A aprovação da MP 1.300/2025 pelo Senado Federal trouxe uma das notícias mais aguardadas para famílias de baixa renda no Brasil: a conta de luz grátis para milhões de brasileiros inscritos no CadÚnico. A medida, aprovada em sessão de 17 de setembro, amplia a Tarifa Social de Energia Elétrica e promete transformar a vida de 4,5 milhões de lares que, a partir de agora, terão a fatura de energia zerada.
Conta de luz grátis? CadÚnico beneficia brasileiros com nova legislação
Nova lei amplia a Tarifa Social e garante conta de luz grátis para milhões de famílias inscritas no CadÚnico. Saiba quem tem direito e como funciona.
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A proposta foi aprovada no limite do prazo de vigência, após votação expressiva com 49 votos favoráveis, três contrários e três abstenções. A aprovação evita a caducidade da medida, que já havia sido analisada pela Câmara dos Deputados horas antes. Agora, o texto segue para sanção presidencial, consolidando a gratuidade como política pública.
O que muda com a nova legislação

Até então, a Tarifa Social oferecia descontos que variavam entre 10% e 65% para famílias que consumiam até 220 kWh por mês. Com a MP 1.300/2025, os critérios ficaram mais rígidos quanto ao consumo, mas em contrapartida trouxeram a gratuidade total da fatura para uma parcela expressiva da população.
Regras para consumo mensal
- Famílias inscritas no CadÚnico terão gratuidade se o consumo não ultrapassar 80 kWh/mês.
- Beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) também estão incluídos.
- Indígenas, quilombolas e comunidades rurais terão condições específicas para acesso à isenção.
- Consumidores com instalações trifásicas e consumo até 80 kWh/mês também serão contemplados.
Apesar da isenção, a conta pode continuar incluindo cobranças referentes à iluminação pública e ao ICMS, conforme a legislação estadual e municipal.
Regras futuras para a CDE
A legislação também prevê isenção parcial do pagamento das cotas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para famílias com renda per capita entre meio e um salário mínimo, a partir de janeiro de 2026. Nesse caso, o benefício vale para consumo mensal de até 120 kWh, limitado a uma unidade consumidora por família.
Quem tem direito à conta de luz grátis
O programa estabelece critérios claros para definir os beneficiários. Confira os principais:
Critérios de elegibilidade
- Famílias inscritas no CadÚnico, com renda per capita mensal de até meio salário mínimo.
- Idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que recebem o BPC.
- Famílias no CadÚnico com renda de até três salários mínimos, desde que um membro necessite de equipamentos médicos que demandam consumo contínuo de energia.
- Famílias indígenas e quilombolas registradas no CadÚnico, com consumo de até 80 kWh/mês.
- Moradores de sistemas isolados da região Norte, onde a geração de energia depende de fontes alternativas.
Esses critérios ampliam significativamente o alcance da Tarifa Social e garantem que populações vulneráveis tenham acesso a energia elétrica de forma digna e essencial.
Como funciona o financiamento da gratuidade
O benefício não sai de graça para o setor elétrico. Ele é financiado pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que concentra recursos arrecadados por meio de encargos cobrados nas contas de luz de todos os consumidores.
Impacto para os demais consumidores
Com a ampliação da gratuidade, parte da diferença será repassada aos demais usuários de energia elétrica. No entanto, segundo estimativas do governo, o impacto será baixo e diluído entre os 115 milhões de consumidores do país.
O Ministério de Minas e Energia reforça que a medida tem caráter social e cumpre papel estratégico na inclusão energética, sem comprometer a sustentabilidade financeira do setor.
Inclusão energética como política pública
A aprovação da MP 1.300/2025 representa mais do que um benefício financeiro. Trata-se de uma política pública voltada à redução da desigualdade social e à garantia de um direito básico: o acesso à energia elétrica.
Energia como direito fundamental
A energia elétrica é considerada essencial para a sobrevivência moderna, já que garante desde a conservação de alimentos até o funcionamento de equipamentos médicos. Nesse contexto, a gratuidade da conta de luz para famílias vulneráveis não é apenas um alívio econômico, mas uma forma de inclusão cidadã.
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Com a crise econômica ainda impactando milhões de famílias, a gratuidade representa um alívio imediato no orçamento doméstico. Para muitos, significa a possibilidade de destinar os recursos economizados a alimentação, saúde e educação.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, especialistas alertam para alguns desafios da implementação.
Fiscalização do consumo
O limite de 80 kWh/mês exige um controle rigoroso do consumo. Famílias que ultrapassarem esse patamar perderão a gratuidade, o que exige conscientização sobre o uso racional da energia.
Expansão da infraestrutura
Nas regiões mais afastadas, sobretudo na Amazônia Legal, ainda há desafios relacionados à universalização do acesso. Para essas comunidades, a política de isenção precisa ser acompanhada de investimentos em infraestrutura energética.
Sustentabilidade financeira
Embora o governo projete baixo impacto, o financiamento via CDE é frequentemente alvo de críticas, já que os custos são repassados a todos os consumidores. O equilíbrio entre justiça social e viabilidade econômica será um dos pontos centrais da política.
Energia gratuita como passo para inclusão social

A conta de luz grátis para famílias inscritas no CadÚnico representa um marco na luta contra a desigualdade energética no Brasil. Com a aprovação da MP 1.300/2025, milhões de brasileiros terão acesso garantido a um direito essencial sem que o orçamento doméstico seja comprometido.
Mais do que um benefício econômico, a medida fortalece a inclusão social e promove maior equidade no acesso à energia, reafirmando o compromisso do Estado em proteger as populações mais vulneráveis.
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