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190% do CDI parece sonho, mas pode virar pesadelo no Banco Master

CDBs do Banco Master oferecem alta rentabilidade, mas com riscos elevados. Descubra se vale a pena investir.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master têm gerado grande atenção no mercado financeiro devido às taxas extremamente altas que estão sendo oferecidas aos investidores. Na tarde de ontem, esses papéis com vencimento em janeiro de 2026 chegaram a oferecer 190% do CDI ao ano na plataforma da XP Investimentos. Essa taxa representa um retorno excepcional, mas, ao mesmo tempo, a alta rentabilidade traz consigo um elevado risco para os investidores.

Enquanto investidores que buscam alta rentabilidade em renda fixa podem ser atraídos por essas ofertas, a situação do Banco Master levanta sérias questões sobre a segurança e a viabilidade de receber os retornos prometidos. A instabilidade do banco e as decisões recentes do Banco Central sobre a venda do Master têm deixado os investidores cautelosos. Neste artigo, vamos explorar se realmente vale a pena investir nesses CDBs de alto risco e quais são as alternativas para quem busca rentabilidade sem abrir mão da segurança.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O que são os CDBs do Banco Master?

Os CDBs do Banco Master são títulos de crédito privado emitidos por essa instituição financeira, oferecendo aos investidores taxas de retorno mais altas que a média do mercado, especialmente quando comparados a outros produtos de renda fixa. Esses papéis atraem investidores que buscam uma rentabilidade maior do que a oferecida por poupança, CDBs tradicionais ou Tesouro Direto.

O CDB é uma forma de empréstimo que o investidor faz ao banco. Em troca, o banco paga uma taxa de juros ao investidor, que pode ser pré-fixada ou pós-fixada (geralmente atrelada ao CDI). No caso do Banco Master, a taxa de retorno tem sido significativamente mais alta que a média, como vimos com os 190% do CDI.

O mercado secundário e a volatilidade dos CDBs do Banco Master

Esses CDBs do Banco Master se destacam não só pelas altas taxas de juros, mas também pela volatilidade no mercado secundário. O mercado secundário é onde os investidores compram e vendem títulos já emitidos entre si, com a intermediação de corretoras. É nesse mercado que os CDBs do Banco Master têm visto variações drásticas nas taxas e, consequentemente, nos preços dos papéis.

Duas semanas atrás, as taxas dos CDBs do Banco Master haviam subido de 120% e 130% do CDI para 177% do CDI ao ano. Essa disparada na rentabilidade foi impulsionada por dificuldades de clientes da corretora em vender esses papéis no mercado secundário, levando a XP Investimentos a suspender temporariamente a liquidez desses títulos.

A recente disparada para 190% do CDI levanta uma série de questões sobre o risco envolvido. Investidores dispostos a comprar esses papéis no mercado secundário estão assumindo o risco de um ativo que pode ser difícil de vender ou recuperar o valor total do investimento, caso o banco enfrente dificuldades financeiras adicionais.

A relação entre altas taxas e risco elevado

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Imagem: Canva

Por que as taxas de CDBs do Banco Master estão tão altas? Segundo especialistas do mercado, as altas taxas oferecidas podem ser um reflexo da necessidade do banco de atrair investidores, especialmente diante de sua instabilidade financeira. O banco tem enfrentado dificuldades em atrair liquidez no mercado, o que resultou em um aumento nas taxas de CDBs de curto prazo.

Essas taxas elevadas podem parecer atraentes, mas também são um sinal claro de risco elevado. Rafael Schiozer, professor de finanças da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), afirmou que as taxas dispararam principalmente por causa da situação indefinida do Banco Master. Após o Banco Central negar a venda do banco ao BRB, muitos investidores estão desconfiados sobre o futuro da instituição.

A incerteza sobre a solidez financeira do Banco Master é o principal fator que explica o aumento de riscos associados a esses CDBs. Se o banco sofrer uma intervenção do Banco Central, como ocorreu com outros bancos no passado, a taxa prometida pode não ser paga aos credores, e o investidor pode perder a renda prometida.

A posição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Uma das formas de mitigar os riscos associados ao investimento em CDBs de alto risco como os do Banco Master é a proteção oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC garante que, em caso de falência ou liquidação do banco, os investidores serão reembolsados até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Isso significa que, para investimentos superiores a R$ 250 mil, o investidor pode ficar exposto a perdas significativas.

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Alex Nery, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), alerta que o investidor deve se atentar ao limite do FGC. Para ele, investir em CDBs do Banco Master pode ser uma estratégia válida, desde que o valor investido não ultrapasse o limite garantido pelo FGC. O risco de perda total do valor investido existe, principalmente, se o banco enfrentar dificuldades financeiras.

A alternativa de um possível comprador para o Banco Master

A melhor alternativa para os investidores seria, segundo especialistas, que o Banco Master fosse adquirido por outro banco maior, garantindo maior estabilidade e liquidez para os CDBs emitidos pela instituição. Se o banco fosse absorvido por uma instituição financeira maior, isso poderia aumentar a confiança do mercado e possibilitar que os investidores recebessem os rendimentos prometidos pelos CDBs, incluindo as taxas de 190% do CDI.

No entanto, essa possibilidade ainda está incerta. A negativa do Banco Central para a venda ao BRB gerou mais desconfiança em relação à continuidade da operação do Banco Master. Nesse cenário, os investidores devem estar cientes de que os riscos continuam elevados.

Vale a pena investir nos CDBs do Banco Master?

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Imagem: Canva / Edição: Seu Crédito Digital

A decisão de investir nos CDBs do Banco Master depende do perfil de risco do investidor e da quantidade de recursos que ele está disposto a arriscar. Para quem busca alta rentabilidade e está disposto a assumir o risco, esses papéis podem ser uma alternativa interessante. No entanto, como já mencionado, os riscos são elevados e não há garantias de que os investidores receberão os rendimentos prometidos, especialmente em caso de intervenção do Banco Central.

A recomendação para investidores mais conservadores é evitar investir grandes quantias nesses títulos, a menos que o valor total esteja abaixo do limite garantido pelo FGC.

Imagem: Freepik e Canva

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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