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Como o governo irá incorporar o dinheiro esquecido dos brasileiros?

Entenda como o Projeto de Lei nº 1847/2024 permitirá ao governo federal incorporar dinheiro dos valores esquecidos em contas bancárias.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Como o governo irá incorporar o dinheiro esquecido dos brasileiros?

O Projeto de Lei nº 1847/2024, sancionado pelo presidente Lula em 16 de setembro de 2024, estabelece diretrizes para a incorporação de dinheiro de valores esquecidos por cidadãos e empresas nas instituições financeiras ao Tesouro Nacional.

Essa medida visa solucionar a questão de R$ 16,2 bilhões que, segundo estimativas do Banco Central, estão parados e não foram reclamados.

O PL inclui não apenas a destinação de valores esquecidos, mas também prevê a reoneração gradual da folha de pagamentos em 17 setores da economia.

A lei é uma continuidade de um trabalho já realizado pelo governo, que busca fomentar a economia e garantir que recursos não reclamados sejam utilizados de maneira produtiva.

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Titulares têm prazo para resgatar dinheiro

dinheiro esquecido
Imagem: Brastock / shutterstock.com

Após a sanção da lei, os titulares de contas têm um período de 30 dias para solicitar a devolução dos valores esquecidos. O Ministério da Fazenda divulgará um edital com informações sobre os valores recolhidos e as instituições depositárias.

Após essa fase inicial, os cidadãos terão mais 30 dias para contestar a incorporação do dinheiro dos valores ao Tesouro. Caso o dinheiro não seja reivindicado, os titulares ainda podem entrar com uma ação judicial no prazo de seis meses.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo enfatizou que “não existe confisco de dinheiro depositado em contas bancárias”, e que os correntistas têm direitos garantidos para o resgate de suas quantias esquecidas.

Como consultar os valores esquecidos

Os cidadãos podem verificar se possuem dinheiro esquecido no Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central. Para acessar, é necessário informar o CPF e a data de nascimento. O SVR, que ficou suspenso para melhorias desde janeiro de 2022, reabriu em março de 2023, permitindo que os brasileiros consultem tanto suas próprias contas quanto as de pessoas falecidas.

Os valores podem ser consultados diretamente pelo site, e o processo de resgate requer que o usuário faça login utilizando sua conta no gov.br. Essa facilidade é uma forma de garantir que todos tenham acesso à informação sobre recursos que podem ser devolvidos.

Quais foram os vetos do presidente Lula?

Durante a sanção da lei, o presidente Lula vetou quatro dispositivos. O principal veto foi relacionado ao prazo que permitia a reclamação do dinheiro até 31 de agosto, considerado contraproducente para o interesse público. O governo acredita que dar um prazo mais amplo aumenta a chance de que os titulares consigam recuperar seus valores.

Além disso, Lula vetou um artigo que propunha a criação de centrais de cobrança para créditos não tributários, alegando que isso invadia competências do Poder Executivo. Esses vetos visam garantir que a lei não comprometa a gestão e a arrecadação fiscal, mantendo a responsabilidade governamental.

Ministério Afirma que Não é Confisco

Governo dobrar imposto
Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda deixou claro que os recursos que serão incorporados ao Tesouro Nacional são aqueles que ficaram sem movimentação ou reclamação e não podem ser considerados como confiscados.

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Em nota, o ministério explicou que “não há que se falar em confisco”, já que se trata de valores que não foram objeto de reclamação em conformidade com a nova lei.

Essa abordagem é fundamental para diferenciar a atual situação do que ocorreu em 1990, quando o governo do ex-presidente Fernando Collor decretou o confisco de contas bancárias, um episódio que gerou grande descontentamento popular e histórico.

Conclusão

A incorporação de dinheiro de valores esquecidos é uma medida que busca não apenas reintegrar recursos à economia, mas também garantir direitos aos cidadãos.

O governo federal, através da nova lei, oferece um caminho claro para que os brasileiros possam acessar os valores que lhes pertencem, sem a preocupação de um confisco como o vivido em anos passados.

A transparência e a possibilidade de consulta por meio do SVR são passos importantes na construção de uma relação mais próxima entre o governo e a população, assegurando que todos tenham a chance de reaver o que é seu por direito.

Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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