A Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA) é uma das entidades investigadas pela Operação Sem Desconto, que revelou um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos nos benefícios do INSS. A CBPA, que fatura milhões de reais anualmente, está no centro de um escândalo que já trouxe à tona a conexão entre corrupção, lavagem de dinheiro e práticas criminosas. À frente da confederação está Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, um ex-presidiário acusado de liderar uma organização criminosa, além de ser investigado por falsidade ideológica e outros crimes.
Presidente de ONG ligado à farra do INSS já foi preso por crime organizado
CBPA é investigada por fraude no INSS, com suspeitas envolvendo seu dirigente e esquema milionário.
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O Caso Abraão Lincoln: de líder criminoso à presidência da CBPA
Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da CBPA, é um nome que carrega um histórico criminal preocupante. Em 2015, foi um dos 18 alvos da Operação Enredados, uma investigação da Polícia Federal (PF) que revelou um esquema de crimes ambientais e corrupção envolvendo o extinto Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Na época, Abraão foi preso sob acusações de liderar uma organização criminosa dedicada a práticas ilícitas no setor pesqueiro, como a emissão irregular de licenças e a venda de animais de forma ilegal.
Prisão e soltura de Abraão Lincoln
A prisão preventiva de Abraão Lincoln foi decretada em outubro de 2015, e ele ficou detido até janeiro de 2016, quando foi solto após sua defesa pedir a revogação da prisão. No entanto, a investigação não foi concluída e continua tramitando na Justiça. Além disso, em 2020, Abraão foi novamente denunciado, desta vez por falsidade ideológica relacionada à sua campanha para deputado federal em 2014, onde é acusado de utilizar “caixa dois” para ocultar valores não declarados.
A relação com o escândalo da “Farra do INSS”
Em 2023, a CBPA entrou novamente no radar das investigações após ser mencionada no contexto da chamada “Farra do INSS”. O esquema envolvia a cobrança de mensalidades de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem o consentimento deles, e resultou em um faturamento de mais de R$ 221 milhões. A confederação também foi acusada de contratar empresas de telemarketing para promover filiações fraudulentas, prática proibida pelos acordos de cooperação técnica com o INSS.
O envolvimento com “Careca do INSS”
Além de Abraão Lincoln, a CBPA também se conectou ao nome de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um dos pivôs do escândalo. Camilo Antunes é acusado de atuar como lobista para entidades como a CBPA, facilitando a cobrança de taxas indevidas e realizando fraudes nos benefícios do INSS.
Estrutura da CBPA: uma sede de 35 m² e uma funcionária
Olhando de fora, a estrutura da CBPA parece desproporcional ao seu impacto. Localizada em uma sala comercial de 35 m² no Setor Bancário Sul, em Brasília, a associação conta com apenas uma funcionária, que, de acordo com testemunhas, cumpre um horário reduzido de aproximadamente duas horas por dia. A pequena estrutura da CBPA levanta questionamentos sobre como uma entidade desse porte consegue manter tantos associados.
O crescimento exponencial da CBPA
Criada em 2020, a CBPA experimentou um crescimento impressionante. Em dois anos, o número de filiados saltou de 4 para mais de 340 mil, resultando em uma arrecadação anual de R$ 57,8 milhões. No primeiro trimestre de 2024, esse número subiu ainda mais, atingindo 445 mil filiados e um faturamento de R$ 41,2 milhões no período. A comissão parlamentar que investiga as fraudes no INSS apontou que a CBPA conseguiu cadastrar 757 mil pessoas até 2025, o que equivale a mais de R$ 221 milhões em receitas no mesmo período.
A relação com o INSS
O acordo de cooperação técnica com o INSS foi fundamental para que a CBPA pudesse realizar os descontos nos benefícios dos aposentados e pensionistas. No entanto, uma análise da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que a associação não possuía a infraestrutura necessária para realizar esses cadastros, levantando sérias dúvidas sobre a legalidade do processo. A CGU suspeita que a CBPA tenha contratado uma empresa de telemarketing para realizar as adesões, algo que é proibido pelo acordo com o INSS.
Descontos indevidos e fraudes massivas
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A fraude dos descontos no INSS envolveu não apenas filiações fraudulentas, mas também descontos aplicados em benefícios de pessoas falecidas. A CGU identificou que a CBPA solicitou mais de 40 mil vezes a inclusão de descontos em contas de pessoas mortas, o que demonstra o tamanho e a gravidade da fraude.
O impacto para os aposentados
O esquema afetou diretamente milhares de aposentados e pensionistas, que reclamaram dos descontos indevidos. De acordo com a CPMI que investiga as fraudes, 99% dos 215 mil aposentados e pensionistas vinculados à CBPA não autorizaram a aplicação dessas deduções em seus benefícios. Isso representa um grave violação dos direitos dos segurados do INSS.
Operações da Polícia Federal e a reação do governo
O escândalo envolvendo a CBPA e outras entidades similares resultou na abertura de investigações pela Polícia Federal (PF). A Operação Sem Desconto, deflagrada em 2024, buscou desmantelar a rede de fraudes envolvendo as associações, com base nas reportagens do Metrópoles que expuseram a magnitude do esquema. A operação culminou na demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi, em uma tentativa de dar uma resposta eficaz à fraude.
Consequências políticas e sociais
A repercussão do caso não se limitou ao âmbito jurídico e investigativo. As fraudes no INSS impactaram diretamente a confiança da população no sistema de seguridade social, com muitos aposentados e pensionistas se sentindo lesados e desprotegidos pelo governo e pelas entidades responsáveis. Além disso, o caso gerou uma crise política, com críticas à gestão pública e ao envolvimento de figuras políticas na operação das entidades fraudulentas.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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