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CNH tem novas regras e custo das aulas práticas varia

Mudanças na CNH reduzem aulas obrigatórias e elevam preços. Entenda impactos, custos e o que muda para o candidato.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
CNH

As recentes mudanças no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) estão transformando o mercado de formação de condutores no Brasil. A principal alteração — a redução da carga mínima obrigatória de aulas práticas para apenas duas horas — tem provocado um efeito inesperado: o aumento no valor cobrado pelas autoescolas.

O cenário, já observado em estados como o Rio Grande do Norte, revela impactos diretos no bolso do consumidor e na sustentabilidade dos centros de formação de condutores (CFCs). Ao mesmo tempo, levanta discussões sobre concorrência, regulamentação e qualidade da formação de novos motoristas.

O que mudou nas regras da CNH?

Leia mais: CNH 2026: valor da renovação e regras de isenção

As novas diretrizes foram estabelecidas por resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), com o objetivo de flexibilizar o processo de habilitação e reduzir barreiras de acesso.

Redução da carga horária prática

Antes das mudanças, o candidato precisava cumprir uma carga mínima mais extensa de aulas práticas. Com a nova regra, apenas duas horas-aula passaram a ser obrigatórias, o que teoricamente reduziria custos.

Na prática, porém, o efeito foi o oposto.

Possibilidade de uso de veículo próprio

Outra mudança importante é a autorização para que candidatos realizem o exame prático com veículo próprio ou de terceiros, desde que atendam aos requisitos legais, como itens de segurança e regularização.

Essa flexibilização abriu espaço para o surgimento e crescimento de instrutores autônomos.

Por que o custo das aulas práticas aumentou?

Apesar da redução da carga obrigatória, diversos fatores contribuíram para o aumento expressivo no preço das aulas práticas.

Concorrência com instrutores autônomos

Com a nova regulamentação, muitos instrutores passaram a atuar de forma independente, oferecendo aulas fora do ambiente tradicional das autoescolas.

Esse movimento impactou diretamente os CFCs, que precisam arcar com uma estrutura mais complexa e regulamentada.

Segundo relatos do setor, essa concorrência tem sido considerada “desigual”, já que instrutores autônomos possuem menos custos operacionais.

Aumento de encargos e custos operacionais

Outro fator relevante é o aumento das despesas enfrentadas pelas autoescolas, incluindo:

  • Reajuste do ICMS sobre combustíveis
  • Encargos trabalhistas com funcionários CLT
  • Obrigações fiscais, como o Simples Nacional
  • Manutenção de veículos e estrutura física

Esses custos acabam sendo repassados ao consumidor.

Redução da quantidade mínima de aulas

Para compensar essa perda de receita, muitas autoescolas aumentaram o valor unitário da hora-aula.

Quanto custa tirar a CNH atualmente

Os valores variam de acordo com o estado e o pacote escolhido, mas alguns parâmetros ajudam a entender o cenário atual.

Preço das aulas práticas

  • Antes das mudanças: entre R$ 50 e R$ 60 por hora-aula
  • Após as mudanças: cerca de R$ 100 por hora-aula

Pacotes com mais aulas costumam oferecer descontos progressivos.

Taxas oficiais do Detran

Os custos básicos para obtenção da CNH incluem taxas obrigatórias, como exames e emissão do documento:

  • Categoria A (moto): cerca de R$ 389
  • Categoria B (carro): cerca de R$ 399
  • Categoria AB (moto + carro): cerca de R$ 516

Esses valores incluem:

  • Exame médico
  • Avaliação psicológica
  • Provas teórica e prática

Aluguel de veículo para exame

Mesmo com a possibilidade de uso de veículo próprio, muitos candidatos ainda dependem das autoescolas para realizar o exame prático.

Os valores médios são:

  • Categoria A: cerca de R$ 80
  • Categoria B: cerca de R$ 90

Impactos para candidatos e autoescolas

As mudanças nas regras da CNH geraram efeitos distintos para diferentes perfis de candidatos.

Quem já sabe dirigir?

Candidatos que já possuem prática tendem a se beneficiar, pois podem cumprir apenas o mínimo exigido e reduzir custos.

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Para iniciantes, o cenário é mais desafiador. Com aulas mais caras, o custo total da formação pode aumentar significativamente, especialmente para quem precisa de mais prática.

Crise nas autoescolas

Os centros de formação enfrentam um momento crítico, com:

  • Redução no número de alunos
  • Demissões em massa
  • Fechamento de unidades

Há relatos de empresas que reduziram drasticamente suas equipes e operações para sobreviver no novo cenário.

Debate sobre regulamentação e qualidade

Especialistas e representantes do setor levantam preocupações sobre os efeitos de longo prazo das mudanças.

Qualidade da formação

A redução da carga prática mínima pode comprometer a formação de motoristas, aumentando riscos no trânsito.

Falta de atualização nas taxas públicas

Enquanto as regras mudaram, muitas taxas cobradas pelos Detrans permanecem inalteradas, o que gera críticas do setor.

Necessidade de fiscalização

O crescimento de instrutores autônomos também levanta questionamentos sobre fiscalização e padronização do ensino.

O que esperar daqui para frente?

O mercado de formação de condutores está em fase de adaptação. Algumas tendências já podem ser observadas:

  • Maior digitalização do processo de habilitação
  • Crescimento de modelos híbridos de ensino
  • Pressão por revisão de taxas e regulamentações
  • Consolidação de autoescolas com maior capacidade financeira

Para o consumidor, a principal recomendação é pesquisar bem antes de contratar o serviço, avaliar pacotes e verificar a credibilidade da instituição ou profissional.

Considerações finais

As novas regras da CNH trouxeram mais flexibilidade ao processo de habilitação, mas também desencadearam efeitos colaterais importantes, como o aumento no custo das aulas práticas e a instabilidade no setor de autoescolas.

Embora a redução da carga horária obrigatória possa beneficiar candidatos mais experientes, iniciantes tendem a enfrentar um custo maior para adquirir a formação necessária.

O equilíbrio entre acessibilidade, qualidade e sustentabilidade do setor será fundamental para os próximos anos.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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