O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) decidiu elevar o teto de juros para empréstimos consignados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de 1,66% para 1,8% ao mês. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (9) e reflete pressões do mercado financeiro, que considera a taxa anterior inviável diante do cenário de alta dos juros no Brasil.
Governo sobe teto da taxa de juros do consignado do INSS para 1,8% ao mês
CNPS define novo teto de juros para empréstimos consignados do INSS, elevando a taxa de 1,66% para 1,8% ao mês.
Essa alteração impacta diretamente os aposentados e pensionistas do INSS, que utilizam o crédito consignado como alternativa para financiar despesas. Com a decisão, o mercado espera uma retomada na oferta desse tipo de empréstimo, que havia sido parcialmente suspenso por algumas instituições financeiras.
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Por que o teto de juros foi alterado?
Desde 2023, o Brasil enfrenta um ciclo de aumento na taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 12,25% ao ano. Esse cenário pressiona os custos de operação dos bancos, dificultando a concessão de crédito a taxas reduzidas.
Os bancos argumentaram que o teto anterior de 1,66% ao mês não cobria os custos administrativos e os riscos associados aos empréstimos consignados. Diante disso, algumas instituições financeiras decidiram suspender a oferta desse produto.
O aumento para 1,8% foi considerado um meio-termo entre a proposta das instituições financeiras, que pediam 1,99%, e a intenção do governo de manter as taxas acessíveis para aposentados e pensionistas.
Histórico recente do teto de juros do consignado
O teto de juros do crédito consignado para beneficiários do INSS já foi alterado diversas vezes nos últimos anos. Confira os principais marcos recentes:
- Maio de 2024: Redução do teto de 1,91% para 1,66%, acompanhando a queda da Selic, que estava em 10,5% ao ano.
- Dezembro de 2024: O Copom aumentou a Selic em 1 ponto percentual, elevando a taxa básica para 12,25%.
- Novembro de 2024: A Associação Brasileira de Bancos questionou no STF a competência do CNPS para definir o teto.
- Janeiro de 2025: Com o aumento para 1,8% ao mês, o governo busca equilibrar a necessidade de crédito acessível com a sustentabilidade das operações financeiras.
O que é o crédito consignado do INSS?

O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do tomador. No caso dos beneficiários do INSS, isso significa que as prestações são deduzidas do valor de aposentadorias ou pensões, garantindo aos bancos maior segurança no recebimento.
Por essa característica, os juros do crédito consignado costumam ser mais baixos que outras modalidades de crédito. Atualmente, existem 44 milhões de contratos ativos de crédito consignado no Brasil, segundo o portal da transparência do INSS.
Impactos para os aposentados e pensionistas
Vantagens do crédito consignado
- Juros mais baixos: Mesmo com o novo teto de 1,8%, o crédito consignado ainda é mais acessível do que outras opções, como empréstimos pessoais ou financiamentos.
- Facilidade de aprovação: A dedução direta do benefício reduz o risco de inadimplência, facilitando a aprovação do crédito.
Possíveis desvantagens
- Endividamento: Com maior acesso ao crédito, aposentados e pensionistas podem contrair dívidas que comprometam parte significativa de sua renda.
- Redução da margem consignável: Quanto maior o valor comprometido, menos renda sobra para outras despesas.
O que muda com o novo teto de juros?
A elevação do teto para 1,8% ao mês deve trazer algumas mudanças importantes no mercado e para os consumidores:
Retomada da oferta de crédito
A principal expectativa é que bancos que haviam suspendido a oferta de consignados voltem a disponibilizar o produto. Isso pode ampliar a concorrência e melhorar as condições para os tomadores.
Aumento do custo do crédito
Embora ainda seja uma das modalidades mais baratas, o crédito consignado terá um custo maior para os consumidores. Por exemplo, uma dívida de R$ 10 mil, antes financiada a 1,66%, passará a custar mais com o novo teto.
Como o aumento do teto reflete o cenário econômico?
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A decisão do CNPS está diretamente ligada ao contexto macroeconômico. A Selic elevada pressiona os custos operacionais dos bancos, enquanto a inflação alta reduz o poder de compra das famílias. Nesse cenário, o crédito consignado surge como uma alternativa importante para aposentados e pensionistas enfrentarem dificuldades financeiras.
Especialistas apontam que, apesar de o aumento de juros ser uma medida paliativa, ele não resolve o problema estrutural da dependência de crédito de muitos brasileiros. Além disso, há preocupações de que o endividamento entre os beneficiários do INSS possa crescer ainda mais.
Cuidados ao contratar crédito consignado
Antes de contratar um empréstimo consignado, é importante considerar algumas recomendações:
- Avalie a real necessidade do crédito: Contrate apenas se for indispensável.
- Compare ofertas: Pesquise entre diferentes bancos para encontrar as melhores condições.
- Fique atento à margem consignável: Evite comprometer mais de 30% de sua renda com o pagamento das parcelas.
- Desconfie de propostas facilitadas: Nunca aceite ofertas de crédito feitas por terceiros sem verificar a idoneidade da instituição.
- Leia o contrato com atenção: Certifique-se de entender todas as condições antes de assinar.
O que esperar para o futuro do crédito consignado?

A decisão de aumentar o teto de juros pode ser apenas um passo dentro de um contexto mais amplo. Analistas indicam que, com a Selic em níveis elevados, novas alterações podem ser necessárias nos próximos meses.
Por outro lado, se o ciclo de queda da taxa básica de juros retornar, como esperado por economistas, o CNPS pode novamente reduzir o teto do consignado para garantir condições mais favoráveis aos beneficiários do INSS.
Considerações finais
O aumento do teto de juros do crédito consignado para 1,8% ao mês reflete o desafio de equilibrar a acessibilidade ao crédito com a viabilidade econômica para os bancos. A decisão, embora controversa, atende parcialmente às demandas do setor financeiro, ao mesmo tempo em que busca preservar o acesso dos aposentados e pensionistas a essa modalidade de crédito.
Para os consumidores, a principal recomendação é usar o crédito com cautela, considerando suas necessidades reais e a capacidade de pagamento. Além disso, é fundamental estar atento às condições do mercado e às mudanças na política de juros, que podem impactar diretamente as finanças pessoais.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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