A cobrança do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até 50 dólares — popularmente chamada de taxa das blusinhas — vem alterando o comportamento do consumidor brasileiro. Em pouco mais de um ano, o percentual de pessoas que desistem de concluir pedidos em sites estrangeiros saltou de 13% para 38%, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Nexus, comparando dados de maio de 2024 com outubro de 2025.
Compras internacionais caem 38% com novo imposto sobre roupas importadas
A criação do imposto de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares reduziu em 38% as compras no exterior. Entenda!
O novo cenário reflete uma mudança estrutural no comércio eletrônico transnacional. O custo adicional, somado à demora na entrega e às variações cambiais, tem levado milhões de brasileiros a reavaliar a vantagem de comprar fora do país.
O impacto direto do novo imposto

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O Imposto de Importação para compras de até 50 dólares, implementado em 2024, aplica uma alíquota de 20% sobre o valor do produto, frete incluso. Para itens acima de 50,01 dólares e até 3.000 dólares, a taxa chega a 60%, com um desconto fixo de 20 dólares.
Essa mudança ampliou o custo final das mercadorias e afetou principalmente consumidores que antes viam nas plataformas estrangeiras uma alternativa mais barata.
Perfil dos consumidores mais afetados
De acordo com os dados da CNI, o efeito da taxação é mais perceptível entre grupos com maior poder de compra e escolaridade:
| Faixa de consumidores | Percentual que desistiu da compra |
|---|---|
| Ensino superior completo | 51% |
| Jovens de 16 a 24 anos | 46% |
| Adultos de 25 a 40 anos | 46% |
| Renda acima de 5 salários mínimos | 45% |
O estudo aponta que esses grupos são os que mais realizavam compras internacionais antes da taxação e, portanto, sentiram de forma mais intensa a nova tributação.
O peso do ICMS e dos custos adicionais
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que incide sobre importações, também vem ganhando relevância na decisão de compra. O número de consumidores que deixaram de importar devido ao ICMS subiu de 32% para 36% entre 2024 e 2025.
Os dados revelam que os mesmos perfis mais atingidos pela taxa das blusinhas também são os que mais deixaram de comprar por causa do ICMS:
| Perfil | Percentual que desistiu por causa do ICMS |
|---|---|
| Ensino superior completo | 48% |
| Jovens até 40 anos | 45% |
| Renda acima de 5 salários mínimos | 41% |
O aumento da desistência mostra que, para muitos consumidores, o conjunto de tributos tornou as compras internacionais pouco vantajosas.
Redirecionamento do consumo
A pesquisa mostra, porém, que o desinteresse pelas importações não significou uma retração total no consumo. O comportamento de compra apenas foi redirecionado para o mercado interno.
Crescimento das compras nacionais
Entre os entrevistados, 32% afirmaram que passaram a procurar produtos semelhantes com entrega nacional — um aumento de dez pontos percentuais em relação ao ano anterior. Isso indica uma oportunidade para o comércio eletrônico brasileiro, que começa a absorver parte da demanda que antes era direcionada a sites internacionais.
| Tipo de comportamento | Percentual em 2024 | Percentual em 2025 |
|---|---|---|
| Busca por similares nacionais | 22% | 32% |
| Desistência total da compra | 58% | 42% |
| Compra em loja física | 13% | 14% |
| Migração para outros sites internacionais | 6% | 11% |
Competitividade e indústria nacional
Especialistas apontam que a medida do governo busca equilibrar a competição entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras. Para a CNI, a cobrança do imposto é um passo inicial em direção à justiça tributária e à preservação da indústria nacional.
Segundo o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, a medida ainda está longe de equiparar as condições de concorrência. A diferença de carga tributária entre o Brasil e outros países continua elevada, o que mantém o desafio para empresas locais que disputam preços com gigantes do comércio digital estrangeiro.
A CNI defende que, embora a taxação de 20% seja um avanço, ela precisa vir acompanhada de políticas de incentivo à produção nacional, investimentos em tecnologia e redução do chamado Custo Brasil, que encarece a fabricação e distribuição de produtos internos.
A nova dinâmica do e-commerce

O impacto da taxa das blusinhas revela mais do que uma simples mudança tributária: mostra a sensibilidade do consumidor digital brasileiro a variações de preço e imposto. O aumento da desistência nas compras internacionais sugere que o público está mais consciente dos custos e menos disposto a enfrentar barreiras burocráticas.
Tendência de valorização do produto nacional
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A migração para o comércio interno também reforça a valorização de marcas e produtos fabricados no Brasil. Empresas locais têm aproveitado a oportunidade para investir em marketing, atendimento personalizado e entregas rápidas — fatores que conquistam consumidores habituados à praticidade das plataformas estrangeiras.
Especialistas em comportamento do consumidor avaliam que a combinação de preço competitivo, logística eficiente e confiança nas políticas de devolução são os novos diferenciais do mercado brasileiro.
FAQ – Compras internacionais e o novo imposto
1. O que é a taxa das blusinhas?
É o Imposto de Importação de 20% aplicado sobre compras internacionais de até 50 dólares, incluindo o valor do frete.
2. Quando o imposto começou a ser cobrado?
A taxação foi implementada em 2024 e passou a valer integralmente em 2025.
3. Quais produtos são mais afetados?
Roupas, calçados, acessórios e itens de beleza — setores com grande volume de compras em sites estrangeiros.
4. Existe imposto para valores acima de 50 dólares?
Sim. Compras entre 50,01 e 3.000 dólares têm alíquota de 60%, com desconto fixo de 20 dólares.
5. As compras nacionais aumentaram após o imposto?
Sim. O número de consumidores que passaram a buscar produtos nacionais cresceu de 22% para 32% em um ano.
Considerações finais
A criação do imposto sobre compras internacionais até 50 dólares transformou o cenário do consumo digital brasileiro. A queda de 38% nas compras estrangeiras mostra um consumidor mais cauteloso, sensível ao preço e disposto a apoiar o mercado interno.
Embora o tributo tenha provocado resistência entre alguns segmentos, ele também abriu espaço para o fortalecimento da indústria e do e-commerce nacional, que começam a se beneficiar da mudança de comportamento.
