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Quanto custa a CNH em cada estado? Confira

Veja quanto custa tirar a CNH em 2025 por estado, por que é caro e o projeto que propõe reduzir aulas práticas.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é mais do que um documento de trânsito. Para muitos brasileiros, representa mobilidade, oportunidades de trabalho e, principalmente, independência. No entanto, o alto custo para tirar a primeira habilitação ainda é uma grande barreira. Em 2025, os valores continuam elevados em praticamente todo o país, com grandes variações de estado para estado.

Além disso, uma proposta em análise pelo governo federal promete flexibilizar o processo de obtenção da CNH e reduzir significativamente os custos. A medida tem potencial para beneficiar especialmente as camadas mais pobres da população, que hoje estão excluídas do sistema.

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Imagem: Canva

Valor da CNH no Brasil: variação pode chegar a mais de R$ 3 mil

Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o custo médio da primeira habilitação na categoria AB (moto e carro) no Brasil gira em torno de R$ 2.500 a R$ 5.000, dependendo do estado.

O Rio Grande do Sul lidera o ranking das CNHs mais caras do país, com valor médio de R$ 4.951,35. Na outra ponta, a Paraíba tem o menor custo, com R$ 1.950,40.

Comparativo dos valores da primeira habilitação em cada estado

Abaixo, veja quanto custa, em média, tirar a primeira CNH em cada unidade da federação:

EstadoValor médio da CNH
RSR$ 4.951,35
MSR$ 4.477,95
BAR$ 4.120,75
MGR$ 3.968,15
SCR$ 3.906,90
ACR$ 3.906,60
RRR$ 3.828,40
APR$ 3.780,47
PRR$ 3.670,83
AMR$ 3.418,95
PER$ 3.416,44
SER$ 3.049,97
CER$ 3.020,97
DFR$ 3.005,67
TOR$ 2.985,33
MTR$ 2.964,04
MAR$ 2.858,01
RNR$ 2.806,00
PAR$ 2.802,45
GOR$ 2.600,39
RJR$ 2.567,82
PIR$ 2.401,00
ROR$ 2.355,22
ESR$ 2.338,76
ALR$ 2.069,14
SPR$ 1.983,90
PBR$ 1.950,40

Essa variação acontece por fatores como preço da gasolina (usada nas aulas práticas), tarifas estaduais, impostos e até mesmo o custo de vida da região.

Para 80% dos brasileiros, CNH é cara demais

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nexus, chamada Perfil do Condutor Brasileiro, revelou dados alarmantes:

  • 80% dos entrevistados consideram o valor da CNH caro ou muito caro.
  • 32% disseram não ter tirado a habilitação por causa do custo elevado.
  • Estima-se que 20 milhões de pessoas conduzem veículos sem a CNH no Brasil.
  • Entre os que ganham até um salário mínimo, 81% não têm o documento.

As regiões Nordeste (71%) e Norte (64%) lideram em número de pessoas não habilitadas. E ironicamente, em ambos os casos, os custos da CNH estão entre os mais altos, com destaque para Bahia (R$ 4.120,75) e Acre (R$ 3.906,60).

Proposta pode tornar autoescola opcional e reduzir custos

Aluna de autoescola junto ao seu instrutor em carro de aula prática.
Imagem: Antonio_Diaz / Shutterstock.com

Diante desse cenário, o Ministério dos Transportes finalizou um projeto que pode baratear significativamente o processo de habilitação no Brasil. O texto já foi encaminhado à Casa Civil da Presidência da República e aguarda aprovação.

O que muda com a proposta?

A principal mudança é a opcionalidade das aulas práticas. Ou seja, o candidato poderá decidir se deseja fazer todo o processo com uma autoescola, com um instrutor autônomo credenciado ou até mesmo por conta própria — respeitando as regras mínimas de segurança e prova de capacidade.

Principais pontos do projeto:

  • Fim da carga horária mínima obrigatória para as aulas práticas;
  • Instrutores autônomos poderão atuar fora das autoescolas, desde que credenciados;
  • Autoescolas continuam existindo, mas deixam de ser o único caminho para a formação de condutores;
  • Provas teóricas e práticas permanecem obrigatórias e aplicadas pelos Detrans;
  • Possibilidade de reduzir os custos pela metade em alguns casos, segundo projeções do setor.

A ideia é permitir mais liberdade de escolha ao cidadão e reduzir os custos indiretos associados à formação obrigatória em centros de formação de condutores (CFCs).

Autoescolas criticam projeto

Apesar da possível economia para o consumidor, a proposta encontra forte resistência das autoescolas. Representantes do setor argumentam que a medida pode comprometer a segurança viária e que a formação de condutores exige estrutura, treinamento e fiscalização adequados.

Argumentos contrários ao projeto

  • A formação livre poderia reduzir a qualidade dos motoristas.
  • Instrutores independentes podem não garantir os mesmos padrões de segurança.
  • A medida colocaria em risco milhares de empregos nas autoescolas.
  • Poderia aumentar o número de reprovações nos exames práticos.

Por outro lado, especialistas em mobilidade e trânsito veem na proposta uma chance de incluir economicamente milhões de brasileiros no sistema regular.

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O que é exigido atualmente para tirar a CNH?

Para obter a CNH na categoria AB (carro e moto), o candidato precisa seguir uma série de etapas exigidas pelos Detrans estaduais:

  1. Exames médicos e psicológicos
  2. Curso teórico de 45 horas/aula
  3. Prova teórica de legislação de trânsito
  4. Curso prático de direção (25h para carro e 20h para moto)
  5. Exame prático de direção veicular

A obrigatoriedade das aulas práticas representa a maior parte dos custos. Com a proposta de flexibilização, parte dessas aulas poderia ser feita com instrutor autônomo — ou até sem aulas formais, apenas com treinamento supervisionado — o que derrubaria os preços.

CNH Social: alternativa gratuita para quem tem baixa renda

Enquanto a proposta não avança, programas como o CNH Social seguem sendo uma alternativa viável para pessoas de baixa renda. Presentes em diversos estados, essas iniciativas bancam todos os custos do processo para quem atende a critérios como:

  • Estar inscrito no CadÚnico
  • Ter renda familiar per capita de até meio salário mínimo
  • Ser estudante da rede pública ou estar desempregado

Estados como Espírito Santo, Pernambuco, Ceará, Distrito Federal e Amazonas oferecem vagas todos os anos, mas a concorrência é alta e os editais variam de acordo com a disponibilidade de recursos.

O futuro da CNH no Brasil

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

A possível aprovação do projeto que torna autoescola opcional pode representar uma verdadeira revolução na maneira como os brasileiros tiram a habilitação. Se implementada, a mudança promete:

  • Acessibilidade para milhões de brasileiros hoje excluídos pelo custo;
  • Concorrência saudável no setor de formação de condutores;
  • Redução da informalidade, já que muitos dirigem sem habilitação por não poder pagar;
  • Desafios regulatórios, com necessidade de fiscalização mais ampla.

No entanto, o sucesso da medida dependerá de regulamentação eficaz, acompanhamento dos Detrans e investimentos em fiscalização, para evitar que a flexibilização leve à formação de motoristas despreparados.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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