A China, que já foi líder global na mineração de Bitcoin, impôs restrições severas à atividade nos últimos anos.
China reconsidera proibição da mineração de Bitcoin diante de pressões tarifárias dos EUA
Diante das crescentes pressões tarifárias dos EUA e da liderança americana na mineração de Bitcoin, a China pode estar reconsiderando sua proibição à atividade. Entenda os fatores geopolíticos e econômicos que influenciam essa possível mudança.
No entanto, recentes desenvolvimentos geopolíticos, incluindo as políticas tarifárias dos Estados Unidos sob a administração Trump, estão levando Pequim a reavaliar sua postura em relação à mineração de criptomoedas.
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Histórico da mineração de Bitcoin na China

Ascensão e domínio
Até 2021, a China era responsável por aproximadamente 75% do hashrate global de Bitcoin, graças a eletricidade barata e infraestrutura tecnológica avançada. Regiões como Sichuan e Xinjiang eram centros neurálgicos da mineração devido à abundância de energia hidrelétrica e carvão, respectivamente.
Repressão governamental
Em 2021, preocupações com o consumo energético e riscos financeiros levaram o governo chinês a proibir a mineração de criptomoedas. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) classificou a atividade como “indesejável”, resultando no fechamento de operações em várias províncias.
Além disso, todas as transações relacionadas a criptomoedas foram declaradas ilegais, e exchanges estrangeiras foram proibidas de atender cidadãos chineses.
Impacto global da proibição
Migração de operações
A repressão chinesa levou à migração em massa de operações de mineração para países como Estados Unidos, Cazaquistão e Rússia. Em apenas 12 meses após a proibição, os EUA aumentaram sua participação no hashrate global de 4% para 35%, tornando-se o novo epicentro da mineração de Bitcoin.
Consequências econômicas
Estima-se que as operações de mineração chinesas perderam cerca de US$ 4,1 bilhões em receita anual potencial devido à proibição. Cerca de 90% das empresas de mineração foram forçadas a encerrar ou transferir suas operações para o exterior.
Pressões tarifárias dos EUA e a resposta chinesa
Política econômica de Trump
Desde seu retorno à presidência, Donald Trump implementou uma série de ordens executivas visando reestruturar a política econômica dos EUA. Entre as medidas, destacam-se tarifas elevadas sobre importações chinesas e a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin.
Essas ações visam fortalecer a posição dos EUA no cenário econômico global e reduzir a dependência de produtos chineses.
Reavaliação da China
Diante dessas pressões, a China pode estar reconsiderando sua postura em relação à mineração de Bitcoin. Apesar da proibição oficial, relatos indicam que a atividade continua clandestinamente em algumas regiões, representando cerca de 15% do hashrate global.
Além disso, a China continua sendo a principal exportadora de hardware de mineração, como os ASICs, utilizados na validação de transações de Bitcoin.
Estratégias alternativas da China
Desenvolvimento do yuan digital
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+311 mil seguidores
Paralelamente à repressão às criptomoedas descentralizadas, a China tem investido no desenvolvimento de sua moeda digital oficial, o yuan digital ou e-CNY.
Essa iniciativa visa modernizar o sistema financeiro, aumentar a eficiência dos pagamentos e reduzir a dependência do dólar americano.
Utilização de criptomoedas em transações internacionais
Apesar da proibição interna, há indícios de que a China esteja utilizando criptomoedas como o Bitcoin em transações internacionais, especialmente em setores como energia. Essa estratégia pode ser uma forma de contornar sanções econômicas e reduzir a influência do dólar nas transações globais.
Possíveis cenários futuros
Reversão parcial da proibição
Especialistas sugerem que a China pode optar por uma reversão parcial da proibição, permitindo a mineração de Bitcoin em ambientes controlados e com supervisão estatal. Essa abordagem permitiria ao governo aproveitar os benefícios econômicos da atividade, ao mesmo tempo em que mantém o controle sobre o setor.
Fortalecimento do yuan digital
Outra possibilidade é o fortalecimento do yuan digital como alternativa às criptomoedas descentralizadas. Ao promover sua moeda digital oficial, a China busca consolidar sua soberania monetária e expandir sua influência no sistema financeiro global.
Considerações finais
A dinâmica entre as políticas tarifárias dos EUA e a postura da China em relação à mineração de Bitcoin reflete as complexas interações entre economia, tecnologia e geopolítica. Enquanto os EUA buscam consolidar sua liderança no setor de criptomoedas, a China avalia cuidadosamente suas opções para proteger seus interesses estratégicos.
Seja por meio de uma flexibilização das restrições ou pelo fortalecimento do yuan digital, as decisões de Pequim terão implicações significativas para o futuro das criptomoedas no cenário global.
