O preço da cesta básica voltou a subir em abril e reacendeu a preocupação de milhões de brasileiros com o custo de vida. Em Belo Horizonte, o conjunto de alimentos essenciais chegou a R$ 767,64, segundo levantamento da Fundação Ipead, ligada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Cesta básica fica mais cara em abril, aponta levantamento
Alta da cesta básica em abril pressiona orçamento das famílias e compromete quase metade do salário mínimo em 2026.
Com o novo aumento, a cesta passou a consumir 47,3% do salário mínimo atual. Na prática, quase metade da renda mensal fica comprometida apenas com alimentação básica, sem considerar despesas como aluguel, contas de energia, água, gás, transporte, medicamentos e internet.
O avanço dos preços reforça uma percepção já comum entre consumidores: mesmo quando alguns produtos apresentam queda, o orçamento continua pressionado e o alívio no bolso demora a aparecer.
Leia mais:
Exportação em risco? China impõe tarifa à carne do Brasil
Alta da cesta básica preocupa especialistas
Embora o aumento de abril tenha sido de 0,86%, o impacto chama atenção porque ocorre sobre uma base já elevada. Isso significa que pequenas variações continuam pesando fortemente para famílias de baixa renda.
Especialistas apontam que o encarecimento dos alimentos essenciais afeta principalmente trabalhadores informais, aposentados, beneficiários de programas sociais e famílias que dependem exclusivamente do salário mínimo.
Além disso, o avanço da alimentação costuma gerar efeito em cadeia no orçamento doméstico, obrigando consumidores a reduzirem gastos em outras áreas.
Quanto da renda vai para alimentação
O levantamento mostra que uma pessoa que recebe o salário mínimo atual precisa destinar quase metade da remuneração apenas para comprar os produtos considerados essenciais na alimentação.
O que entra na cesta básica
A pesquisa acompanha 13 alimentos considerados fundamentais para a subsistência mensal de um trabalhador adulto. Entre eles estão:
- Carne
- Leite
- Feijão
- Arroz
- Pão francês
- Café
- Banana
- Batata
- Tomate
- Açúcar
- Óleo de soja
- Farinha
- Manteiga
Mesmo pequenas oscilações nesses produtos acabam tendo forte impacto no custo final da cesta.
Carne, pão e manteiga lideram as altas
Entre os itens que mais subiram em abril, a manteiga registrou a maior alta, acumulando avanço de 7,66%.
Logo depois aparecem:
| Produto | Alta em abril |
|---|---|
| Manteiga | 7,66% |
| Chã de dentro | 5,65% |
| Pão francês | 4,14% |
Por que a carne ficou mais cara
O aumento da carne bovina voltou a pressionar o orçamento das famílias brasileiras. Segundo analistas do setor, a valorização está ligada principalmente ao crescimento das exportações brasileiras.
A demanda internacional, especialmente da China, continua elevada, reduzindo a oferta disponível no mercado interno. Com menos produto circulando no país, os preços sobem para o consumidor brasileiro.
Além disso, custos ligados à produção agropecuária, transporte e alimentação animal também influenciam o valor final da carne nos supermercados e açougues.
Pão francês continua pressionado
O pão francês, considerado um dos alimentos mais consumidos no país, também apresentou aumento importante.
Entre os fatores que explicam a alta estão:
- Valorização do trigo
- Custos de importação
- Transporte mais caro
- Despesas operacionais das padarias
- Energia elétrica
Como o Brasil depende de importação de parte do trigo utilizado na produção, oscilações internacionais acabam impactando diretamente o consumidor.
Manteiga sofre efeito da cadeia do leite
A manteiga também registrou forte avanço em abril. O aumento está relacionado à menor oferta de leite e aos custos da cadeia de produção.
Problemas climáticos em algumas regiões produtoras e despesas maiores com alimentação do gado influenciaram os preços dos derivados lácteos.
O consumidor sente o impacto principalmente em itens de consumo diário, como manteiga, queijo e leite.
Alguns alimentos ficaram mais baratos
Apesar da alta geral da cesta básica, alguns produtos apresentaram redução nos preços em abril.
Principais quedas registradas
| Produto | Queda em abril |
|---|---|
| Banana caturra | -13,84% |
| Feijão carioquinha | -11,25% |
| Café moído | -7,08% |
Também houve recuo nos preços de:
- Batata inglesa
- Tomate
- Açúcar cristal
- Óleo de soja
Por que as quedas não aliviaram o orçamento
Mesmo com alguns produtos em baixa, os alimentos que mais subiram possuem peso maior dentro da cesta básica.
A carne, por exemplo, representa parcela significativa dos gastos alimentares das famílias. Por isso, aumentos nesse item acabam anulando boa parte do efeito positivo de reduções em outros produtos.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Além disso, muitos consumidores relatam mudanças no padrão de compra, reduzindo quantidade ou substituindo itens mais caros por opções mais baratas.
Cesta básica sobe acima da inflação
Outro ponto que chama atenção é que a cesta básica acumula alta de 3,35% em 2026, percentual acima da inflação oficial registrada em Belo Horizonte no mesmo período.
Isso mostra que os alimentos essenciais continuam avançando em ritmo superior à média geral de preços da economia.
Na prática, mesmo quando indicadores inflacionários parecem mais controlados, o consumidor ainda sente forte pressão nos supermercados.
Famílias adaptam hábitos para enfrentar preços altos
Com o orçamento apertado, muitos brasileiros vêm mudando hábitos de consumo para tentar equilibrar as contas.
Entre as estratégias mais comuns estão:
- Troca de marcas
- Compra de alimentos em atacarejos
- Redução do consumo de carne bovina
- Pesquisa de preços em diferentes mercados
- Substituição de produtos industrializados
- Aproveitamento de promoções
Especialistas afirmam que o comportamento do consumidor mudou bastante nos últimos anos devido ao avanço contínuo dos alimentos.
Peso da alimentação ainda preocupa em 2026
Embora o comprometimento da renda esteja abaixo do registrado em abril de 2025 — quando a cesta consumia mais de 50% do salário mínimo — o cenário ainda preocupa.
Para famílias de baixa renda, aposentados e trabalhadores informais, o custo da alimentação continua sendo um dos principais desafios do orçamento mensal.
Com os alimentos básicos pressionados e outras despesas em alta, como energia elétrica, aluguel e transporte, muitos brasileiros seguem tendo dificuldade para manter o equilíbrio financeiro.
O que pode influenciar os preços nos próximos meses
Economistas apontam alguns fatores que podem impactar o comportamento da cesta básica ao longo de 2026:
Fatores que podem pressionar os alimentos
- Clima e safras agrícolas
- Exportações brasileiras
- Cotação do dólar
- Preço dos combustíveis
- Custos logísticos
- Energia elétrica
- Produção agropecuária
Dependendo do cenário econômico e climático, novos reajustes ainda podem atingir itens essenciais nos próximos meses.
Enquanto isso, o consumidor segue acompanhando atentamente os preços nos supermercados e buscando alternativas para driblar o aumento do custo de vida.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
