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Preço da cesta básica recua 5,36% em Porto Alegre no mês de julho

Cesta básica de Porto Alegre cai 5,36% em julho e custa R$ 841,94. Veja os alimentos que subiram e caíram e o impacto no salário.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··10 min de leitura
Cesta básica

O preço da cesta básica de alimentos recuou 5,36% em Porto Alegre em julho, na comparação com o mês anterior, e passou a custar R$ 841,94. O resultado representa um alívio no orçamento das famílias, mas não elimina a pressão acumulada sobre os consumidores ao longo de 2026.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento acompanha 13 produtos considerados essenciais e permite comparar o custo da alimentação básica entre as 27 capitais brasileiras.

Mesmo com a queda mensal, Porto Alegre terminou julho com a quinta cesta mais cara do país. No acumulado de janeiro a julho, o valor ainda registra alta de 7,36%. Em 12 meses, a elevação é de 1,39%.

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Quanto custa a cesta básica em Porto Alegre?

Cesta básica
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Em julho, a cesta básica porto-alegrense ficou em R$ 841,94, uma redução de R$ 47,64 em relação aos R$ 889,58 registrados em junho.

A queda ocorreu depois de uma sequência de aumentos observada nos meses anteriores. Em maio, por exemplo, o custo havia subido 7,24%, chegando a R$ 870,62. Em junho, houve nova alta, de 2,18%, e o valor alcançou R$ 889,58.

Com o recuo de julho, portanto, parte da pressão registrada no segundo trimestre foi devolvida, principalmente pela redução dos preços de produtos como tomate e batata.

Ainda assim, o custo atual permanece acima do registrado no fim de 2025. Desde dezembro, a cesta acumula aumento de 7,36% na capital gaúcha.

Porto Alegre continua entre as capitais com cesta mais cara

Apesar da redução, Porto Alegre permanece entre as cidades onde o consumidor precisa desembolsar mais para comprar os alimentos básicos.

Em julho, os maiores valores foram registrados em:

  • São Paulo: R$ 915,01;
  • Cuiabá: R$ 881,27;
  • Florianópolis: R$ 860,73;
  • Rio de Janeiro: R$ 855,37;
  • Porto Alegre: R$ 841,94.

A diferença entre as capitais está relacionada, entre outros fatores, às características regionais da cesta pesquisada, aos preços praticados no varejo e à oferta dos produtos em cada localidade.

A metodologia considera 13 alimentos básicos. A composição e as quantidades variam conforme a região, seguindo critérios definidos originalmente pelo Decreto-Lei nº 399, de 1938.

Quais alimentos ficaram mais baratos?

Seis dos 13 produtos pesquisados tiveram redução de preço em Porto Alegre durante julho.

O tomate foi o item que mais contribuiu para o recuo, com queda de 37,81%. A batata também apresentou redução expressiva, de 19,80%.

Veja os principais recuos:

  • tomate: -37,81%;
  • batata: -19,80%;
  • café em pó: -2,62%;
  • açúcar refinado: -1,48%;
  • arroz agulhinha: -1,41%;
  • farinha de trigo: -0,25%.

A carne bovina de primeira permaneceu com o preço médio estável.

Por que tomate e batata ficaram mais baratos?

A redução dos preços de hortaliças e tubérculos está associada principalmente à maior disponibilidade desses produtos no mercado.

No caso da batata, a intensificação da safra de inverno e a melhora da produtividade aumentaram a oferta. Com mais produto disponível para comercialização, os preços tendem a recuar.

O tomate também foi beneficiado pela maior produtividade e pelo avanço da colheita em regiões produtoras. As temperaturas diurnas mais elevadas favoreceram a maturação dos frutos e contribuíram para ampliar a oferta.

Esse comportamento ajuda a explicar por que a queda da cesta em Porto Alegre foi tão significativa em julho.

Quais alimentos subiram de preço?

Enquanto seis produtos ficaram mais baratos, outros seis registraram aumento. O movimento mostra que a queda da cesta não ocorreu de maneira uniforme entre os alimentos.

Os principais aumentos foram:

  • banana: +5,03%;
  • feijão preto: +4,41%;
  • leite integral: +1,62%;
  • óleo de soja: +1,57%;
  • pão francês: +0,69%;
  • manteiga: +0,21%.

O feijão preto teve um comportamento especialmente relevante para o consumidor da região Sul. Segundo o levantamento, a oferta mais restrita, provocada por perdas na segunda safra da região, contribuiu para a alta do produto.

Já o leite integral sofreu influência da desaceleração na produção de matéria-prima, associada às baixas temperaturas no campo.

Quanto tempo um trabalhador precisa trabalhar para comprar a cesta?

A redução do preço dos alimentos também diminuiu o tempo de trabalho necessário para adquirir a cesta básica.

Considerando o salário mínimo nacional de R$ 1.621 em 2026, o trabalhador de Porto Alegre precisou trabalhar 114 horas e 16 minutos para comprar os produtos pesquisados em julho.

Em junho, eram necessárias 120 horas e 44 minutos.

A diferença equivale a uma redução de 6 horas e 28 minutos na jornada necessária para adquirir a cesta.

O indicador ajuda a dimensionar o peso dos alimentos no orçamento de quem recebe o piso nacional. Em julho de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518, eram necessárias 120 horas e 21 minutos para comprar a cesta na capital gaúcha.

Quanto da renda foi comprometido com alimentação?

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, a cesta básica consumiu 56,15% da renda do trabalhador de Porto Alegre em julho.

O percentual ficou abaixo dos 59,33% registrados em junho.

Na comparação anual, também houve melhora. Em julho de 2025, a cesta correspondia a 59,14% do salário mínimo líquido.

Na prática, isso significa que mais da metade da renda líquida de um trabalhador remunerado pelo piso nacional seria destinada apenas à compra dos alimentos considerados básicos pela pesquisa.

Qual deveria ser o salário mínimo para uma família de quatro pessoas?

O Dieese também calcula mensalmente quanto uma família de quatro pessoas precisaria receber para cobrir despesas essenciais, considerando alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência.

Em julho de 2026, o salário mínimo necessário foi estimado em R$ 7.687,01.

O valor corresponde a aproximadamente 4,74 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621.

Em junho, a estimativa havia chegado a R$ 8.110,92, equivalente a cinco vezes o piso nacional.

A estimativa não significa que exista obrigação legal de pagar esse valor aos trabalhadores. Trata-se de um cálculo do Dieese utilizado para demonstrar a diferença entre o salário mínimo vigente e o custo estimado para atender às necessidades básicas de uma família.

Cesta básica caiu em quase todo o Brasil

O recuo observado em Porto Alegre fez parte de um movimento mais amplo em julho.

O custo da cesta básica diminuiu em 26 das 27 capitais pesquisadas. São Luís foi a única cidade a registrar aumento, de 0,30%.

As maiores quedas ocorreram em:

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  • Natal: -7,95%;
  • Maceió: -7,87%;
  • Belo Horizonte: -7,44%;
  • Palmas: -7,38%.

Mesmo com a redução generalizada no mês, todas as 27 capitais acumulam alta no ano.

As variações acumuladas entre dezembro de 2025 e julho de 2026 ficaram entre 4,28%, em Campo Grande, e 15,68%, em Porto Velho.

Isso mostra que uma queda mensal não significa necessariamente uma redução do custo de vida ao longo do ano. O consumidor pode pagar menos em determinado mês e, ainda assim, enfrentar preços significativamente maiores do que os registrados no fim do ano anterior.

O que explica a diferença entre a queda mensal e a alta no ano?

A cesta básica é formada por diversos produtos, e cada um deles sofre influência de fatores diferentes.

Preços agrícolas podem mudar conforme a safra, produtividade, clima e disponibilidade regional. Produtos como leite, feijão e frutas também podem reagir rapidamente às condições de produção e oferta.

Por isso, movimentos fortes de queda em alguns itens podem reduzir o custo total da cesta em um determinado mês sem necessariamente compensar todas as altas acumuladas anteriormente.

Em Porto Alegre, a trajetória de 2026 ilustra esse comportamento. O preço da cesta subiu em março, abril e maio, antes de recuar em julho. Em maio, a alta chegou a 7,24%, impulsionada principalmente pela batata e pelo tomate.

O que a queda da cesta muda para o consumidor?

Para quem recebe salário próximo ao piso nacional, a redução representa uma melhora temporária no poder de compra, especialmente porque alimentos ocupam parcela elevada do orçamento das famílias de menor renda.

A queda de quase 20% no preço médio da batata e de quase 38% no tomate, por exemplo, pode produzir uma economia perceptível para quem compra esses alimentos regularmente.

Isso não significa, porém, que todos os consumidores terão exatamente a mesma redução no supermercado. A pesquisa trabalha com preços médios e uma composição padronizada de produtos. O gasto efetivo de cada família depende dos alimentos comprados, das quantidades, do estabelecimento escolhido e da região da cidade.

Como funciona a Pesquisa Nacional da Cesta Básica?

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos acompanha os preços de um conjunto de produtos essenciais.

A parceria entre Dieese e Conab ampliou a coleta de 17 para 27 capitais brasileiras. Os resultados com a cobertura das 27 cidades passaram a ser divulgados a partir de 2025.

A pesquisa também permite acompanhar a relação entre o preço dos alimentos e o salário mínimo, calculando tanto o tempo de trabalho necessário para comprar a cesta quanto a parcela da renda líquida comprometida com a aquisição dos produtos.

Esse acompanhamento ajuda a medir, mês a mês, como as oscilações dos preços afetam o orçamento dos trabalhadores.

O que esperar dos próximos meses?

Cesta básica
Imagem: Canva

A queda de julho reduz parte da pressão observada em Porto Alegre no segundo trimestre, mas o resultado não permite afirmar que os alimentos permanecerão mais baratos nos próximos meses.

A evolução da cesta dependerá do comportamento da oferta agrícola, das condições climáticas, dos custos de produção e transporte e da demanda por cada produto.

Para o consumidor, o principal sinal positivo é a redução mensal do custo da cesta. Ao mesmo tempo, a alta acumulada de 7,36% no ano mostra que o alívio ainda precisa ser analisado dentro de uma perspectiva mais ampla.

Acompanhar a evolução dos preços dos principais alimentos pode ajudar as famílias a identificar quais produtos estão pressionando mais o orçamento e adaptar as compras quando houver substitutos disponíveis.

Conclusão

A queda de 5,36% no preço da cesta básica em Porto Alegre representa um alívio para o orçamento das famílias, especialmente para os trabalhadores que recebem o salário mínimo. A redução foi influenciada principalmente pela forte queda nos preços do tomate e da batata, produtos que tiveram aumento de oferta no período.

Apesar do recuo em julho, o cenário ainda exige atenção. A cesta acumula alta de 7,36% desde dezembro de 2025, mostrando que os preços dos alimentos continuam acima do nível registrado no fim do ano passado. Além disso, mais da metade do salário mínimo líquido ainda seria comprometida apenas com a compra dos itens básicos.

Para os próximos meses, a trajetória dos preços dependerá principalmente das condições de produção, das safras e da oferta de cada alimento. Por isso, embora a queda mensal seja positiva, o comportamento da cesta ao longo do ano continua sendo um indicador relevante para acompanhar o poder de compra dos trabalhadores.

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