Idosos atendidos pela Santa Casa de Misericórdia de Vitória, no Espírito Santo, que enfrentam dificuldades para se deslocar até o hospital podem ter acesso a transporte gratuito por aplicativo para consultas e outros atendimentos presenciais.
A iniciativa faz parte de uma parceria entre a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e a Uber. O projeto combina telemedicina e transporte não emergencial para facilitar o acompanhamento de pacientes idosos com mobilidade reduzida ou que permanecem restritos ao lar.
O benefício, porém, não é liberado automaticamente para todos os idosos. A necessidade é analisada pela equipe responsável pelo atendimento. Quando uma consulta pode ser realizada remotamente, a telemedicina pode evitar o deslocamento. Se a presença no hospital for necessária, o transporte pode ser disponibilizado.
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Como funciona o transporte gratuito para idosos

O projeto utiliza o Uber Health, solução da empresa criada para permitir que instituições de saúde agendem, gerenciem e paguem viagens de pacientes e profissionais em deslocamentos médicos não emergenciais. A ferramenta está disponível no Brasil desde 2024.
Na Santa Casa de Vitória, a iniciativa é voltada principalmente para idosos que apresentam dificuldades para chegar ao hospital. O objetivo é facilitar a continuidade do tratamento, especialmente depois da alta hospitalar.
Em vez de o paciente simplesmente solicitar uma corrida comum pelo aplicativo, o deslocamento é organizado dentro da estrutura do projeto pela instituição de saúde.
Isso significa que o idoso ou seu familiar deve primeiro verificar com a equipe da Santa Casa se o paciente está contemplado pela iniciativa.
Quem pode utilizar o transporte?
O projeto tem como foco idosos que enfrentam obstáculos para chegar ao atendimento médico.
Entre as situações consideradas estão:
- dificuldade de locomoção;
- pacientes idosos restritos ao lar;
- necessidade de acompanhamento médico após a alta;
- dificuldade para chegar presencialmente ao hospital;
- necessidade de apoio de familiares ou cuidadores para realizar o deslocamento.
A avaliação é individual. Portanto, ter 60 anos ou mais não garante, por si só, uma viagem gratuita.
Telemedicina pode evitar a ida ao hospital
O transporte é apenas uma das partes da iniciativa.
A proposta da parceria é integrar a mobilidade com a telemedicina. Dessa maneira, o paciente pode receber acompanhamento remoto quando o quadro clínico permitir.
Quando a avaliação presencial não for necessária, a consulta pode ser realizada à distância. Já nos casos em que o médico identificar a necessidade de examinar o paciente presencialmente, o transporte pode ser utilizado para facilitar a chegada à Santa Casa.
A estratégia é especialmente relevante para idosos com mobilidade reduzida, já que uma consulta pode exigir a presença de um acompanhante e uma logística que nem sempre a família consegue organizar.
Parceria entre Uber e CMB também envolve outros hospitais
A parceria foi anunciada em dezembro de 2025 e prevê US$ 100 mil em recursos financeiros e US$ 50 mil em créditos de viagens destinados a projetos de três instituições filantrópicas brasileiras.
Além da Santa Casa de Vitória, participam da iniciativa o Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, e a Fundação José Silveira, em Salvador.
Cada instituição recebeu apoio para um projeto específico relacionado à ampliação do acesso à saúde.
No caso da Santa Casa de Vitória, o foco é justamente o atendimento remoto de idosos com dificuldades de locomoção ou que permanecem em casa, além da possibilidade de facilitar o transporte de pacientes e equipes de saúde.
O projeto-piloto foi planejado para durar seis meses, período em que a CMB acompanha indicadores como o número de teleconsultas, viagens realizadas pelo Uber Health e atendimentos que deixaram de exigir deslocamento físico.
O idoso precisa ter o aplicativo da Uber?
Não necessariamente.
O Uber Health funciona de forma diferente de uma corrida comum. A instituição de saúde pode agendar e administrar o transporte do paciente pela plataforma.
Por isso, o idoso não precisa necessariamente utilizar o próprio aplicativo para solicitar a viagem.
A orientação é procurar a equipe responsável pelo atendimento na Santa Casa e confirmar se o paciente está incluído no projeto e como será feito o deslocamento.
O transporte gratuito vale para qualquer consulta?
Não.
A iniciativa não funciona como um benefício geral de transporte para todos os pacientes idosos da Santa Casa.
A equipe avalia a necessidade do deslocamento e determina se o atendimento deve ocorrer presencialmente ou por telemedicina. Quando a consulta presencial é considerada necessária e o paciente enfrenta dificuldades para chegar ao hospital, o transporte pode ser disponibilizado.
Essa avaliação é importante porque o objetivo do programa é reduzir barreiras de acesso à saúde, e não substituir o transporte convencional de todos os pacientes.
Como saber se o idoso tem direito?
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O paciente ou familiar que já é acompanhado pela Santa Casa deve procurar a equipe responsável pelo atendimento e perguntar sobre a participação no projeto.
Não é necessário simplesmente abrir o aplicativo da Uber e solicitar uma corrida esperando que ela seja gratuita.
O caminho correto é:
- confirmar se o paciente é acompanhado pela Santa Casa;
- informar à equipe sobre a dificuldade de deslocamento;
- verificar se o caso pode ser acompanhado por telemedicina;
- se o atendimento presencial for necessário, perguntar sobre a possibilidade de utilização do transporte pelo projeto.
A liberação depende da avaliação e da organização feita pela própria instituição.
Por que o transporte é importante para idosos?
Para uma pessoa idosa com mobilidade reduzida, chegar a uma consulta pode representar um obstáculo tão grande quanto o próprio atendimento.
Muitos pacientes precisam de um acompanhante, não conseguem utilizar transporte público com facilidade ou dependem de familiares que trabalham durante o horário da consulta.
Por isso, a combinação entre telemedicina e transporte pode ajudar a diminuir o risco de o paciente deixar de comparecer a uma avaliação médica por falta de condições para chegar ao hospital.
A proposta também permite que o deslocamento seja utilizado de maneira mais direcionada: quando a consulta puder ser realizada remotamente, o paciente não precisa viajar; quando a presença física for necessária, existe uma alternativa de transporte dentro do projeto.
O que muda para o paciente na prática?

Na prática, o projeto cria duas possibilidades de acompanhamento.
Se a consulta puder ser feita à distância, o idoso pode receber atendimento por telemedicina sem precisar sair de casa.
Se a avaliação presencial for necessária, a equipe pode disponibilizar o transporte pelo projeto para facilitar a chegada ao hospital.
A iniciativa, portanto, não significa que todas as consultas passarão a ser realizadas por aplicativo ou que todos os idosos terão direito a uma corrida gratuita.
O objetivo é identificar a melhor forma de manter o acompanhamento médico de cada paciente, levando em consideração suas condições de saúde e suas dificuldades de deslocamento.
Conclusão
Para concluir, a iniciativa busca facilitar o acesso de idosos ao atendimento médico, especialmente daqueles que enfrentam dificuldades para se deslocar até a Santa Casa de Vitória. A combinação entre telemedicina e transporte gratuito permite adaptar o acompanhamento às necessidades de cada paciente, mas a concessão do benefício depende de avaliação da equipe responsável.



