O processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem autoescola ganhou um novo capítulo nesta semana. Após forte repercussão e pressões do setor, o Governo Federal decidiu reconsiderar algumas regras propostas no novo texto que está em consulta pública até o dia 2 de novembro. Entre os pontos mais polêmicos, o destaque é a manutenção de um número mínimo de aulas práticas, embora reduzido em relação à legislação atual.
CNH sem autoescola cancelada? Entenda a situação
Governo reconsidera mudanças na CNH sem autoescola e define número mínimo de aulas práticas, mantendo instrutores autônomos e cursos online.
Leia mais:
Casas Bahia e Mercado Livre firmam parceria para impulsionar vendas
CNH sem autoescola: quais são as regras para motoristas de aplicativo?

Uma das principais dúvidas é se as novas regras da CNH sem autoescola se aplicam a motoristas de aplicativo. A resposta é sim. Todos os candidatos à habilitação, independentemente do objetivo profissional, precisarão cumprir o mínimo de aulas práticas estabelecido pelo Contran, o Conselho Nacional de Trânsito. A medida visa garantir que os condutores adquiram experiência suficiente para dirigir com segurança, ainda que a intenção seja reduzir custos no processo de obtenção da CNH.
Quando as novas regras passam a valer?
O texto ainda está em consulta pública, portanto, não há uma data definida para a implementação das mudanças. Após o período de consulta, o documento será enviado para votação no Contran. A expectativa é que, após aprovação, as regras entrem em vigor em 2026, beneficiando principalmente quem busca economizar tempo e dinheiro na obtenção da CNH.
Redução, mas não eliminação das aulas práticas
Inicialmente, o governo havia decidido cortar 100% da obrigatoriedade das aulas práticas em autoescolas, o que gerou críticas e preocupações sobre a formação adequada dos motoristas. No entanto, após pressão do Sindicato das Autoescolas, o novo texto prevê um número mínimo de horas para a realização das aulas práticas, embora ainda inferior às 20 horas atualmente exigidas por lei.
Segundo fontes da colunista Paula Gama, do Uol, o número exato de horas ainda não foi definido, mas não deve ultrapassar cinco horas-aula. A expectativa é que isso reduza significativamente o custo final da CNH, mantendo o equilíbrio entre economia e segurança no trânsito.
Por que a redução das horas práticas é relevante?
A diminuição das horas obrigatórias de direção visa baratear o processo de obtenção da CNH, tornando-o mais acessível para jovens e adultos que precisam do documento para trabalho ou mobilidade pessoal. No entanto, especialistas em trânsito alertam que reduzir demais as aulas pode impactar a qualidade da formação do motorista, aumentando o risco de acidentes.
Mantida a figura do instrutor autônomo

Outro ponto que permanece sem alterações no novo texto é a criação da categoria de instrutor autônomo, responsável por ministrar as aulas de direção fora das autoescolas tradicionais. A ideia do governo é que essa iniciativa contribua para reduzir custos, permitindo que os alunos paguem apenas pelo serviço do instrutor, sem taxas administrativas das instituições.
Como funcionará o instrutor autônomo?
O instrutor autônomo será regulamentado pelo Contran e deverá cumprir requisitos mínimos de qualificação profissional. A proposta prevê cursos de capacitação e certificação, garantindo que, mesmo sem vínculo com uma autoescola, o profissional ofereça aulas seguras e padronizadas.
Resistência do setor
Apesar das vantagens para os candidatos, as autoescolas seguem resistentes à mudança. O setor teme que a criação de instrutores autônomos diminua drasticamente a demanda por seus serviços, podendo impactar empregos e receitas. Por outro lado, o governo defende que a medida é essencial para democratizar o acesso à CNH.
Fim da obrigatoriedade da autoescola para aulas teóricas
Enquanto as aulas práticas terão um mínimo definido, as aulas teóricas provavelmente deixarão de ser obrigatórias nas autoescolas. O texto em consulta pública sugere a criação de cursos online gratuitos, que poderão ser realizados de forma autônoma pelo candidato, aumentando a flexibilidade e reduzindo ainda mais os custos.
Vantagens dos cursos teóricos online
- Acessibilidade: qualquer pessoa com acesso à internet poderá estudar;
- Flexibilidade: o aluno decide horário e ritmo de aprendizagem;
- Economia: elimina taxas e mensalidades de autoescolas para aulas teóricas.
Possíveis desafios
- Engajamento: sem a obrigatoriedade presencial, alguns candidatos podem não se dedicar;
- Fiscalização: será necessário acompanhamento rigoroso para garantir que o candidato complete o curso e adquira os conhecimentos necessários.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Impacto no custo final da CNH
A combinação da redução das aulas práticas, criação do instrutor autônomo e cursos teóricos online promete reduzir consideravelmente o custo da CNH, que hoje pode variar entre R$1.500 e R$2.500, dependendo da região e do tipo de autoescola. A expectativa do governo é que, com essas medidas, a CNH fique mais acessível, especialmente para jovens e trabalhadores de baixa renda.
Economia estimada
Ainda que os números exatos dependam da regulamentação final, especialistas estimam que a CNH possa ficar 30% a 50% mais barata do que o modelo atual, considerando menos horas práticas e ausência de taxas de autoescola para aulas teóricas.
Consulta pública: participação da sociedade

O processo de consulta pública até 2 de novembro é fundamental para definir os detalhes finais das regras. Qualquer cidadão pode enviar sugestões, críticas e questionamentos ao texto do Contran, contribuindo para uma decisão mais equilibrada e representativa.
Como participar
- Acesse o site do Contran e localize a seção de consulta pública sobre CNH sem autoescola;
- Leia atentamente o texto em análise;
- Envie comentários ou sugestões através do formulário disponibilizado.
Conclusão: blefe, arrependimento ou adaptação?
O movimento do governo em reconsiderar as aulas práticas parece uma mistura de blefe, arrependimento e adaptação às pressões do setor. Seja como for, a medida garante que a CNH sem autoescola mantenha um mínimo de formação prática, protegendo a segurança no trânsito, ao mesmo tempo em que busca reduzir custos para os candidatos.
Com a criação do instrutor autônomo e cursos teóricos online, o processo promete se tornar mais democrático, mas ainda gera debates sobre a qualidade da formação e o futuro das autoescolas tradicionais.
