O governo federal prepara um anúncio histórico: a gratuidade da conta de luz para cerca de 60 milhões de brasileiros, como parte de um pacote mais amplo de reforma do setor elétrico. A medida será oficializada por meio de medida provisória (MP) com efeito imediato, a ser enviada ao Congresso Nacional nesta quinta-feira, 15 de maio de 2025, durante evento em Brasília.
Governo anuncia isenção em conta de Luz para 60 Milhões de pessoas: confira todos os requisitos
Medida provisória da reforma elétrica garante conta de luz gratuita para 60 milhões de brasileiros. Saiba quem tem direito, quando começa e mais!
A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do Palácio do Planalto e conduzida pela ministra Gleisi Hoffmann, contará com a presença de ministros de Estado e parlamentares, sinalizando o peso político e social da proposta.
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O que prevê a Medida Provisória
A nova MP da reforma elétrica será publicada no Diário Oficial da União (DOU) imediatamente após a cerimônia e terá validade a partir de então. O texto propõe três eixos centrais:
1. Isenção total da conta de luz para grupos vulneráveis
Famílias de baixa renda, idosos, pessoas com deficiência, além de indígenas e quilombolas em situação de vulnerabilidade, que consumirem até 80 kWh por mês, terão isenção integral na fatura de energia elétrica.
Essa faixa de consumo é típica de residências com poucos eletrodomésticos e uso restrito de iluminação e refrigeração, o que atende ao perfil de milhões de brasileiros em situação de pobreza energética.
2. Reorganização do setor para garantir os subsídios
Para viabilizar a ampliação da gratuidade, a MP propõe um novo modelo de rateio de encargos, incluindo consumidores de alta tensão — como indústrias e grandes empresas — no pagamento proporcional dos custos das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, entre outras fontes de geração.
3. Expansão da liberdade de escolha do fornecedor de energia
O texto também prevê a ampliação do mercado livre de energia, permitindo que todos os consumidores escolham seu fornecedor. Atualmente, essa possibilidade é restrita a grandes empresas. O cronograma definido é:
- Março de 2027: abertura para pequenos negócios e estabelecimentos comerciais;
- Março de 2028: expansão para consumidores residenciais.
Quem será beneficiado com a isenção
O governo estima que a nova política dobrará o número de beneficiários da tarifa social, que atualmente contempla cerca de 40 milhões de pessoas com descontos de até 65%.
Com a nova MP, o público atendido será ampliado para 60 milhões de brasileiros com isenção total na fatura, desde que atendam aos seguintes critérios:
Requisitos:
- Estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico);
- Ter renda familiar mensal de até meio salário mínimo por pessoa;
- Ou ser beneficiário do BPC (Benefício de Prestação Continuada);
- Consumo mensal de até 80 kWh.
Além disso, quilombolas e indígenas em situação de vulnerabilidade terão isenção automática, mesmo que o consumo ultrapasse esse limite, desde que comprovada a condição de baixa renda.
Como funcionará a implementação
A partir da publicação da medida no DOU, as concessionárias e distribuidoras de energia elétrica serão obrigadas a aplicar a isenção diretamente na conta de luz dos beneficiários. A verificação dos dados será feita por meio de integração com o CadÚnico e sistemas da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Passo a passo da isenção:
- Verificação automática dos dados do consumidor no CadÚnico;
- Aplicação do desconto integral para quem se enquadrar nos critérios;
- Atualização da conta com valor zerado, sem necessidade de solicitação individual;
- Acompanhamento mensal do consumo para manutenção do benefício.
Custo e financiamento da medida

Segundo estimativas do governo, o programa terá um custo de R$ 3,6 bilhões por ano, valor que será compensado com reorganização de subsídios e inclusão de grandes consumidores no rateio de encargos.
Como será financiado:
- Inclusão dos consumidores de alta tensão no pagamento de encargos fixos;
- Redução de benefícios setoriais cruzados entre geradoras e distribuidoras;
- Otimização dos subsídios já existentes, como o da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Especialistas apontam que o impacto sobre grandes consumidores será marginal frente ao benefício social massivo, e pode ser equilibrado pela maior previsibilidade regulatória.
Impactos sociais esperados
A gratuidade da energia elétrica para milhões de brasileiros terá impactos diretos sobre a qualidade de vida, a redução da pobreza energética e o fortalecimento da inclusão social. Em regiões mais vulneráveis, como o semiárido nordestino, comunidades ribeirinhas e periferias urbanas, o alívio na fatura pode representar o acesso a alimentos refrigerados, ventiladores, iluminação adequada e educação digital.
Benefícios sociais:
- Alívio financeiro para famílias em situação de vulnerabilidade;
- Redução da inadimplência com concessionárias;
- Estímulo à formalização de dados no CadÚnico;
- Melhora no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em regiões carentes.
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Organizações da sociedade civil e entidades do setor energético apontam que a medida pode ser transformadora, desde que acompanhada de fiscalização rigorosa e campanhas de orientação à população.
Desafios e críticas
Embora a proposta tenha sido bem recebida por parte da população e de representantes sociais, especialistas do setor elétrico destacam alguns pontos de atenção:
Sustentabilidade do modelo
O financiamento do programa dependerá do equilíbrio entre os consumidores que pagam e os que recebem isenção, além da estabilidade regulatória nos próximos anos.
Capacidade de monitoramento
A gestão do consumo mensal de energia exigirá que as distribuidoras invistam em tecnologia de medição e fiscalização, para evitar fraudes e manter o sistema justo.
Inclusão automatizada
A eficácia do modelo depende da atualização constante do CadÚnico e da integração plena com os sistemas da Aneel e distribuidoras, o que ainda representa um desafio técnico e administrativo.
Avanço na escolha de fornecedor de energia

Outro ponto importante da MP é a abertura do mercado de energia elétrica, com cronograma definido para que todos os brasileiros possam escolher de quem comprar sua energia — hoje uma prerrogativa exclusiva de consumidores industriais.
Essa expansão da liberdade de escolha trará concorrência ao setor e pode, no médio prazo, gerar redução nos preços para todos os consumidores.
Cronograma de abertura do mercado:
- 2027: microempresas e comércios passam a escolher fornecedor;
- 2028: consumidores residenciais ganham o mesmo direito.
A mudança é considerada um marco na liberalização do setor elétrico brasileiro, e acompanha tendência internacional de descentralização da geração e comercialização de energia.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
