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China surpreende com ligação celular feita de local que altera cenário para Starlink e EUA

China realiza primeira chamada 5G por satélite direto para celular, desafiando Starlink e EUA, com impacto na conectividade e soberania digital.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Dados

Em 17 de junho de 2025, a China realizou uma chamada em vídeo direta de um satélite 5G para um telefone móvel comum — uma conquista tecnológica sem precedentes que pode transformar radicalmente a conectividade global.

Ao contrário de experimentos anteriores limitados a mensagens de texto, essa videoconferência não utilizou hardware especializado nem infraestrutura terrestre, graças ao uso do padrão internacional 5G NTN (redes não terrestres), aprovado pelo 3GPP.

Esse marco tecnológico, conduzido pela empresa estatal China SatNet e sua constelação Guowang de 13.000 satélites, coloca o país à frente na corrida para expandir a cobertura móvel para áreas remotas, marítimas, zonas de conflito e cenários de emergência, reduzindo a dependência de torres terrestres.

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O que torna essa chamada tão significativa?

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Imagem: Crystal51 / Shutterstock.com

Tecnologia 5G NTN e o salto na comunicação móvel

A tecnologia 5G NTN permite a conexão direta entre satélites em órbita terrestre baixa (LEO) e celulares comuns, dispensando estações terrestres intermediárias.

Isso representa um avanço monumental na extensão da cobertura móvel, com potencial para atender populações isoladas, melhorar respostas em desastres naturais e reforçar sistemas autônomos, como veículos e drones.

Enquanto empresas como SpaceX (Starlink) e Lynk Global avançam em redes via satélite, a China conseguiu, pela primeira vez, realizar uma videochamada completa — com áudio e vídeo — transmitida diretamente do espaço, confirmando a maturidade da tecnologia e o cumprimento dos protocolos 3GPP.

China SatNet e o projeto Guowang

O projeto Guowang é um ambicioso sistema de redes não terrestres que pretende lançar até 13 mil satélites para formar uma rede integrada e resiliente, capaz de prover serviços de comunicação, navegação (com o BeiDou), logística, defesa e cidades inteligentes.

A criação da CSTI, entidade que integra China SatNet, China Mobile e Norinco, reforça o compromisso do governo chinês em transformar essa infraestrutura espacial em uma plataforma multifuncional, com impacto geopolítico e econômico.

Impactos geopolíticos e concorrência com os EUA e Starlink

Starlink x China: uma disputa pelo domínio digital

O experimento chinês coloca uma pressão significativa sobre a iniciativa Starlink, da SpaceX, que tem investido pesadamente em satélites para internet global.

Embora Starlink tenha revolucionado o acesso à internet em regiões remotas, o fato de a China já ter demonstrado uma videoconferência direta via satélite mostra que o país está à frente em protocolos padronizados 5G NTN e integração com celulares comuns.

Essa evolução pode redefinir a competição no setor, sobretudo porque a tecnologia chinesa permite conectar dispositivos sem necessidade de “vista para o céu” ou hardware extra, facilitando a adoção em massa.

Repercussões políticas: o TikTok e o controle da informação

Em meio a tensões entre EUA e China, como tentativas americanas de bloquear ou forçar a venda do TikTok por preocupações de segurança nacional, essa nova capacidade chinesa de comunicação via satélite expõe uma nova fronteira para a disputa pelo controle da informação.

Se dados e conteúdo podem ser transmitidos diretamente do espaço para celulares sem passar por servidores localizados nos EUA ou regulados por infraestruturas terrestres, a efetividade de bloqueios e regulações tradicionais pode ser comprometida.

Implicações para a soberania digital e segurança nacional

A infraestrutura espacial torna-se, assim, uma espinha dorsal da soberania digital, na qual o domínio das redes de satélites pode significar influência tecnológica, política e econômica.

O uso integrado do BeiDou, sistemas de comunicação e gestão de dados em tempo real cria um ecossistema espacial estratégico para a China, potencialmente expandindo seu poder em mercados aliados e dependentes.

Barreiras técnicas e regulatórias ainda presentes

Limitações técnicas para adoção em massa

Embora a videoconferência via satélite seja um marco, especialistas alertam que ainda existem desafios para a ampla adoção:

  • Largura de banda limitada dos satélites, que pode restringir a quantidade de dados transmitidos simultaneamente;
  • Necessidade de uma extensa rede orbital para evitar latências altas e garantir cobertura contínua;
  • Hardware nos satélites e dispositivos que precisam se adequar a padrões rigorosos para comunicação estável.

Esses desafios indicam que, por enquanto, as redes satelitais devem complementar, e não substituir, as redes terrestres.

Regulamentação nacional e internacional

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Outro obstáculo importante são as licenças e regulações necessárias para operar redes satelitais, que variam conforme o país. O espaço não é um território livre de regras, e as entidades reguladoras exigem padrões para o uso do espectro e operação dos sistemas.

Portanto, embora a tecnologia possa superar barreiras físicas, ainda está sujeita a restrições políticas e legais.

O futuro da conectividade global com as redes não terrestres

Bandeira da China
Imagem: Freepik/Slon

Expansão dos mercados e potencial econômico

De acordo com o South China Morning Post, o mercado global de redes não terrestres 5G pode atingir US$ 80 bilhões até 2030, impulsionado por grandes players mundiais como Samsung, MediaTek, Thales e CSTI.

A expansão dessas redes não apenas melhorará a cobertura global, mas abrirá caminho para novos serviços digitais, cidades inteligentes, logística avançada e defesa.

Conexão em áreas inexploradas e emergências

O principal benefício imediato das redes satelitais 5G NTN é o acesso em locais onde a infraestrutura terrestre é inexistente ou inviável, como:

  • Regiões remotas e rurais;
  • Zonas marítimas e plataformas offshore;
  • Áreas afetadas por desastres naturais;
  • Ambientes de conflito e operações militares;
  • Veículos autônomos e IoT em ambientes isolados.

Esse potencial muda a forma como governos, empresas e cidadãos se conectam, oferecendo resiliência e redundância fundamentais.

Conclusão: uma videoconferência histórica que prenuncia mudanças radicais

A videochamada feita pela China diretamente de um satélite 5G para um celular comum representa muito mais do que um avanço tecnológico: é um indicativo das mudanças que estão por vir na conectividade global, na competição tecnológica entre potências e na soberania digital.

Embora ainda existam desafios técnicos e regulatórios, o experimento sinaliza que a dependência exclusiva das redes terrestres está chegando ao fim, com implicações profundas para países, empresas e usuários.

Com isso, a corrida pelo domínio das redes não terrestres entra em uma nova fase, onde o espaço não é apenas o palco da exploração científica, mas também a arena da nova disputa digital entre China, Estados Unidos e outros atores globais.

O tempo dirá se essa chamada foi apenas um teste ou o prenúncio de uma revolução na forma como nos comunicamos.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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