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Compras internacionais caem 38% com novo imposto sobre roupas importadas

A criação do imposto de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares reduziu em 38% as compras no exterior. Entenda!

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
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A cobrança do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até 50 dólares — popularmente chamada de taxa das blusinhas — vem alterando o comportamento do consumidor brasileiro. Em pouco mais de um ano, o percentual de pessoas que desistem de concluir pedidos em sites estrangeiros saltou de 13% para 38%, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Nexus, comparando dados de maio de 2024 com outubro de 2025.

O novo cenário reflete uma mudança estrutural no comércio eletrônico transnacional. O custo adicional, somado à demora na entrega e às variações cambiais, tem levado milhões de brasileiros a reavaliar a vantagem de comprar fora do país.

O impacto direto do novo imposto

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Imagem: William Potter / Shutterstock.com

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O Imposto de Importação para compras de até 50 dólares, implementado em 2024, aplica uma alíquota de 20% sobre o valor do produto, frete incluso. Para itens acima de 50,01 dólares e até 3.000 dólares, a taxa chega a 60%, com um desconto fixo de 20 dólares.

Essa mudança ampliou o custo final das mercadorias e afetou principalmente consumidores que antes viam nas plataformas estrangeiras uma alternativa mais barata.

Perfil dos consumidores mais afetados

De acordo com os dados da CNI, o efeito da taxação é mais perceptível entre grupos com maior poder de compra e escolaridade:

Faixa de consumidoresPercentual que desistiu da compra
Ensino superior completo51%
Jovens de 16 a 24 anos46%
Adultos de 25 a 40 anos46%
Renda acima de 5 salários mínimos45%

O estudo aponta que esses grupos são os que mais realizavam compras internacionais antes da taxação e, portanto, sentiram de forma mais intensa a nova tributação.

O peso do ICMS e dos custos adicionais

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que incide sobre importações, também vem ganhando relevância na decisão de compra. O número de consumidores que deixaram de importar devido ao ICMS subiu de 32% para 36% entre 2024 e 2025.

Os dados revelam que os mesmos perfis mais atingidos pela taxa das blusinhas também são os que mais deixaram de comprar por causa do ICMS:

PerfilPercentual que desistiu por causa do ICMS
Ensino superior completo48%
Jovens até 40 anos45%
Renda acima de 5 salários mínimos41%

O aumento da desistência mostra que, para muitos consumidores, o conjunto de tributos tornou as compras internacionais pouco vantajosas.

Redirecionamento do consumo

A pesquisa mostra, porém, que o desinteresse pelas importações não significou uma retração total no consumo. O comportamento de compra apenas foi redirecionado para o mercado interno.

Crescimento das compras nacionais

Entre os entrevistados, 32% afirmaram que passaram a procurar produtos semelhantes com entrega nacional — um aumento de dez pontos percentuais em relação ao ano anterior. Isso indica uma oportunidade para o comércio eletrônico brasileiro, que começa a absorver parte da demanda que antes era direcionada a sites internacionais.

Tipo de comportamentoPercentual em 2024Percentual em 2025
Busca por similares nacionais22%32%
Desistência total da compra58%42%
Compra em loja física13%14%
Migração para outros sites internacionais6%11%

Competitividade e indústria nacional

Especialistas apontam que a medida do governo busca equilibrar a competição entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras. Para a CNI, a cobrança do imposto é um passo inicial em direção à justiça tributária e à preservação da indústria nacional.

Segundo o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, a medida ainda está longe de equiparar as condições de concorrência. A diferença de carga tributária entre o Brasil e outros países continua elevada, o que mantém o desafio para empresas locais que disputam preços com gigantes do comércio digital estrangeiro.

A CNI defende que, embora a taxação de 20% seja um avanço, ela precisa vir acompanhada de políticas de incentivo à produção nacional, investimentos em tecnologia e redução do chamado Custo Brasil, que encarece a fabricação e distribuição de produtos internos.

A nova dinâmica do e-commerce

Bradesco
Imagem: snowing – Freepik

O impacto da taxa das blusinhas revela mais do que uma simples mudança tributária: mostra a sensibilidade do consumidor digital brasileiro a variações de preço e imposto. O aumento da desistência nas compras internacionais sugere que o público está mais consciente dos custos e menos disposto a enfrentar barreiras burocráticas.

Tendência de valorização do produto nacional

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A migração para o comércio interno também reforça a valorização de marcas e produtos fabricados no Brasil. Empresas locais têm aproveitado a oportunidade para investir em marketing, atendimento personalizado e entregas rápidas — fatores que conquistam consumidores habituados à praticidade das plataformas estrangeiras.

Especialistas em comportamento do consumidor avaliam que a combinação de preço competitivo, logística eficiente e confiança nas políticas de devolução são os novos diferenciais do mercado brasileiro.

FAQ – Compras internacionais e o novo imposto

1. O que é a taxa das blusinhas?
É o Imposto de Importação de 20% aplicado sobre compras internacionais de até 50 dólares, incluindo o valor do frete.

2. Quando o imposto começou a ser cobrado?
A taxação foi implementada em 2024 e passou a valer integralmente em 2025.

3. Quais produtos são mais afetados?
Roupas, calçados, acessórios e itens de beleza — setores com grande volume de compras em sites estrangeiros.

4. Existe imposto para valores acima de 50 dólares?
Sim. Compras entre 50,01 e 3.000 dólares têm alíquota de 60%, com desconto fixo de 20 dólares.

5. As compras nacionais aumentaram após o imposto?
Sim. O número de consumidores que passaram a buscar produtos nacionais cresceu de 22% para 32% em um ano.

Considerações finais

A criação do imposto sobre compras internacionais até 50 dólares transformou o cenário do consumo digital brasileiro. A queda de 38% nas compras estrangeiras mostra um consumidor mais cauteloso, sensível ao preço e disposto a apoiar o mercado interno.

Embora o tributo tenha provocado resistência entre alguns segmentos, ele também abriu espaço para o fortalecimento da indústria e do e-commerce nacional, que começam a se beneficiar da mudança de comportamento.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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