O mercado de criptomoedas registrou forte instabilidade na sexta-feira, 13 de junho de 2025, com o Bitcoin e outras moedas digitais acumulando perdas significativas. O principal fator por trás da queda foi a escalada nas tensões geopolíticas entre Israel e Irã, que despertou um forte sentimento de aversão ao risco entre os investidores globais.
Bitcoin perde valor enquanto tensão no Oriente Médio assusta investidores
A escalada de tensões entre Israel e Irã provoca queda no Bitcoin e nas principais criptomoedas. Veja os impactos, cotações e mais!
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Bitcoin recua com força em meio ao agravamento do conflito
Por volta das 16h (horário de Brasília), o Bitcoin registrava queda de 2,27%, sendo negociado a US$ 105.059,16, de acordo com dados da corretora Binance. Já o Ethereum, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, caía 7,52%, cotado a US$ 2.528,92.
O recuo não se restringiu apenas às maiores criptomoedas. Ativos como Ripple (XRP), Solana (SOL) e Cardano (ADA) também registraram perdas expressivas, acompanhando o movimento global de fuga de ativos considerados de maior risco.
Impacto geopolítico: por que o conflito entre Israel e Irã preocupa os mercados?
A tensão entre Israel e Irã ganhou novos contornos nas últimas 48 horas, após relatos confirmados de que ambos os países realizaram ataques diretos ao território rival. O temor de que a situação evolua para um conflito militar de maior escala provocou volatilidade não apenas no mercado de criptomoedas, mas também nas bolsas de valores, commodities e no câmbio.
Segundo Manish Chhetri, analista da FXStreet, o clima de incerteza geopolítica foi o principal gatilho para o movimento de liquidação das criptos. “Os acontecimentos desencadearam um sentimento de aversão ao risco em todos os mercados. A ação dos preços sugere uma nova correção no Bitcoin, Ethereum e Ripple”, afirmou o especialista.
Análise técnica aponta risco de queda abaixo de US$ 100 mil
Além dos fatores geopolíticos, a análise técnica também indica um possível cenário de baixa para o Bitcoin nos próximos dias. De acordo com Chhetri, se a criptomoeda fechar abaixo da média móvel exponencial de 50 dias, atualmente em US$ 102.447, poderá testar novamente o nível psicológico de US$ 100.000.
Esse patamar é visto como um importante suporte de mercado. Caso o Bitcoin perca essa linha, analistas acreditam que a pressão vendedora pode se intensificar.
Capitalização de mercado das criptomoedas sofre recuo expressivo

O impacto foi sentido em toda a indústria de ativos digitais. Segundo dados da manhã de sexta-feira 13/6, o valor total de mercado das criptomoedas caiu para US$ 3,22 trilhões, contra um pico de US$ 3,47 trilhões registrado na noite de quarta-feira.
O analista da FxPro, Alex Kuptsikevich, destacou que o movimento de fuga de capital dos ativos de risco foi generalizado, com investidores buscando proteção em ativos mais conservadores, como dólar americano, ouro e títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O Bitcoin ainda é visto como um “porto seguro”?
O desempenho do Bitcoin nos últimos meses havia alimentado a narrativa de que a criptomoeda estaria se consolidando como uma espécie de “ouro digital”, funcionando como proteção em momentos de instabilidade econômica ou política.
Entretanto, a queda registrada nesta sexta-feira coloca em xeque essa percepção. “O mercado ainda testa os limites dessa tese. O desempenho de hoje é um lembrete de que o Bitcoin ainda é, fundamentalmente, um ativo de risco”, explica Kuptsikevich.
Ethereum e altcoins sofrem ainda mais
Enquanto o Bitcoin recuava pouco mais de 2%, o Ethereum e as chamadas altcoins apresentaram perdas ainda mais acentuadas.
Especialistas apontam que essas moedas são mais vulneráveis em momentos de estresse de mercado, devido à menor liquidez e maior volatilidade histórica.
Destaques negativos do dia entre as principais altcoins:
- Ethereum (ETH): -7,52%
- Solana (SOL): -9,03%
- Ripple (XRP): -6,80%
- Cardano (ADA): -7,12%
- Polkadot (DOT): -6,75%
Gigantes do varejo e bancos também de olho nas stablecoins
Enquanto o mercado sofre com a volatilidade, algumas grandes empresas seguem avançando em projetos relacionados à blockchain. De acordo com reportagem do The Wall Street Journal, publicada nesta sexta-feira, Amazon.com e Walmart estão avaliando a possibilidade de criar suas próprias stablecoins.
Essa notícia chega menos de um mês após os bancos JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup anunciarem iniciativas semelhantes.
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As stablecoins, por serem atreladas a moedas fiduciárias como o dólar, são vistas como uma forma de reduzir a volatilidade característica de ativos como Bitcoin e Ethereum. A adoção por grandes empresas pode acelerar a popularização dessas moedas no comércio eletrônico e nos serviços financeiros.
O que esperar do mercado de criptomoedas nos próximos dias?
A curto prazo, os analistas seguem monitorando de perto os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Caso a situação entre Israel e Irã se agrave, a tendência é que a aversão ao risco continue pressionando as criptomoedas.
Por outro lado, se houver sinais de desescalada, o mercado pode retomar parte das perdas recentes.
Níveis técnicos importantes para o Bitcoin:
- Suporte imediato: US$ 102.447 (média móvel de 50 dias)
- Suporte psicológico: US$ 100.000
- Resistência próxima: US$ 108.500
- Resistência secundária: US$ 112.000
Tendência de médio prazo ainda é positiva?
Apesar da correção atual, analistas de longo prazo continuam otimistas com o Bitcoin. A expectativa é que, superada a crise geopolítica, o ativo possa retomar sua trajetória de valorização, especialmente com o aumento da adoção institucional e o interesse crescente de empresas privadas.
A possibilidade de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos até o final de 2025 também pode favorecer ativos alternativos como as criptomoedas.
Investidores devem redobrar a cautela

O cenário atual reforça a importância de estratégias de gestão de risco para quem investe em criptoativos. Especialistas recomendam:
- Evitar alavancagem excessiva
- Diversificar a carteira
- Estabelecer limites de perda (stop-loss)
- Acompanhar os desdobramentos geopolíticos
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
