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Aposentadoria do INSS: o que influencia o valor do benefício

Saiba como aumentar o valor da aposentadoria do INSS, entender as regras atuais e planejar contribuições para receber mais no futuro.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
INSS

Receber uma aposentadoria acima do salário mínimo é o objetivo de milhões de trabalhadores brasileiros. No entanto, os números mostram que essa realidade ainda está distante para a maioria dos segurados. Atualmente, mais de 60% dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) correspondem ao piso previdenciário.

A situação reflete uma combinação de fatores, incluindo salários mais baixos ao longo da vida profissional, contribuições reduzidas e mudanças nas regras trazidas pela Reforma da Previdência de 2019. Com as novas normas, o cálculo da aposentadoria passou a considerar todo o histórico contributivo do trabalhador, tornando o planejamento previdenciário ainda mais importante.

Quem deseja receber um benefício superior ao mínimo nacional precisa entender como funciona a fórmula de cálculo, quais modalidades de contribuição permitem valores maiores e quais estratégias legais podem ser utilizadas para melhorar a renda na aposentadoria.

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Por que a maioria dos aposentados recebe apenas o salário mínimo?

Aposentadoria
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O sistema previdenciário brasileiro funciona com base nas contribuições feitas ao longo da vida laboral. Em teoria, quanto maior o valor contribuído e quanto mais tempo o trabalhador permanecer contribuindo, maior tende a ser o benefício futuro.

Entretanto, boa parte dos brasileiros enfrenta uma realidade marcada por salários próximos ao piso nacional, períodos de informalidade e contribuições reduzidas.

Além disso, existem categorias que recolhem alíquotas simplificadas, como:

  • Microempreendedores Individuais (MEIs);
  • Segurados facultativos de baixa renda;
  • Contribuintes individuais que optam pelo plano simplificado.

Essas modalidades oferecem acesso à proteção previdenciária, mas limitam o valor da aposentadoria ao salário mínimo.

O que mudou com a Reforma da Previdência?

A aprovação da Emenda Constitucional nº 103, em novembro de 2019, alterou significativamente as regras de aposentadoria.

Entre as principais mudanças estão:

Fim da aposentadoria por tempo de contribuição

Antes da reforma, muitos trabalhadores conseguiam se aposentar apenas pelo tempo de recolhimento ao INSS, sem necessidade de idade mínima.

Com as novas regras, a idade passou a ser um requisito obrigatório para a maioria dos segurados.

Novo cálculo do benefício

Uma das mudanças mais importantes foi a forma de calcular o valor da aposentadoria.

Antes da reforma, o INSS descartava parte das menores contribuições na hora de calcular a média salarial.

Agora, todas as contribuições realizadas desde julho de 1994 entram na conta.

Isso significa que salários baixos registrados ao longo da carreira podem reduzir significativamente o valor final do benefício.

Como funciona o cálculo da aposentadoria atualmente?

A regra geral estabelece que o segurado recebe inicialmente 60% da média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994.

A partir desse percentual inicial, são acrescentados:

  • 2% por ano que exceder 20 anos de contribuição para homens;
  • 2% por ano que exceder 15 anos de contribuição para mulheres.

Exemplo prático

Imagine um homem que contribuiu durante 30 anos.

Nesse caso, ele terá:

  • 60% iniciais;
  • Mais 20% referentes aos 10 anos que ultrapassaram os 20 anos mínimos.

O resultado será um benefício equivalente a 80% da média salarial.

Se o objetivo for receber R$ 5.000 por mês na aposentadoria, será necessário que os 80% representem esse valor.

Nesse cenário, a média salarial ao longo da vida precisaria ser próxima de R$ 6.250.

Esse exemplo demonstra como a renda durante a carreira influencia diretamente o benefício futuro.

Contribuir mais garante aposentadoria maior?

A resposta é sim, mas dentro das regras estabelecidas pela Previdência Social.

No caso dos trabalhadores com carteira assinada, os descontos são feitos automaticamente sobre o salário registrado.

Não é possível simplesmente solicitar à empresa um desconto maior para aumentar a aposentadoria.

O INSS considera apenas contribuições vinculadas à remuneração efetivamente recebida.

O que fazer quando o salário é inferior à meta desejada?

Quem possui atividades paralelas pode realizar contribuições adicionais como contribuinte individual.

Entre os exemplos estão:

  • Prestação de serviços;
  • Trabalhos autônomos;
  • Consultorias;
  • Atividades profissionais independentes.

Nesses casos, é possível recolher contribuições complementares por meio da Guia da Previdência Social (GPS), aumentando o histórico contributivo.

No entanto, é fundamental que exista efetivamente uma atividade remunerada que justifique o recolhimento.

O impacto das alíquotas no valor da aposentadoria

Muitos trabalhadores escolhem planos simplificados para reduzir o valor pago mensalmente ao INSS.

Embora isso represente economia no presente, pode resultar em benefícios menores no futuro.

Contribuição de 5%

A alíquota de 5% é destinada principalmente a:

  • MEIs;
  • Segurados facultativos de baixa renda inscritos no Cadastro Único.

Essa modalidade garante proteção previdenciária, mas limita a aposentadoria ao salário mínimo.

Contribuição de 11%

O plano simplificado de 11% é utilizado por muitos autônomos.

Ele também restringe o benefício ao piso nacional e não permite acesso às regras que utilizam salários superiores para cálculo.

Contribuição de 20%

A modalidade mais completa é a contribuição de 20% sobre a renda declarada.

Ela permite que os valores recolhidos sejam considerados integralmente no cálculo da média salarial.

Para quem busca uma aposentadoria superior ao salário mínimo, essa costuma ser a opção mais adequada.

O que o MEI precisa fazer para receber mais que o salário mínimo?

O Microempreendedor Individual possui uma situação específica.

O pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) garante acesso aos benefícios previdenciários, mas limita a aposentadoria ao piso nacional.

Quem deseja receber mais precisa realizar uma complementação previdenciária.

Como funciona a complementação?

O MEI pode recolher uma contribuição adicional ao INSS para que sua contribuição alcance a alíquota cheia de 20%.

Com isso, o período passa a contar para regras que consideram salários superiores ao mínimo.

Essa estratégia é frequentemente utilizada por empreendedores que desejam aumentar sua renda previdenciária futura.

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E os servidores públicos?

Os servidores efetivos vinculados aos regimes próprios de previdência possuem regras diferentes das aplicadas aos segurados do INSS.

Dependendo da data de ingresso no serviço público e das regras de transição aplicáveis, muitos servidores conseguem manter uma relação mais próxima entre o salário da ativa e o benefício da aposentadoria.

Entretanto, reformas previdenciárias também alteraram as regras do funcionalismo ao longo dos últimos anos, tornando importante a análise individual de cada caso.

Como saber quanto você vai receber do INSS?

Uma das ferramentas mais importantes para o planejamento previdenciário é o simulador disponível no portal Meu INSS.

O recurso permite verificar:

  • Tempo de contribuição acumulado;
  • Tempo restante para aposentadoria;
  • Regras aplicáveis ao segurado;
  • Estimativa do valor do benefício.

Como acessar a simulação

  1. Entre no portal ou aplicativo Meu INSS;
  2. Faça login com sua conta Gov.br;
  3. Selecione a opção “Simular Aposentadoria”;
  4. Confira os dados apresentados pelo sistema.

A simulação não possui caráter definitivo, mas oferece uma visão bastante próxima da realidade previdenciária do trabalhador.

Vale a pena investir apenas no INSS?

Especialistas em planejamento financeiro costumam recomendar que a aposentadoria não dependa exclusivamente do INSS.

Isso acontece porque o sistema previdenciário foi criado para fornecer proteção básica de renda, não necessariamente para manter o mesmo padrão de vida da fase ativa.

Alternativas para complementar a aposentadoria

Entre as opções mais utilizadas estão:

  • Previdência privada;
  • Tesouro Direto;
  • Fundos de investimento;
  • Ações geradoras de dividendos;
  • Fundos imobiliários;
  • Imóveis para aluguel.

A combinação entre Previdência Social e investimentos privados pode proporcionar uma renda mais confortável na aposentadoria.

Erros que podem reduzir sua aposentadoria

Alguns equívocos comuns podem impactar negativamente o benefício futuro.

Contribuir por poucos anos

Quanto menor o tempo de contribuição, menor tende a ser o percentual aplicado sobre a média salarial.

Ficar longos períodos sem contribuir

Períodos extensos de informalidade podem prejudicar o histórico previdenciário.

Utilizar apenas planos simplificados

Embora sejam mais baratos, os planos de 5% e 11% limitam o valor da aposentadoria ao salário mínimo.

Não acompanhar o CNIS

O Cadastro Nacional de Informações Sociais reúne todo o histórico de contribuições do trabalhador.

Erros cadastrais podem reduzir o benefício se não forem corrigidos antes da aposentadoria.

Planejamento previdenciário se tornou indispensável

Aposentadoria
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

As regras atuais tornaram a aposentadoria mais dependente do histórico completo de contribuições. A estratégia utilizada por muitos trabalhadores no passado, de aumentar os recolhimentos apenas nos últimos anos da carreira, perdeu eficácia após a Reforma da Previdência.

Quem deseja receber acima do salário mínimo precisa acompanhar regularmente seu extrato previdenciário, utilizar o simulador do Meu INSS, avaliar a necessidade de contribuições complementares e, sempre que possível, construir fontes adicionais de renda para o futuro.

O planejamento antecipado continua sendo o principal diferencial entre quem chegará à aposentadoria dependente apenas do piso previdenciário e quem conseguirá manter um padrão financeiro mais confortável após encerrar a vida profissional.

Conclusão

Receber uma aposentadoria acima do salário mínimo exige planejamento de longo prazo e atenção às regras da Previdência Social. Com o cálculo atual considerando todo o histórico de contribuições, manter recolhimentos regulares e compatíveis com a renda desejada no futuro se tornou fundamental. Além disso, acompanhar o extrato previdenciário, utilizar o simulador do Meu INSS e buscar formas de complementar a renda para a aposentadoria podem fazer toda a diferença. Quanto mais cedo o trabalhador começar a se organizar, maiores serão as chances de garantir um benefício capaz de proporcionar mais segurança financeira na fase de descanso.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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