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Trump sugere cobrança de US$ 1 mil para acelerar vistos de turistas nos EUA

Trump propõe taxa de US$ 1 mil para acelerar visto de turistas aos EUA. Medida pode ser barrada por contrariar precedentes da Suprema Corte.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Donald Trump apontando com dedo indicador enquanto fala ao microfone

Em mais uma proposta polêmica de sua gestão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende implementar uma taxa extra de US$ 1 mil para estrangeiros que desejarem acelerar o agendamento do visto de turismo no país.

A proposta, revelada por um memorando interno do Departamento de Estado e confirmada por um porta-voz da Casa Branca à agência Reuters, está gerando críticas dentro e fora do governo.

A ideia, segundo Trump, é permitir que interessados “furem a fila” do processo de vistos mediante o pagamento de uma taxa premium.

No entanto, assessores jurídicos do Departamento de Estado alertam que a medida pode ser considerada ilegal por contrariar decisões consolidadas da Suprema Corte dos Estados Unidos.

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Imagem de Donald Trump discursando justiça
Imagem: mark reinstein / Shutterstock.com

Processo padrão

Atualmente, o visto de turismo (categoria B-2) para os Estados Unidos exige o pagamento de uma taxa de US$ 185, referente ao processamento consular.

O agendamento da entrevista é feito por meio do sistema do Departamento de Estado, com prazos que variam de acordo com a demanda de cada consulado.

Demandas acumuladas

Com a retomada global do turismo após a pandemia e a crescente procura por viagens aos Estados Unidos, muitos consulados enfrentam filas de espera superiores a seis meses para a entrevista do visto.

Em cidades como São Paulo e Mumbai, os prazos ultrapassam 200 dias, conforme dados do próprio site da embaixada norte-americana.

A nova taxa: o que diz o plano de Trump

Prioridade mediante pagamento

A proposta avaliada pelo governo Trump prevê a criação de uma taxa de US$ 1.000 adicionais para candidatos que quiserem adiantar a entrevista consular. O objetivo é liberar vagas exclusivas para quem pagar o valor, criando uma espécie de fila expressa.

Potencial início em dezembro

Segundo o memorando obtido pela Reuters, o programa pode entrar em vigor já em dezembro de 2025, caso receba aval do Escritório de Orçamento da Casa Branca (OMB) e da Justiça Federal.

Reações jurídicas e institucionais

Possível violação constitucional

O setor jurídico do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a cobrança de uma taxa superior ao custo real do serviço prestado pode violar princípios constitucionais e ser derrubada em tribunais.

O documento destaca que “cobrar um valor extra acima do custo normal do serviço prestado contraria precedentes consolidados da Suprema Corte”, especialmente no que diz respeito ao princípio da equidade e acesso igualitário a serviços governamentais.

Avaliação do Departamento de Estado

Apesar das dúvidas legais, o porta-voz do departamento afirmou em nota que o setor “está constantemente buscando melhorar as operações de vistos em todo o mundo”, reconhecendo as falhas e lentidão no sistema de agendamento.

Impacto no turismo internacional

Queda no fluxo de visitantes

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) estima que os gastos de turistas internacionais nos EUA devem cair 7% em 2025, uma consequência direta da valorização do dólar e da resistência crescente às políticas migratórias do governo Trump.

Concorrência com outros destinos

Cidades como Toronto, Lisboa, Madri e Dubai têm se beneficiado da percepção de que são mais acolhedoras aos turistas e menos burocráticas em seus processos de entrada.

O aumento das barreiras financeiras para visitar os Estados Unidos pode afastar viajantes de classe média de países em desenvolvimento.

Comparações internacionais: como funciona o visto em outros países?

Reino Unido

  • Taxa padrão: cerca de US$ 130
  • Sistema de urgência: permite agendamento prioritário por cerca de US$ 270 adicionais
  • Tempo médio de análise: até 15 dias úteis

Canadá

  • Taxa padrão: US$ 100
  • Processo online com biometria
  • Agendamentos em até 30 dias na maioria das cidades

Austrália

  • Sistema totalmente digital
  • Aprovação em até 20 dias úteis
  • Taxa única de cerca de US$ 100

A comparação mostra que, embora alguns países ofereçam serviços de urgência, os valores cobrados são bem inferiores ao proposto pelos EUA e normalmente incluem melhorias reais no tempo de resposta.

Proposta do “cartão dourado” também gera controvérsia

Cidadania por investimento

Outra medida debatida pelo governo Trump é a criação de um “cartão dourado”, que concederia cidadania americana mediante um investimento de US$ 5 milhões no país.

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A proposta foi apresentada como forma de atrair capital estrangeiro, mas gerou críticas por tornar o acesso à cidadania um privilégio financeiro.

Comparação com o EB-5

Atualmente, o visto EB-5 permite que investidores estrangeiros recebam residência permanente (green card) com aportes a partir de US$ 800 mil. No entanto, o processo é demorado e não garante cidadania imediata.

Especialistas jurídicos argumentam que um programa de cidadania direta por dinheiro pode enfrentar resistência no Congresso e em cortes federais.

O que dizem os especialistas?

Violações legais e desigualdade

Para a advogada de imigração Maria Clara Feldman, com sede em Miami, “a medida tende a ser judicializada rapidamente caso avance, pois fere princípios básicos de equidade e acesso ao sistema consular”.

Já o economista Richard Hayes, do Instituto Brookings, alerta para o impacto negativo sobre o turismo:

“Cobrar mil dólares a mais por um agendamento é uma política que elitiza o acesso e vai na contramão do interesse econômico em atrair turistas internacionais.”

Interesse político

Analistas apontam que a medida reforça a retórica populista de Trump em seu segundo mandato, com foco em endurecer as regras migratórias e privilegiar quem pode pagar por benefícios.

Expectativas e próximos passos

Donald Trump Tiktok
Imagem: touseefmalik6659 / Freepik

Tramitação da proposta

O plano ainda precisa ser analisado pelo Escritório de Orçamento da Casa Branca (OMB) e poderá passar por consulta pública antes da adoção. Caso siga adiante, é possível que entre em vigor a partir de dezembro de 2025, como indica o memorando.

Reação do Congresso

Parlamentares democratas já sinalizaram que podem propor projetos de lei para barrar a medida. A discussão tende a esquentar nas próximas semanas, especialmente à medida que se aproximam as eleições legislativas de 2026.

Conclusão: taxa premium divide opiniões e pode nunca sair do papel

A proposta de cobrar US$ 1 mil para acelerar o visto de turistas nos EUA traz à tona questões complexas sobre acesso, justiça e interesses econômicos.

Embora o objetivo seja agilizar o sistema consular, há sérios entraves legais e questionamentos éticos sobre o modelo de priorização baseado na capacidade financeira.

Diante da resistência jurídica e das possíveis consequências diplomáticas e econômicas, a medida ainda tem caminho incerto até sua efetiva implementação.

O cenário mais provável é que a proposta se torne mais um elemento no tabuleiro político de Trump, sendo usada para reforçar sua base eleitoral, mesmo sem garantia de aplicação prática.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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