Qual é o cenário atual de endividamento no Brasil? Confira aqui!
Pagar todas as contas em dia seria um cenário ideal para qualquer família. No entanto, não é isso o que acontece na maior parte dos lares no Brasil. Afinal, contrair dívida é normal. Períodos de alta dos juros, de inflação disparada e de desemprego avançado, porém, costumam desestruturar o orçamento das famílias, elevando o endividamento.
Evidentemente, ninguém busca ingressar na lista de endividados das empresas ou dos serviços de proteção ao crédito como inadimplentes, mas isso acontece.
Dessa forma, vamos detalhar neste artigo o atual cenário do endividamento das famílias no Brasil, os principais tipos de dívidas e algumas recomendações sobre como evitar cair nas armadilhas do crédito facilitado.
Quem é você entre os endividados do país?
Inicialmente, se você se encontra endividado no Brasil, não se preocupe: quase 79% das famílias do País estavam em situação semelhante à sua no mês de agosto.
Há um ano, esse porcentual era de quase 73%, segundo dados de pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Desse universo do levantamento, cerca de 29,6% continham dívidas ou contas em atraso em agosto, frente a 25,6% do mesmo mês do ano passado.
Enquanto isso, o porcentual de pessoas que se declararam sem condições de pagar as dívidas ficou em 10,8%, fatia praticamente idêntica a de um ano antes, em 10,7%.

Tipos de dívida
Quando analisamos os tipos de empréstimos disponíveis no mercado financeiro, há uma divisão importante. Em primeiro lugar, temos a separação entre os tomadores de crédito, que podem ser tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas.
No caso das empresas, os empréstimos podem se dar de forma mais estruturada, pois os recursos geralmente destinam-se à aquisição de bens de maior valor – e, na maioria dos casos, já tem uma fonte de pagamento, que é o próprio faturamento a ser gerado com a compra, por exemplo, de uma máquina para modernizar a produção.
Já no caso das pessoas físicas – onde a pesquisa citada acima se debruçou –, os tipos de dívida são mais abrangentes.
Com exceção da compra da casa própria, que é o sonho de praticamente todo brasileiro, que pode ser pago ao longo de duas ou três décadas, ou de carros e motos, com prazos, em média, de até cinco anos, as demais formas de crédito se concentram em menores prazos, inclusive de poucos meses.
Além disso, são dívidas de menores valores. E é exatamente aí que está o perigo.
Afinal, em um mês se parcela um tênis de 200 reais em dez vezes no cartão de crédito; no mês seguinte, um televisor em 18 vezes no carnê; e no seguinte as compras de uma roupa em seis prestações.
Então, o cenário de um superendividamento está configurado!
Agora, antes de seguirmos, vamos entender quais são as principais dívidas a que a pessoa física está sujeita.
Cartão de crédito
Na dianteira das dívidas das famílias estão os cartões de créditos. Apesar de toda facilidade e praticidade de seu uso, o instrumento traz armadilhas, que podem gerar uma bola de neve crescente nas despesas mensais.
Isso acontece, sobretudo, por uma falta de planejamento, já que pode ocorrer o acúmulo de parcelas de diversas compras até o ponto em que o montante a ser pago supera o orçamento disponível.
Como consequência, o indivíduo deixa de quitar o principal e começa a pagar o valor mínimo da fatura ou a parcelar a dívida restante em algumas vezes.
São nessas situações em que os altos juros cobrados pelas instituições financeiras acabam desestruturando as finanças das famílias.
Ao entrar no rotativo, o custo do bem acaba dobrando ou triplicando de valor, ao ser refinanciado.
Cartão e carnê de lojas
Em segundo lugar, atualmente, entre a fonte de dívidas das famílias, estão os créditos oferecidos diretamente por varejistas como Casas Bahia, Magazine Luiza, Lojas Renner, Marisa, entre outras lojas.
São linhas disponibilizadas por meio de cartões das lojas, conhecidos como private label, ou carnê próprio.
Apesar de toda facilidade, já que requerem uma análise de crédito do próprio varejista, que “busca garantir a venda”, estes meios também trazem armadilhas, para quem não se planejar.
No início de agosto, a dona das lojas Magazine Luiza, a empresária Luiza Helena Trajano, viralizou nas redes chamando os consumidores a adquirirem bens por meio “daquele carnezinho gostoso”.
Entretanto, essa modalidade pode fazer os preços custarem até o dobro do preço inicial.
De acordo com a CNC, o total de endividados com carnês e cartões de lojas aumentou nos últimos doze meses, saindo de 18,2% para 19,4%.
A maior fatia encontra-se entre as faixas de renda de até 10 salários mínimos, como mostram os gráficos abaixo:
Endividados em carnês e cartões de lojas por faixa de renda. Fonte: CNC

Esse aumento pode ser explicado porque as famílias estão buscando alternativas de crédito com melhores condições, sobretudo em prazos, o que as varejistas acabam oferecendo, para atrair os seus clientes.
Outras modalidades
Outros tipos de dívidas que vêm se ampliando são as disponibilizadas para a compra de bens duráveis de altos valores, como veículos e imóveis, além de créditos pessoais dos mais variados tipos.
Além disso, crescem também as dívidas adquiridas com o refinanciamento do cheque especial, de crédito pessoal, bem como as relacionadas ao crédito consignado, aquele que tem desconto em folha.
Por fim (e por mais incrível que pareça), até mesmo o cheque pré-datado, que está em desuso, contribui para o aumento da inadimplência das famílias brasileiras.
Como evitar cair na armadilha do endividamento?
Assumir compromissos financeiros futuros de dívida faz parte da nossa sociedade, ainda mais diante de tantas ofertas de consumo. E não há problema algum nisso.
No entanto, as dificuldades começam a surgir quando esses mesmos compromissos não são honrados. Neste momento, é que cabe uma avaliação do que se fez de errado para que essa situação não se repita.
Apesar de muito se falar, não há como escapar do fato de que um bom planejamento financeiro é o início de uma vida financeira próspera.
Qualquer família que gaste mais do que ganhe entrará em um mar de dívidas que podem levar a perda de bens e a situações muito complicadas, como a negativação do crédito.
Assim, o melhor a fazer é conhecer as formas para que isso não aconteça.
Um primeiro passo é ter uma planilha de recebimentos de salários, trabalhos extras, aluguéis e outros tipos de ganhos, e de despesas fixas e variáveis.
Somente dessa forma será possível saber o quanto se gasta e, principalmente, em que se gasta.
Por incrível que pareça, muitas pessoas não têm ideia para onde vai seu dinheiro simplesmente porque não usa nenhuma forma de controle.
E qualquer maneira (por mais simples que seja) de controlar suas finanças é melhor do que nenhuma.
Isso evita o comprometimento com dívidas que no futuro não poderão ser honradas, levando ao endividamento e, por consequência, à negativação do nome.
Contas em dia
Com o tempo, esse processo de controle dos gastos se aprimora naturalmente, até o ponto em que se consegue respeitar uma famosa lei do dinheiro: gastar menos do que se ganha.
Esse é um ensinamento antigo e a fonte de grandes riquezas, segundo autores de livros como “O Homem Mais Rico da Babilônia”, escrito em 1926.
No livro, o autor revela os segredos que fizeram dessa civilização antiga uma nação próspera.
E, acredite, a principal lição se encontra, justamente, em se pagar primeiro em pelo menos 10% de tudo que se ganha mensalmente.
Gostou do artigo? Então aproveite e compartilhe também em suas redes sociais, fazendo com que mais pessoas possam conhecer o cenário das dívidas brasileiras atuais!