A fabricante da cerveja Corona, a Constellation Brands, iniciou o ano fiscal de 2026 enfrentando obstáculos relevantes. Em seu balanço do primeiro trimestre, divulgado no dia 1º de julho, a companhia apresentou resultados abaixo das expectativas dos analistas, refletindo o impacto de um cenário econômico instável e tensões comerciais internacionais. As receitas e os lucros da empresa recuaram em relação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando os desafios enfrentados tanto no mercado interno quanto no exterior.
Fabricante da Corona apresenta resultados abaixo das expectativas no 1º tri
Constellation Brands, fabricante da cerveja Corona, divulgou lucros e receitas abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2025.
Os dados divulgados mostram vendas líquidas de US$ 2,52 bilhões, ligeiramente abaixo da estimativa média dos analistas de US$ 2,55 bilhões, segundo dados da LSEG. O lucro por ação (LPA) comparável foi de US$ 3,22, também aquém das previsões, que apontavam para US$ 3,31.
Panorama econômico e desafios do setor

Incertezas comerciais afetam desempenho
A performance da Constellation foi impactada por uma combinação de fatores externos, especialmente as mudanças nas tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos. O anúncio recente do ex-presidente Donald Trump de dobrar as tarifas sobre o aço e alumínio importados — de 25% para 50% — pressionou ainda mais os custos da indústria de bebidas alcoólicas.
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Essas medidas tarifárias não apenas encarecem as latas de alumínio utilizadas para envasar cervejas, mas também desencadeiam um efeito em cadeia nos preços de produção e distribuição, afetando diretamente o consumo.
Repressão à imigração e retração no consumo
Outro ponto sensível foi a diminuição do consumo entre a população hispânica nos Estados Unidos, uma base relevante para a Constellation Brands. A repressão à imigração promovida pela administração Trump gerou instabilidade entre esse público, resultando em retração nas compras, especialmente de produtos como a cerveja Corona, tradicionalmente forte nesse nicho de mercado.
Análise dos resultados do 1º trimestre
Queda generalizada nas receitas e lucros
O desempenho geral da empresa refletiu os desafios enfrentados. Houve uma retração de 6% nas vendas líquidas totais, com a receita caindo de US$ 2,66 bilhões no mesmo período do ano anterior para US$ 2,52 bilhões. De forma orgânica, a queda foi de 4%.
Já o lucro operacional caiu 24% em termos reportados e 11% de forma ajustada. O lucro líquido atribuível à Constellation recuou expressivos 41%, somando US$ 516,1 milhões no trimestre, contra US$ 878,1 milhões um ano antes.
Desempenho por segmento
Segmento de cerveja
O segmento de cerveja, carro-chefe da companhia, teve retração nas vendas, com destaque para a queda no volume de vendas da marca Corona. A desaceleração foi atribuída não só aos fatores macroeconômicos, mas também à concorrência crescente e à menor disposição dos consumidores em pagar por marcas premium em um cenário de incerteza financeira.
Segmento de vinhos e destilados
Já o setor de vinhos e bebidas destiladas enfrentou um ambiente igualmente desafiador, com baixa procura e margens apertadas. Apesar de iniciativas para reposicionar marcas e expandir canais de distribuição, os números não foram suficientes para compensar o declínio nas vendas.
Perspectivas da empresa para o ano fiscal
Estratégias para recuperação
Para enfrentar o ambiente adverso, a empresa planeja reforçar seus investimentos em marketing digital e inovação de produtos, com foco em bebidas prontas para consumo (“ready-to-drink”) e lançamentos voltados a públicos mais jovens. Há também a expectativa de aumento na penetração de mercado por meio de parcerias estratégicas e novos canais de venda direta ao consumidor.
Reação do mercado
Curiosamente, mesmo com os resultados abaixo do esperado, as ações da Constellation Brands fecharam o dia em alta de 2,3%, cotadas a US$ 162,68. Analistas apontam que a reação positiva se deve, em parte, à manutenção da projeção de lucro anual, o que sugere resiliência da empresa frente ao cenário desafiador.
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Impacto no setor de bebidas alcoólicas

Um reflexo mais amplo da crise
A Constellation não está sozinha. Outras gigantes do setor, como Molson Coors e Anheuser-Busch InBev, também vêm enfrentando dificuldades similares, com queda no consumo e margens comprimidas por custos logísticos e tarifários.
Esse cenário expõe a vulnerabilidade das empresas do setor diante de políticas econômicas protecionistas e instabilidades globais, acentuadas por um consumidor cada vez mais cauteloso.
FAQ – Perguntas frequentes
Por que a Constellation Brands teve queda nos lucros?
A empresa enfrentou queda nas vendas, custos mais altos devido a tarifas sobre alumínio e aço, e retração no consumo entre o público hispânico.
O que mais impactou os resultados da fabricante da Corona?
A política tarifária dos EUA, a repressão à imigração e a desaceleração econômica foram os principais fatores que afetaram o desempenho.
As ações da Constellation caíram após o anúncio dos resultados?
Não. Apesar dos resultados abaixo do esperado, as ações subiram 2,3%, impulsionadas pela manutenção da projeção de lucros para o ano.
Considerações finais
O primeiro trimestre fiscal de 2026 da Constellation Brands foi marcado por resultados abaixo das expectativas, tanto em receita quanto em lucro. O desempenho reflete um ambiente macroeconômico complexo, com tarifas elevadas, custos de produção em alta e demanda reprimida.
Ainda assim, a resposta do mercado indica que investidores mantêm uma visão de longo prazo positiva sobre a companhia, sobretudo diante do compromisso da gestão em atingir as metas anuis. Os próximos trimestres serão decisivos para confirmar se a Constellation conseguirá contornar os obstáculos e retomar o ritmo de crescimento.
