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Cofrinhos digitais viram alternativa à poupança; compare quanto cada um rende

Cofrinhos podem superar a poupança, mas taxas, impostos e resgate variam. Veja como funcionam as opções oferecidas pelos bancos.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··8 min de leitura
Cofrinhos digitais viram alternativa à poupança; compare quanto cada um rende

Os cofrinhos e caixinhas digitais estão ganhando espaço entre brasileiros que procuram uma alternativa simples à poupança. A mudança acontece em um momento de forte retirada de recursos da modalidade mais tradicional do país: no primeiro semestre de 2026, os saques superaram os depósitos da poupança em R$ 39,3 bilhões.

A promessa dos bancos é atraente. Pelo próprio aplicativo, o cliente consegue separar dinheiro para uma viagem, reserva de emergência, reforma ou outra meta e, em muitos casos, receber 100% do CDI ou mais.

Mas há uma diferença importante: cofrinho não é uma modalidade específica de investimento. Por trás do nome podem existir CDBs, RDBs ou fundos de renda fixa, cada um com regras próprias de rendimento, impostos, liquidez e proteção.

Por isso, antes de retirar o dinheiro da poupança, é necessário entender exatamente onde ele será aplicado.

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Por que os cofrinhos podem render mais que a poupança?

Cofrinhos
Imagem: Canva

Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR).

Já muitos cofrinhos utilizam CDBs ou RDBs vinculados ao CDI, taxa que normalmente acompanha de perto a Selic. Nesse cenário, aplicações que pagam 100% do CDI ou mais podem superar a rentabilidade da poupança.

Existe, porém, uma diferença tributária.

A poupança é isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas. CDBs e RDBs sofrem cobrança de IR sobre os rendimentos conforme o período da aplicação.

Também pode haver IOF se o resgate acontecer nos primeiros 30 dias.

Portanto, a comparação correta deve considerar o rendimento líquido, e não apenas o percentual exibido pelo aplicativo.

CDB e RDB têm proteção do FGC

Grande parte das caixinhas utiliza CDB ou RDB. Esses produtos estão entre os investimentos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A cobertura ordinária chega a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, considerando os produtos elegíveis.

Isso significa que dividir R$ 200 mil em cinco caixinhas de R$ 40 mil dentro do mesmo banco não cria cinco garantias diferentes.

O limite considera a exposição total naquela instituição ou conglomerado.

Fundos de investimento, por outro lado, não possuem cobertura do FGC. Essa diferença aparece justamente em algumas das opções oferecidas pelos grandes bancos.

Quanto rendem os principais cofrinhos em 2026?

As condições variam bastante. Enquanto algumas instituições oferecem 100% do CDI com poucas exigências, outras anunciam taxas maiores condicionadas ao relacionamento do cliente ou ao tempo em que o dinheiro permanecer aplicado.

Cofrinho BB

O Banco do Brasil adota uma estrutura diferente de boa parte dos concorrentes.

O dinheiro colocado no Cofrinho BB é direcionado ao fundo BB Renda Fixa Simples Reserva – Cofrinho, que busca acompanhar a Selic.

A aplicação pode começar com apenas R$ 0,01.

Como se trata de um fundo de investimento e não de um CDB, o dinheiro não possui cobertura do FGC.

O recurso é voltado principalmente para organização de metas e permite programar aportes pelo aplicativo.

Cofrinhos do Itaú

No Itaú, os Cofrinhos utilizam um CDB DI emitido pela própria instituição.

A aplicação começa em R$ 1 e rende 100% do CDI, segundo as condições divulgadas pelo banco.

Como é um CDB, existe proteção do FGC dentro dos limites estabelecidos.

Há cobrança de Imposto de Renda sobre os rendimentos e de IOF caso o dinheiro seja retirado antes de completar 30 dias.

Caixinhas do Nubank

O Nubank possui diferentes opções de Caixinhas.

Nas modalidades tradicionais, existem alternativas com rendimento de 100% do CDI. Já a Caixinha Turbo oferece percentuais maiores para clientes que cumprem determinadas condições.

A modalidade pode chegar a 115% do CDI para clientes elegíveis e até 120% do CDI em determinados segmentos, como clientes que atendem às condições específicas estabelecidas pela instituição.

A taxa turbinada pode ter limite de saldo e exigências de relacionamento. Por isso, o cliente precisa conferir no próprio aplicativo qual condição está disponível para sua conta.

Os RDBs utilizados nessas modalidades possuem cobertura do FGC dentro dos limites aplicáveis.

Investimento por Objetivo do C6

O C6 Bank disponibiliza o Investimento por Objetivo na C6 Yellow, conta voltada para crianças e adolescentes.

A ferramenta permite criar até três metas e direciona o dinheiro para um CDB de liquidez diária.

A rentabilidade divulgada é de 102% do CDI, com proteção do FGC.

Para clientes adultos, o banco possui outros CDBs e investimentos com condições próprias, portanto a taxa da C6 Yellow não deve ser considerada uma oferta geral para todos os correntistas.

Cofrinho do PagBank

O PagBank chama atenção pelo percentual máximo anunciado no Cofrinho Turbinado: até 130% do CDI.

Mas é justamente aqui que o consumidor precisa observar as letras miúdas.

Para determinados valores, a taxa máxima depende do tempo em que o dinheiro permanece aplicado. Nas condições divulgadas para saldos de até R$ 10 mil, chegar aos 130% do CDI exige manter o investimento pelo período estabelecido pela instituição.

Um resgate antecipado pode resultar em uma rentabilidade muito menor.

Portanto, essa opção pode fazer sentido para uma meta planejada, mas exige mais atenção se o dinheiro fizer parte da reserva de emergência.

Meu Porquinho do Inter

O Inter oferece o Meu Porquinho, ferramenta que utiliza CDB em determinadas modalidades.

A instituição informa rendimento de até 100% do CDI, dependendo da opção utilizada.

O produto possui cobertura do FGC e alternativas com liquidez diária.

Há, entretanto, horários em que o resgate pode ficar temporariamente indisponível por manutenção do sistema. Para quem pretende utilizar o dinheiro como reserva de emergência, vale conferir essas condições antes da aplicação.

Qual cofrinho rende mais?

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Olhar somente para o maior percentual pode levar a uma escolha errada.

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Uma oferta de 130% do CDI parece automaticamente superior a outra de 100%, mas pode exigir que o dinheiro fique investido por muitos meses.

Da mesma forma, uma caixinha de 115% ou 120% do CDI pode limitar o valor que recebe a remuneração turbinada ou exigir determinada movimentação da conta.

Para uma pessoa que pretende utilizar o dinheiro em poucos meses, um CDB de 100% do CDI com liquidez imediata pode ser mais adequado do que uma alternativa com taxa superior e prazo mínimo.

A finalidade do dinheiro precisa vir antes da rentabilidade.

Quanto o imposto reduz o rendimento?

CDBs e RDBs seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda sobre os rendimentos:

  • até 180 dias: 22,5%;
  • de 181 a 360 dias: 20%;
  • de 361 a 720 dias: 17,5%;
  • acima de 720 dias: 15%.

Quem retirar o dinheiro antes de completar 30 dias também pode pagar IOF sobre o rendimento.

A alíquota do IOF é elevada nos primeiros dias e diminui progressivamente até chegar a zero no 30º dia.

Isso não significa perder parte do dinheiro originalmente aplicado. Os impostos incidem sobre os rendimentos conforme as regras tributárias.

Cofrinho é bom para reserva de emergência?

Pode ser, desde que tenha liquidez adequada.

Uma reserva de emergência precisa estar disponível rapidamente. Por isso, uma taxa ligeiramente maior não compensa necessariamente um produto que imponha dificuldades para retirar o dinheiro.

Antes de utilizar uma caixinha para essa finalidade, o consumidor deve verificar se o resgate é imediato, se funciona em fins de semana e feriados e se existe alguma redução de rentabilidade pelo saque antecipado.

Também é importante saber qual investimento está por trás do cofrinho e se existe cobertura do FGC.

Vale criar várias caixinhas?

Separar o dinheiro pode ser uma boa estratégia de organização.

Uma pessoa pode manter, por exemplo, uma caixinha para emergência, outra para férias e uma terceira para despesas anuais, como IPVA e IPTU.

Isso ajuda a evitar que o dinheiro destinado a uma meta seja gasto no cotidiano.

Mas criar dez caixinhas no mesmo banco não significa diversificar os investimentos.

Se todas utilizarem um CDB emitido pela mesma instituição, o risco continua concentrado no mesmo emissor. O que mudou foi apenas a organização visual do dinheiro.

Vale trocar a poupança pelos cofrinhos?

Em um ambiente de juros elevados, CDBs e RDBs que pagam 100% do CDI ou mais podem oferecer rendimento competitivo em relação à poupança.

Mas não existe uma resposta única para todos.

A poupança possui isenção de IR para pessoas físicas e simplicidade. Os cofrinhos, por sua vez, podem oferecer rentabilidade superior e ferramentas úteis para separar objetivos financeiros.

Antes de transferir o dinheiro, o consumidor deve conferir rentabilidade, tributação, liquidez, prazo, condições promocionais e proteção do FGC.

A taxa anunciada também não deve ser analisada isoladamente. Um cofrinho de 130% do CDI pode ser interessante para uma meta de longo prazo, enquanto uma opção de 100% do CDI com resgate imediato pode fazer mais sentido para uma reserva de emergência.

No fim, o melhor cofrinho não é necessariamente aquele que exibe o maior percentual na tela, mas aquele cujas regras combinam com quando e para que o dinheiro será utilizado.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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