Aprender a usar um celular pode parecer uma tarefa simples para quem cresceu cercado por tecnologia. Para muitas pessoas idosas, porém, funções como fazer um Pix, instalar um aplicativo, alterar uma configuração ou identificar uma mensagem suspeita podem gerar insegurança.
Foi justamente para ajudar nesse processo que Maria Helena e Tarcísio Cabral, ambos com 70 anos, criaram o perfil 60demais, no Instagram. Moradores de Belo Horizonte (MG), os dois transformaram as próprias experiências com tecnologia em conteúdo voltado especialmente para pessoas mais velhas.
A proposta vai além de ensinar onde apertar na tela. O casal procura mostrar como o celular pode aumentar a autonomia dos idosos e, ao mesmo tempo, como utilizar os recursos digitais com mais cuidado para evitar golpes.
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Quem são Maria Helena e Tarcísio Cabral

Maria Helena e Tarcísio são casados há mais de quatro décadas e decidiram compartilhar conhecimento depois de enfrentarem, eles próprios, as dificuldades de aprender a lidar com novas tecnologias.
Sem filhos para recorrer quando surgiam dúvidas, os dois precisaram buscar respostas por conta própria. O aprendizado envolveu cursos e muita prática até que o casal desenvolvesse familiaridade com os recursos disponíveis nos smartphones.
A experiência acabou mostrando que outras pessoas poderiam estar passando pelas mesmas dificuldades.
Foi dessa percepção que surgiu o 60demais, projeto criado para explicar tecnologia de maneira simples e próxima da realidade de quem não cresceu utilizando smartphones, aplicativos e serviços digitais.
O que o casal ensina aos idosos
Os conteúdos publicados por Maria Helena e Tarcísio tratam de situações que fazem parte da rotina de qualquer usuário de celular.
Entre os assuntos abordados estão:
- configuração de funções do aparelho;
- instalação e utilização de aplicativos;
- envio e recebimento de mensagens;
- realização de Pix;
- recursos disponíveis nos smartphones;
- identificação de possíveis golpes;
- cuidados durante o uso de serviços digitais.
A escolha dos temas é importante porque muitas dificuldades não estão necessariamente relacionadas ao aparelho em si. Em vários casos, o problema está na falta de confiança para realizar uma determinada operação.
Um idoso que tem receio de fazer um Pix, por exemplo, pode deixar de utilizar uma ferramenta que facilita pagamentos e transferências. Da mesma forma, quem não sabe identificar uma mensagem falsa pode ficar mais vulnerável a criminosos.
Por que aprender a usar o celular aumenta a autonomia
O celular deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação. Hoje, o aparelho também pode ser usado para acessar serviços bancários, marcar consultas, pedir transporte, conversar com familiares, acompanhar notícias e resolver diversas tarefas sem sair de casa.
Para os idosos, dominar essas funções pode representar uma mudança significativa na rotina.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que antes precisava pedir ajuda para consultar o saldo bancário. Depois de aprender a utilizar o aplicativo do banco, ela pode realizar a consulta sozinha.
O mesmo acontece com operações simples, como enviar uma mensagem, compartilhar uma fotografia ou realizar um pagamento.
Nesse sentido, ensinar tecnologia para a terceira idade não significa apenas explicar o funcionamento de um aparelho. É também uma forma de ampliar a independência no cotidiano.
Tecnologia também exige atenção contra golpes
A autonomia digital precisa vir acompanhada de informação sobre segurança.
Golpes aplicados por mensagens, ligações, aplicativos e redes sociais podem atingir qualquer pessoa, mas a falta de familiaridade com determinados recursos pode dificultar a identificação de sinais de fraude.
Por isso, conteúdos que ensinam idosos a reconhecer situações suspeitas têm uma função que vai além da tecnologia.
Entre os cuidados mais importantes estão:
- não clicar imediatamente em links recebidos por mensagens inesperadas;
- desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro;
- nunca compartilhar senhas ou códigos de autenticação;
- confirmar a identidade de quem solicita uma transferência;
- evitar instalar aplicativos indicados por desconhecidos;
- procurar os canais oficiais de bancos e empresas em caso de dúvida.
Um dos principais ensinamentos é justamente evitar a pressa. Quando uma mensagem tenta provocar medo ou urgência, interromper a ação e verificar a informação pode impedir um prejuízo.
O crescimento do uso de smartphones entre idosos
A história do casal acompanha uma transformação mais ampla na relação da população idosa com a tecnologia.
Dados citados na reportagem original, com base em levantamento da American Association of Retired Persons (AARP), mostram que a presença de smartphones entre idosos aumentou de 55% em 2016 para 90% em 2025.
O crescimento indica que o celular está cada vez mais presente nessa faixa etária. Porém, possuir um smartphone não significa necessariamente saber utilizar todos os seus recursos.
Essa diferença entre acesso e domínio da tecnologia ajuda a explicar a importância de iniciativas como a criada por Maria Helena e Tarcísio.
Um aparelho pode ter dezenas de funções, mas o usuário só consegue aproveitar seus benefícios quando entende como elas funcionam.
O diferencial está na linguagem simples
Um dos motivos apontados para a popularidade do 60demais é a maneira como o casal apresenta os conteúdos.
Em vez de partir de explicações técnicas, Maria Helena e Tarcísio utilizam situações comuns do cotidiano. A ideia é mostrar o caminho passo a passo, respeitando o ritmo de quem está aprendendo.
Esse tipo de abordagem também reduz uma barreira bastante comum: o medo de cometer um erro.
Para quem tem pouca experiência com smartphones, uma mensagem como “clique aqui” pode não ser suficiente. É preciso explicar o que aparecerá na tela, por que determinada opção deve ser escolhida e o que fazer caso o resultado seja diferente do esperado.
Perfil reúne centenas de milhares de seguidores
O projeto ganhou grande alcance nas redes sociais. Segundo as informações apresentadas na reportagem, o perfil 60demais já reunia cerca de 721 mil seguidores no Instagram.
A repercussão também aparece nos comentários das publicações. Usuários relatam compartilhar os vídeos com pais, mães, avós e outros familiares que precisam de ajuda para lidar com ferramentas digitais.
Esse comportamento mostra que o conteúdo não alcança somente os idosos. Filhos e netos também encontram nos vídeos uma maneira de auxiliar familiares que têm dificuldades com tecnologia.
Por que esse tipo de conteúdo é importante no Brasil
A digitalização de serviços mudou a maneira como os brasileiros resolvem tarefas do cotidiano. Bancos, órgãos públicos, empresas e serviços de atendimento passaram a oferecer cada vez mais alternativas digitais.
Isso traz praticidade, mas também cria uma nova necessidade: saber utilizar essas ferramentas.
Para um idoso que domina o smartphone, a digitalização pode significar mais independência. Para quem não consegue acompanhar as mudanças, entretanto, ela pode criar uma nova barreira.
É nesse ponto que iniciativas de educação digital ganham importância.
Ensinar alguém a utilizar um aplicativo não significa simplesmente mostrar uma sequência de comandos. É necessário também explicar os riscos, estimular a conferência das informações e mostrar que pedir ajuda quando houver dúvida não é um problema.
Como familiares podem ajudar idosos a aprender tecnologia
A experiência de Maria Helena e Tarcísio também oferece uma lição para familiares que querem ajudar pais ou avós.
O primeiro passo é evitar transformar o aprendizado em uma cobrança. Cada pessoa tem um ritmo diferente e pode precisar repetir determinadas tarefas várias vezes.
Uma boa estratégia é começar pelas funções realmente utilizadas no dia a dia.
Comece pelo que é útil
Em vez de apresentar dezenas de recursos de uma vez, familiares podem ensinar inicialmente tarefas como:
- atender e realizar chamadas;
- enviar mensagens;
- fazer chamadas de vídeo;
- utilizar o aplicativo do banco;
- realizar pagamentos;
- acessar serviços importantes;
- identificar mensagens suspeitas.
Depois que essas funções estiverem dominadas, novos recursos podem ser apresentados.
Evite fazer tudo pelo idoso
Existe uma diferença importante entre ajudar e substituir.
Quando um familiar pega o celular e realiza todas as tarefas sozinho, o idoso pode até resolver o problema naquele momento, mas não necessariamente aprende.
O ideal é explicar e deixar a própria pessoa executar a operação. Se houver erro, o processo pode ser repetido.
Essa prática ajuda a construir confiança.
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+311 mil seguidores
Ensine segurança junto com cada função
Se o aprendizado envolve Pix, por exemplo, também é importante explicar como conferir o destinatário antes de confirmar uma transferência.
Se envolve mensagens, vale mostrar como identificar links suspeitos.
Dessa forma, segurança digital deixa de ser uma aula separada e passa a fazer parte do uso cotidiano.
O casal mostra que não existe idade para aprender
A trajetória de Maria Helena e Tarcísio quebra uma ideia comum de que tecnologia seria exclusivamente para os mais jovens.
Aos 70 anos, os dois não apenas aprenderam a utilizar ferramentas digitais como transformaram esse conhecimento em uma atividade de orientação para outras pessoas.
O sucesso do 60demais também mostra que existe demanda por explicações que não tratem o idoso como alguém incapaz de aprender. O que muitas vezes falta não é capacidade, mas uma explicação adequada, tempo para praticar e segurança para experimentar.
Em uma sociedade cada vez mais digital, esse aprendizado tende a ganhar ainda mais importância.
O que idosos devem fazer diante de uma dúvida no celular
Uma das atitudes mais importantes é não agir por impulso.
Se aparecer uma mensagem inesperada, uma cobrança desconhecida ou um pedido urgente de transferência, o melhor caminho é interromper a operação e verificar a informação por um canal confiável.
Também é recomendável manter o sistema operacional e os aplicativos atualizados e utilizar senhas fortes, além dos mecanismos de autenticação oferecidos pelos serviços.
Quando houver dúvida sobre uma operação bancária, por exemplo, o usuário deve procurar diretamente o aplicativo ou site oficial da instituição, em vez de utilizar um telefone ou link recebido por mensagem.
A regra é simples: quanto maior a pressão para agir imediatamente, maior deve ser o cuidado antes de clicar ou transferir dinheiro.
Conclusão
Maria Helena e Tarcísio Cabral encontraram uma maneira de transformar uma dificuldade que enfrentaram no passado em uma ferramenta de ajuda para milhares de outras pessoas.
A história do casal de 70 anos que ensina idosos a usar celular mostra que a inclusão digital não depende apenas de colocar um smartphone nas mãos de alguém. É preciso ensinar como utilizar os recursos, estimular a autonomia e, principalmente, mostrar como reconhecer situações de risco.
Para quem está começando, o caminho pode ser gradual. Aprender uma função de cada vez, praticar e perguntar sempre que surgir uma dúvida são atitudes que tornam a experiência mais segura.
E, como demonstra o trabalho do casal, idade não precisa ser uma barreira para aprender tecnologia.
Perguntas frequentes

Quem é o casal de 70 anos que ensina idosos a usar celular?
Maria Helena e Tarcísio Cabral são um casal de Belo Horizonte (MG) que criou o perfil 60demais para ensinar tecnologia a pessoas idosas.
O que é o 60demais?
É um projeto de conteúdo digital voltado principalmente para idosos que querem aprender a utilizar melhor o celular e outros recursos tecnológicos.
O casal ensina a fazer Pix?
Sim. Entre os assuntos abordados pelo perfil estão operações do cotidiano, incluindo orientações relacionadas ao uso do Pix.
O casal também fala sobre golpes?
Sim. A prevenção contra golpes virtuais é um dos temas tratados nos conteúdos publicados pelo casal.
Quantos seguidores o 60demais tem?
Segundo os dados apresentados na reportagem de origem, o perfil reunia aproximadamente 721 mil seguidores no Instagram.
Por que idosos precisam de orientação sobre tecnologia?
Porque o aumento do acesso aos smartphones não significa que todos os usuários dominem suas funções. Orientações práticas podem facilitar o uso e aumentar a segurança digital.



