O futebol brasileiro vive uma realidade que vai além dos estádios lotados e títulos conquistados. Nos bastidores, a gestão financeira de alguns clubes enfrenta situações extremas, muitas vezes levando dirigentes a decisões desesperadas para manter os salários dos jogadores em dia. O mais recente exemplo dessa crise vem do Comercial-PI, clube da Série B do Campeonato Piauiense, cujo presidente, João da Silva Neto, revelou ter recorrido a um agiota para quitar 60% dos salários do elenco.
🤑 Desespero nos bastidores: clube recorre a agiota para bancar salários!
O presidente de um clube revela que precisou de empréstimo com agiota para pagar salários atrasados do elenco. Saiba qual.
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Crise financeira do Comercial-PI

A situação do Comercial-PI é crítica. Sem apoio financeiro constante e com dívidas acumuladas ao longo da temporada, o presidente do clube decidiu buscar um empréstimo com um agiota para evitar a desmotivação e possíveis greves dos jogadores por falta de pagamento.
Os desafios financeiros do clube
O Comercial-PI possui uma folha salarial mensal de R$ 45 mil, destinada ao pagamento de jogadores e comissão técnica. Entretanto, a dívida acumulada do clube chega a R$ 60 mil, envolvendo diferentes frentes:
- Dívidas trabalhistas com o Ministério do Trabalho.
- Encargos não pagos à Receita Federal.
- Rescisões de contrato de atletas.
- Salários atrasados do elenco atual (30% a 40% ainda não pagos).
- Despesas com material de treino, contabilidade e viagens.
Empréstimo com agiota: a única saída?
Segundo João da Silva Neto, recorrer ao agiota foi a única maneira de manter a equipe motivada durante a temporada. O presidente explica que o dinheiro emprestado cobriu cerca de 60% dos salários atrasados, uma medida extrema, mas que ele considera necessária diante da falta de alternativas.
Declaração do presidente do Comercial-PI
“É o jeito pedir ajuda [recorrer ao agiota]. Eu não tinha como pagar o pessoal. A equipe estava indo bem, mesmo sem suporte financeiro. Se já estava difícil com o time classificado, imagine sem a classificação”, afirmou Neto, destacando a necessidade do empréstimo.
O dirigente também revelou que o pagamento dos juros do empréstimo será feito assim que o clube receber repasses do governo, destinados às despesas das competições. Entretanto, ele criticou a visão externa sobre o uso desses recursos:
“Quando cai um dinheiro do governo para cobrir despesas, muitos acham que ele é para o bolso dos dirigentes. Não sabem o que realmente gastamos.”
As condições precárias do Comercial-PI
Além das dificuldades financeiras, o clube também enfrentou problemas estruturais durante a Série B do Campeonato Piauiense. O estádio Deusdeth de Melo, em Campo Maior, estava em más condições de uso, forçando o time a treinar em outros locais, o que elevou os custos logísticos.
Treinamentos e logística comprometida
Para realizar os treinamentos, o Comercial-PI precisou se deslocar até o Boqueirão, uma cidade próxima, gastando cerca de R$ 800 por viagem. Segundo Neto, esses custos extras impactaram diretamente o orçamento do clube, tirando recursos que deveriam ser usados para pagar os salários do elenco.
“A logística ficava de fora do orçamento de salários, mas era algo inevitável para manter a preparação da equipe”, explicou o dirigente.
Futuro incerto do Comercial-PI
Sem calendário para competições em 2025, o Comercial-PI enfrenta um cenário ainda mais desafiador. Eliminado na primeira fase da Série B do Campeonato Piauiense de 2024, o clube não conseguiu o acesso e permanece na Segundona, o que limita ainda mais as oportunidades de arrecadação e patrocínio.
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Desempenho na Série B 2024
Apesar das dificuldades, o Comercial-PI teve um desempenho razoável na competição, com 12 pontos em oito partidas. A equipe conquistou três vitórias, três empates e duas derrotas, totalizando 50% de aproveitamento. No entanto, o saldo de gols foi insuficiente para garantir o acesso, mantendo o time na segunda divisão do futebol piauiense.
A dívida de R$ 60 mil do Comercial-PI
A dívida de R$ 60 mil é composta por diversos fatores, incluindo:
- Salários atrasados dos jogadores (30% a 40% ainda não pagos).
- Encargos trabalhistas pendentes.
- Rescisões contratuais de jogadores.
- Empréstimo com agiota, utilizado para cobrir parte dos salários atrasados.
João Neto afirmou que a dívida será quitada assim que o clube receber repasses governamentais, mas reconheceu que o futuro financeiro do Comercial-PI é incerto.
Impacto da crise financeira no futebol piauiense
A crise enfrentada pelo Comercial-PI reflete um problema recorrente em muitos clubes do futebol brasileiro, especialmente nas divisões inferiores. Sem uma fonte de receita constante e com pouca visibilidade nacional, essas equipes dependem de parcerias locais, apoio governamental e patrocínios, muitas vezes insuficientes para cobrir todos os custos operacionais.
Clubes menores e o financiamento do futebol
Para muitos clubes pequenos, a falta de recursos pode resultar em medidas desesperadas, como recorrer a agiotas, atrasar salários ou até mesmo encerrar as atividades. A gestão profissional e a criação de SAFs têm sido apresentadas como soluções para melhorar a sustentabilidade financeira do futebol brasileiro, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

