A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é mais do que um documento de trânsito. Para muitos brasileiros, representa mobilidade, oportunidades de trabalho e, principalmente, independência. No entanto, o alto custo para tirar a primeira habilitação ainda é uma grande barreira. Em 2025, os valores continuam elevados em praticamente todo o país, com grandes variações de estado para estado.
Quanto custa a CNH em cada estado? Confira
Veja quanto custa tirar a CNH em 2025 por estado, por que é caro e o projeto que propõe reduzir aulas práticas.
Além disso, uma proposta em análise pelo governo federal promete flexibilizar o processo de obtenção da CNH e reduzir significativamente os custos. A medida tem potencial para beneficiar especialmente as camadas mais pobres da população, que hoje estão excluídas do sistema.
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Valor da CNH no Brasil: variação pode chegar a mais de R$ 3 mil
Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o custo médio da primeira habilitação na categoria AB (moto e carro) no Brasil gira em torno de R$ 2.500 a R$ 5.000, dependendo do estado.
O Rio Grande do Sul lidera o ranking das CNHs mais caras do país, com valor médio de R$ 4.951,35. Na outra ponta, a Paraíba tem o menor custo, com R$ 1.950,40.
Comparativo dos valores da primeira habilitação em cada estado
Abaixo, veja quanto custa, em média, tirar a primeira CNH em cada unidade da federação:
| Estado | Valor médio da CNH |
|---|---|
| RS | R$ 4.951,35 |
| MS | R$ 4.477,95 |
| BA | R$ 4.120,75 |
| MG | R$ 3.968,15 |
| SC | R$ 3.906,90 |
| AC | R$ 3.906,60 |
| RR | R$ 3.828,40 |
| AP | R$ 3.780,47 |
| PR | R$ 3.670,83 |
| AM | R$ 3.418,95 |
| PE | R$ 3.416,44 |
| SE | R$ 3.049,97 |
| CE | R$ 3.020,97 |
| DF | R$ 3.005,67 |
| TO | R$ 2.985,33 |
| MT | R$ 2.964,04 |
| MA | R$ 2.858,01 |
| RN | R$ 2.806,00 |
| PA | R$ 2.802,45 |
| GO | R$ 2.600,39 |
| RJ | R$ 2.567,82 |
| PI | R$ 2.401,00 |
| RO | R$ 2.355,22 |
| ES | R$ 2.338,76 |
| AL | R$ 2.069,14 |
| SP | R$ 1.983,90 |
| PB | R$ 1.950,40 |
Essa variação acontece por fatores como preço da gasolina (usada nas aulas práticas), tarifas estaduais, impostos e até mesmo o custo de vida da região.
Para 80% dos brasileiros, CNH é cara demais
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nexus, chamada Perfil do Condutor Brasileiro, revelou dados alarmantes:
- 80% dos entrevistados consideram o valor da CNH caro ou muito caro.
- 32% disseram não ter tirado a habilitação por causa do custo elevado.
- Estima-se que 20 milhões de pessoas conduzem veículos sem a CNH no Brasil.
- Entre os que ganham até um salário mínimo, 81% não têm o documento.
As regiões Nordeste (71%) e Norte (64%) lideram em número de pessoas não habilitadas. E ironicamente, em ambos os casos, os custos da CNH estão entre os mais altos, com destaque para Bahia (R$ 4.120,75) e Acre (R$ 3.906,60).
Proposta pode tornar autoescola opcional e reduzir custos

Diante desse cenário, o Ministério dos Transportes finalizou um projeto que pode baratear significativamente o processo de habilitação no Brasil. O texto já foi encaminhado à Casa Civil da Presidência da República e aguarda aprovação.
O que muda com a proposta?
A principal mudança é a opcionalidade das aulas práticas. Ou seja, o candidato poderá decidir se deseja fazer todo o processo com uma autoescola, com um instrutor autônomo credenciado ou até mesmo por conta própria — respeitando as regras mínimas de segurança e prova de capacidade.
Principais pontos do projeto:
- Fim da carga horária mínima obrigatória para as aulas práticas;
- Instrutores autônomos poderão atuar fora das autoescolas, desde que credenciados;
- Autoescolas continuam existindo, mas deixam de ser o único caminho para a formação de condutores;
- Provas teóricas e práticas permanecem obrigatórias e aplicadas pelos Detrans;
- Possibilidade de reduzir os custos pela metade em alguns casos, segundo projeções do setor.
A ideia é permitir mais liberdade de escolha ao cidadão e reduzir os custos indiretos associados à formação obrigatória em centros de formação de condutores (CFCs).
Autoescolas criticam projeto
Apesar da possível economia para o consumidor, a proposta encontra forte resistência das autoescolas. Representantes do setor argumentam que a medida pode comprometer a segurança viária e que a formação de condutores exige estrutura, treinamento e fiscalização adequados.
Argumentos contrários ao projeto
- A formação livre poderia reduzir a qualidade dos motoristas.
- Instrutores independentes podem não garantir os mesmos padrões de segurança.
- A medida colocaria em risco milhares de empregos nas autoescolas.
- Poderia aumentar o número de reprovações nos exames práticos.
Por outro lado, especialistas em mobilidade e trânsito veem na proposta uma chance de incluir economicamente milhões de brasileiros no sistema regular.
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O que é exigido atualmente para tirar a CNH?
Para obter a CNH na categoria AB (carro e moto), o candidato precisa seguir uma série de etapas exigidas pelos Detrans estaduais:
- Exames médicos e psicológicos
- Curso teórico de 45 horas/aula
- Prova teórica de legislação de trânsito
- Curso prático de direção (25h para carro e 20h para moto)
- Exame prático de direção veicular
A obrigatoriedade das aulas práticas representa a maior parte dos custos. Com a proposta de flexibilização, parte dessas aulas poderia ser feita com instrutor autônomo — ou até sem aulas formais, apenas com treinamento supervisionado — o que derrubaria os preços.
CNH Social: alternativa gratuita para quem tem baixa renda
Enquanto a proposta não avança, programas como o CNH Social seguem sendo uma alternativa viável para pessoas de baixa renda. Presentes em diversos estados, essas iniciativas bancam todos os custos do processo para quem atende a critérios como:
- Estar inscrito no CadÚnico
- Ter renda familiar per capita de até meio salário mínimo
- Ser estudante da rede pública ou estar desempregado
Estados como Espírito Santo, Pernambuco, Ceará, Distrito Federal e Amazonas oferecem vagas todos os anos, mas a concorrência é alta e os editais variam de acordo com a disponibilidade de recursos.
O futuro da CNH no Brasil

A possível aprovação do projeto que torna autoescola opcional pode representar uma verdadeira revolução na maneira como os brasileiros tiram a habilitação. Se implementada, a mudança promete:
- Acessibilidade para milhões de brasileiros hoje excluídos pelo custo;
- Concorrência saudável no setor de formação de condutores;
- Redução da informalidade, já que muitos dirigem sem habilitação por não poder pagar;
- Desafios regulatórios, com necessidade de fiscalização mais ampla.
No entanto, o sucesso da medida dependerá de regulamentação eficaz, acompanhamento dos Detrans e investimentos em fiscalização, para evitar que a flexibilização leve à formação de motoristas despreparados.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
