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BTG entra no mercado de maquininhas mesmo com Pix dominando pagamentos instantâneos

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 11 min de leitura
BTG PAY

O BTG Pactual decidiu ampliar sua presença no mercado de pagamentos e entrou oficialmente em uma disputa que já reúne bancos tradicionais, fintechs e empresas especializadas em maquininhas. O banco lançou o BTG Pay, plataforma que reúne uma maquininha própria e uma nova solução de cartão corporativo direcionada principalmente às transações entre empresas.

O movimento coloca o BTG em um mercado no qual nomes como Cielo, Rede, Getnet, Stone e PagBank disputam diariamente as vendas realizadas no varejo brasileiro. Mas a estratégia do banco vai além de simplesmente colocar uma nova maquininha sobre o balcão de lojas, restaurantes e outros estabelecimentos.

A proposta é usar os pagamentos como porta de entrada para uma plataforma mais ampla de serviços financeiros destinados a pequenas, médias e grandes empresas.

Um dos principais diferenciais está justamente no cartão corporativo BTG Pay. A solução foi criada para permitir que determinadas compras realizadas entre empresas sejam pagas por cartão, substituindo ou complementando métodos tradicionais como boletos, duplicatas, transferências bancárias e até mesmo o Pix.

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O que é o BTG Pay?

BTG PAY e pix
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O BTG Pay é a nova estrutura de pagamentos empresariais do BTG Pactual. A plataforma reúne serviços para receber vendas, acompanhar movimentações financeiras e realizar pagamentos corporativos.

Para o varejista, a parte mais visível da novidade é a maquininha.

O equipamento permite que estabelecimentos recebam pagamentos feitos pelos clientes e integra essas transações à conta empresarial e às ferramentas financeiras oferecidas pelo banco.

Na página destinada ao produto, o BTG informa que a maquininha permite receber por Pix, débito e crédito, inclusive com parcelamentos de até 18 vezes. A plataforma também disponibiliza recursos para acompanhamento de vendas, recebimentos, saldos e antecipações.

A estratégia, portanto, é fazer com que o empresário concentre parte maior de sua operação financeira dentro do próprio ecossistema do banco.

Por que o BTG está lançando uma maquininha mesmo com o avanço do Pix?

A entrada do BTG no setor acontece em um momento no qual o Pix já se transformou em um dos principais meios de pagamento utilizados pelos brasileiros.

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o Pix respondeu por 54,7% da quantidade de transações de pagamento realizadas no segundo semestre de 2025. Foram 42,9 bilhões de operações no período.

Isso não significa, entretanto, que o cartão esteja desaparecendo.

Crédito, débito e cartões pré-pagos responderam conjuntamente por 30,4% das transações no mesmo período, somando 23,8 bilhões de operações. Além disso, as transações realizadas com cartão de crédito cresceram 9,4% em comparação com o segundo semestre do ano anterior.

Esse cenário ajuda a explicar por que bancos continuam interessados no mercado de adquirência.

Na prática, Pix e cartões atendem necessidades diferentes. O Pix oferece liquidação rápida e facilidade para transferências, enquanto o cartão continua sendo usado para parcelamentos, organização de fluxo de caixa e concessão de prazo para pagamento.

É justamente nessa combinação que o BTG pretende crescer.

O que significa entrar no mercado de adquirência?

A adquirência é a área responsável pela infraestrutura que permite a uma empresa aceitar pagamentos com cartões.

Quando um consumidor aproxima ou insere o cartão em uma maquininha, existe uma cadeia de empresas trabalhando para autorizar e concluir aquela compra.

A adquirente conecta o estabelecimento ao sistema de pagamentos, processa a operação e participa do processo que leva o dinheiro até o vendedor.

Historicamente, esse mercado no Brasil ficou bastante associado a empresas ligadas a grandes bancos.

A Rede pertence ao Itaú, enquanto a Getnet está ligada ao Santander. A Cielo tem Banco do Brasil e Bradesco entre seus controladores.

Nos últimos anos, contudo, empresas como Stone e PagBank aumentaram a concorrência ao oferecer máquinas, contas digitais, antecipação de recebíveis e outros serviços dentro de uma mesma plataforma.

É justamente esse modelo mais amplo que também aparece na estratégia do BTG.

Maquininha é apenas uma parte da estratégia do BTG

Para entender o lançamento, é importante não olhar apenas para o equipamento utilizado no balcão.

A maquininha funciona como uma das portas de entrada do BTG Pay, mas o banco também quer participar das operações financeiras realizadas entre empresas.

Imagine uma pequena rede de restaurantes que precise comprar R$ 40 mil em bebidas, alimentos e outros produtos de seus fornecedores.

Hoje, essa aquisição pode ser paga por boleto, Pix, transferência ou por meio de uma negociação de prazo diretamente com o fornecedor.

Caso o restaurante não tenha dinheiro disponível imediatamente, outra possibilidade seria buscar uma linha de capital de giro.

É justamente nesse ponto que aparece a nova proposta do BTG.

Cartão BTG Pay quer levar crédito para compras entre empresas

O banco criou um cartão corporativo com a bandeira BTG Pay pensado para pagamentos feitos de empresa para empresa.

O modelo permite que uma companhia utilize um limite de crédito previamente aprovado para pagar determinado fornecedor.

Assim como acontece em outros produtos de crédito, o limite disponível depende da análise realizada pelo banco para cada cliente.

Isso significa que negócios de portes diferentes poderão receber limites muito distintos, de acordo com capacidade financeira, relacionamento com a instituição e avaliação de risco.

O objetivo é transformar parte das compras que hoje passam por boletos, duplicatas e transferências em pagamentos processados dentro do ecossistema BTG Pay.

Como isso pode funcionar na prática?

Considere uma indústria que precise adquirir uma máquina de R$ 500 mil.

No modelo convencional, comprador e fornecedor podem negociar o pagamento para 30, 60 ou 90 dias. Outra possibilidade seria a indústria buscar financiamento ou utilizar capital próprio para concluir a aquisição.

Com uma solução de crédito integrada ao pagamento, a operação ganha outra dinâmica.

O limite já concedido pelo banco pode ser utilizado para realizar a compra, enquanto o fornecedor recebe conforme as condições estabelecidas para a transação.

Para quem compra, o principal atrativo é preservar caixa e organizar a data em que o pagamento será efetivamente realizado.

Para quem vende, existe a possibilidade de reduzir parte da dependência de negociações informais de prazo diretamente com o cliente.

Esse modelo aproxima serviços de crédito e pagamento, duas áreas que tradicionalmente poderiam ser contratadas separadamente pelas empresas.

Data de pagamento poderá mudar conforme cada negociação

Outra característica relevante do BTG Pay está na flexibilidade dos vencimentos.

Em vez de trabalhar apenas com uma única data fixa para todas as compras realizadas no cartão, a estrutura permite ajustar as condições de cada operação.

Isso pode ser especialmente útil no ambiente empresarial.

Uma empresa pode comprar matéria-prima hoje, por exemplo, mas receber dos próprios clientes somente semanas depois. Nesse cenário, conseguir alinhar o vencimento de uma obrigação ao ciclo financeiro do negócio ajuda no planejamento do caixa.

A possibilidade de negociar prazos diferentes também aproxima o cartão corporativo de práticas já comuns nas relações comerciais entre fornecedores e compradores.

Cartão próprio não significa que a maquininha aceitará apenas BTG Pay

Existem duas partes diferentes dentro do lançamento.

De um lado está a maquininha BTG Pay, destinada ao recebimento das vendas dos estabelecimentos.

Do outro está o cartão corporativo com a marca BTG Pay, desenvolvido para determinadas operações empresariais.

Isso significa que o comerciante que contratar a maquininha não dependerá exclusivamente de consumidores utilizando cartões BTG.

A máquina foi desenvolvida para funcionar com os meios de pagamento disponibilizados pela plataforma, enquanto o cartão corporativo próprio representa uma solução específica dentro desse ecossistema.

Essa diferença é importante porque amplia o potencial de utilização da maquininha no varejo tradicional.

Pix deixou de ser ameaça para virar parte da própria maquininha

Outro aspecto interessante da disputa atual entre empresas de pagamento é que Pix e maquininha deixaram de ser necessariamente concorrentes.

Os equipamentos mais modernos passaram a oferecer o próprio Pix como alternativa de recebimento.

No BTG Pay isso também acontece.

O empresário pode concentrar diferentes formas de pagamento em uma mesma estrutura, enquanto acompanha os valores recebidos dentro da plataforma.

Essa integração tende a ficar ainda mais relevante com a evolução do Pix por aproximação e de outras tecnologias que aproximam a experiência do pagamento instantâneo daquela já conhecida nos cartões.

O Banco Central vem ampliando justamente essa jornada de pagamento presencial por Pix, inclusive permitindo sua utilização por aproximação em dispositivos compatíveis.

Quem pode contratar a maquininha BTG Pay?

BTG Pactual
Imagem: rafapress / shutterstock.com

A solução é destinada a clientes empresariais do BTG Pactual.

De acordo com as informações divulgadas pelo próprio banco, quem pretende contratar a maquininha precisa possuir uma conta BTG Pactual Empresas.

Depois disso, o cliente pode acessar a área BTG Pay pelo aplicativo ou site, simular as condições disponíveis e concluir a contratação.

A disponibilização do equipamento e das condições comerciais está sujeita à análise do banco.

Tarifas, prazos para recebimento e condições de antecipação podem variar conforme o perfil e a negociação realizada com cada empresa. Por isso, comparar o custo total da operação continua sendo fundamental antes de trocar de adquirente.

Empresário deve olhar além da taxa da maquininha

Preço continua sendo um dos principais critérios para escolher uma solução de pagamentos, mas não deveria ser o único.

Para uma pequena empresa, diferenças aparentemente pequenas nas taxas podem ganhar peso quando aplicadas sobre milhares de reais em vendas todos os meses.

Também é necessário verificar prazo de recebimento, custo de antecipação, estabilidade da máquina, suporte, integração com sistemas de gestão e condições para vendas parceladas.

A integração bancária também pode fazer diferença.

Uma empresa que já utiliza serviços do BTG pode considerar mais simples concentrar pagamentos, crédito e gestão de caixa na mesma instituição.

Quem utiliza outro banco, entretanto, deve comparar se essa integração realmente compensa eventuais diferenças de taxas ou serviços.

BTG quer disputar um mercado muito maior que o das maquininhas

O lançamento mostra uma transformação importante no mercado financeiro.

A disputa não acontece mais apenas para descobrir qual empresa terá sua maquininha instalada no maior número de estabelecimentos.

Bancos e fintechs querem controlar uma parcela maior da jornada financeira das empresas.

Isso envolve receber as vendas do consumidor, oferecer conta bancária, antecipar recebíveis, conceder capital de giro, disponibilizar cartões corporativos e financiar pagamentos realizados aos fornecedores.

Quanto mais etapas são realizadas na mesma plataforma, maior tende a ser o relacionamento financeiro entre empresa e instituição.

Para o BTG, portanto, a maquininha pode ser apenas a parte mais visível de uma estratégia muito maior.

O BTG Pay pode substituir Pix, boleto e duplicata?

Não necessariamente.

Esses instrumentos possuem características diferentes e provavelmente continuarão coexistindo.

O Pix é eficiente para pagamentos e transferências instantâneas. O boleto continua sendo bastante utilizado para cobranças. As duplicatas têm papel relevante nas vendas comerciais realizadas a prazo.

O cartão corporativo acrescenta uma alternativa.

Seu principal diferencial está justamente na possibilidade de combinar meio de pagamento, limite de crédito e prazo dentro da mesma operação.

Para empresas que precisam equilibrar datas de compra e entrada de receita, isso pode representar uma ferramenta adicional de gestão do capital de giro.

A decisão, entretanto, dependerá do custo oferecido pelo banco e das condições negociadas com fornecedores.

Entrada do BTG aumenta disputa pelos pagamentos das empresas

O BTG Pay mostra que, mesmo depois da expansão acelerada do Pix, o mercado brasileiro de cartões e maquininhas continua atraindo novos investimentos.

O Pix reduziu etapas, tornou transferências instantâneas e mudou profundamente a forma como brasileiros e empresas movimentam dinheiro.

Mas não eliminou a necessidade de crédito, parcelamento e prazo.

É justamente nessas áreas que o cartão continua tendo espaço.

Ao lançar uma maquininha própria e conectar o equipamento a soluções de crédito corporativo, o BTG tenta deixar de ser apenas o banco utilizado pelas empresas para guardar ou movimentar recursos.

A estratégia é participar também do momento em que o negócio vende, compra, paga fornecedores e decide como financiar essas operações.

Por isso, a nova maquininha pode chamar atenção no varejo, mas a disputa mais importante do BTG Pay provavelmente acontecerá longe do balcão: nos bilhões de reais movimentados diariamente nas transações entre empresas.

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