distribuição de proventos.
ROE projetado acima de 20%
O Safra é direto ao afirmar que espera que o ROE do Banco do Brasil se mantenha superior a 20% em 2025, mesmo com as pressões pontuais de inadimplência no agro. O resultado é visto como um sinal claro de eficiência operacional e boa gestão de riscos, especialmente para um banco de controle estatal.
Essa projeção de rentabilidade sólida reforça a convicção do banco de que a companhia seguirá como uma das principais pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.
Dividendos consistentes
“Esperamos que o banco mantenha o bom fluxo de pagamento de dividendos”, diz o relatório do Safra. Para 2025, o dividend yield projetado para BBAS3 é de 11,3%, o que a coloca entre as maiores pagadoras do mercado, atrás apenas de gigantes como Petrobras (PETR4), com estimativa de 16,9%.
O Safra estabeleceu um preço-alvo de R$ 30 para as ações do Banco do Brasil, o que representa um potencial de valorização de 28% em relação às cotações atuais.
Desempenho da carteira de dividendos do Safra
A carteira de dividendos do Banco Safra para junho de 2025 manteve todos os ativos do mês anterior, sem alterações. No acumulado do período recente, a carteira registrou valorização de 3,02%, superando tanto o Índice de Dividendos da B3 (IDIV), que avançou 1,31%, quanto o Ibovespa, com alta de 1,45%.
Esse desempenho superior reforça a estratégia do banco de focar em papéis com forte geração de caixa e histórico consistente de distribuição de lucros aos acionistas.
Composição da carteira de dividendos para junho de 2025

Veja a seguir os ativos selecionados pelo Safra e seus respectivos dividend yields projetados para 2025:
| Companhia | Código | Dividend Yield Estimado 2025 (%) |
|---|---|---|
| Petrobras | PETR4 | 16,9 |
| Banco do Brasil | BBAS3 | 11,3 |
| Vale | VALE3 | 10,2 |
| TIM | TIMS3 | 8,7 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 7,8 |
| CPFL | CPFE3 | 5,3 |
| Copasa | CSMG3 | 4,0 |
| Porto | PSSA3 | 3,7 |
| Copel | CPLE6 | 2,6 |
| JBS | JBSS3 | 2,0 |
Destaques da carteira
- Petrobras (PETR4) segue como líder em dividendos projetados, com 16,9%, beneficiada pela forte geração de caixa e política de distribuição agressiva.
- Vale (VALE3) mantém posição relevante, com yield estimado em 10,2%, apoiado na demanda internacional por minério de ferro.
- TIM (TIMS3) também chama atenção com 8,7%, fruto do crescimento do setor de telecom e da política de retorno ao acionista.
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O papel dos dividendos em tempos de incerteza
Investir em ações com bom histórico de pagamento de dividendos tem sido uma das estratégias favoritas de investidores em tempos de incerteza econômica. Isso porque essas empresas tendem a apresentar maior resiliência, uma vez que costumam ser lucrativas, ter baixa alavancagem e boa geração de caixa.
Além disso, os dividendos funcionam como uma forma de remuneração recorrente para o investidor, independentemente da variação do preço das ações no curto prazo. Em um cenário de inflação elevada e juros ainda altos, eles ajudam a preservar o poder de compra do capital investido.
O que esperar para BBAS3 nos próximos meses?

Potencial de valorização
Com um preço-alvo de R$ 30 estabelecido pelo Safra e cotação atual na casa dos R$ 23, o Banco do Brasil apresenta potencial de valorização de 28%. Isso sem contar o retorno adicional proporcionado pelos dividendos ao longo do ano.
Estabilidade institucional
Mesmo com seu controle estatal, o Banco do Brasil tem demonstrado forte governança e foco em resultados. A gestão atual mantém o compromisso com a lucratividade e a remuneração dos acionistas, o que fortalece a percepção positiva entre os analistas.
Exposição ao agro sob controle
Embora o setor agropecuário esteja sob pressão, principalmente por questões climáticas e comerciais, o BB tem uma atuação ampla e diversificada, o que mitiga os riscos. A atuação no crédito agrícola é relevante, mas o banco também está presente em outros segmentos, como varejo, crédito consignado e financiamento imobiliário.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
