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Coca-Cola muda receita: entenda os efeitos do xarope de milho vs açúcar da cana na saúde

Coca-Cola anuncia nova fórmula nos EUA com açúcar da cana no lugar do xarope de milho. Entenda os impactos à saúde.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Coca-Cola muda receita: entenda os efeitos do xarope de milho vs açúcar da cana na saúde

Na terça-feira, 22 de julho de 2025, a Coca-Cola anunciou uma mudança importante na fórmula de seu refrigerante comercializado nos Estados Unidos.

Após pressão política, a empresa afirmou que lançará uma versão adoçada com açúcar da cana-de-açúcar no mercado norte-americano, substituindo o tradicional xarope de milho usado atualmente. A decisão, contudo, levanta a questão: essa troca impacta a saúde dos consumidores?

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A troca de ingredientes: por que a mudança nos EUA?

Coca-cola
Imagem: Michael Dechev / Shutterstock

Nos Estados Unidos, a Coca-Cola e a maioria dos refrigerantes utilizam o xarope de milho rico em frutose (HFCS, na sigla em inglês) como adoçante principal. O motivo histórico está relacionado ao preço menor do xarope frente ao açúcar tradicional, devido a subsídios agrícolas e políticas comerciais internas do país.

Por outro lado, em diversos mercados como México, Reino Unido, Austrália e o Brasil, a fórmula do refrigerante já utiliza o açúcar extraído da cana-de-açúcar, composto principalmente por sacarose. Esta diferença regional no adoçante tem raízes econômicas, culturais e até políticas.

A mudança anunciada pela Coca-Cola nos EUA tem influência direta da pressão exercida pelo ex-presidente Donald Trump e pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr, que defende o movimento “Make America Healthy Again” (Torne a América saudável novamente). Eles argumentam que o açúcar da cana seria uma alternativa mais saudável e natural em comparação ao xarope de milho, que estaria ligado a vários problemas de saúde.

Xarope de milho e açúcar da cana: quais as diferenças químicas?

O xarope de milho rico em frutose é uma mistura de glicose e frutose. A frutose tem sido alvo de estudos por seu impacto metabólico, podendo estar associada a resistência à insulina, aumento de triglicerídeos e acúmulo de gordura no fígado quando consumida em excesso.

Já o açúcar da cana, que é a sacarose, é um dissacarídeo composto por glicose e frutose em proporções semelhantes (50% glicose e 50% frutose). Ou seja, quimicamente, o açúcar da cana e o xarope de milho compartilham componentes semelhantes, mas em diferentes formas e proporções.

Impactos na saúde: existe diferença real?

Coca-Cola sendo colocada em copo
Imagem: Freepik/ Shutterstock

Açúcares e saúde: um alerta comum

Para a nutricionista Lívia Horácio, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), “a troca de xarope de milho por açúcar da cana-de-açúcar na composição da Cola-Cola não representa uma mudança significativa em termos de impacto nutricional”.

Isso porque, segundo ela, ambos os adoçantes são fontes de calorias vazias, com alto teor de açúcar e baixo valor nutricional. O consumo excessivo de qualquer tipo de açúcar está associado a uma série de problemas de saúde, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, acúmulo de gordura no fígado e até alterações no metabolismo cerebral.

Frutose x sacarose: uma diferença importante?

Apesar da composição química semelhante, a frutose tem sido mais estudada e vinculada a alterações metabólicas negativas. Em excesso, a frutose é metabolizada no fígado, podendo levar à resistência insulínica e disfunções metabólicas.

No entanto, o alerta dos especialistas é claro: o problema maior está na quantidade consumida e não na fonte do açúcar. Refrigerantes, sejam adoçados com xarope de milho ou açúcar da cana, possuem altos níveis de açúcar que devem ser evitados em excesso.

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Repercussões econômicas e políticas da mudança

A substituição do xarope de milho pelo açúcar da cana na Coca-Cola nos EUA pode trazer implicações econômicas, como a necessidade de importar açúcar, inclusive do Brasil, maior produtor mundial da commodity. Esse movimento pode favorecer o setor açucareiro brasileiro, mas também pode elevar o custo do produto final para o consumidor.

Politicamente, a iniciativa reforça a pressão para mudanças nos padrões alimentares e nas regulamentações de produtos industrializados no país. Robert F. Kennedy Jr tem sido crítico quanto à quantidade de açúcar consumida nos Estados Unidos e pretende atualizar as diretrizes alimentares nacionais para restringir ingredientes considerados prejudiciais, incluindo o xarope de milho.

Conclusão: uma mudança cosmética ou de saúde?

Embora a troca do adoçante na Coca-Cola nos EUA seja apresentada como um avanço para a saúde pública por políticos e ativistas, a comunidade científica alerta para a importância de reduzir o consumo total de açúcares adicionados, independentemente da fonte.

O verdadeiro impacto na saúde pública dependerá de uma mudança mais ampla no padrão alimentar da população, reduzindo o consumo de bebidas açucaradas e industrializadas, e promovendo hábitos mais saudáveis.

Enquanto isso, consumidores da Coca-Cola devem manter o olhar crítico e buscar informações confiáveis, lembrando que nem todo adoçante “natural” é automaticamente mais saudável — o que conta mesmo é o equilíbrio no consumo.

Imagem: Nitiphonphat/ Shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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