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Caso do INSS no DF: conta de zelador movimentou R$ 600 mil em 30 dias

Relatório do Coaf aponta movimentação de R$ 610 mil em conta de zelador desempregado ligada a empresas investigadas na Farra do INSS.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
INSS

A investigação sobre a chamada Farra do INSS ganhou novos contornos com a revelação de que a conta bancária de um zelador desempregado, morador do Gama, no Distrito Federal, foi utilizada para movimentar valores expressivos ligados a empresas investigadas por fraudes em aposentadorias e pensões. Em apenas um mês de 2024, mais de R$ 610 mil circularam pela conta do trabalhador, valor considerado incompatível com seu perfil financeiro.

As informações constam em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários.

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Movimentações financeiras chamam a atenção do Coaf

Valores elevados em curto período

De acordo com o documento obtido pela investigação, o montante total movimentado na conta do zelador chegou a R$ 610 mil em apenas um mês. Desse total, R$ 302,4 mil correspondem a créditos e R$ 307,9 mil a débitos, o que demonstra intensa circulação de recursos.

Para o Coaf, esse volume financeiro é totalmente incompatível com a renda declarada e a capacidade econômica do titular da conta, levantando fortes indícios de que o espaço bancário estaria sendo utilizado em benefício de terceiros.

Repasses imediatos dificultam rastreamento

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a rapidez com que os valores entravam e saíam da conta. Segundo o relatório, após o recebimento dos créditos, os recursos eram imediatamente repassados a outras pessoas físicas e jurídicas, prática comum em esquemas de ocultação de origem de dinheiro.

O Coaf destacou que esse tipo de movimentação dificulta o rastreamento dos valores e reforça a suspeita de uso da conta como intermediária em um esquema maior.

Empresas de sócia da AAB aparecem nos repasses

Quem é Lucineide dos Santos de Oliveira

Parte significativa do dinheiro que circulou pela conta do zelador teve origem em empresas pertencentes a Lucineide dos Santos de Oliveira. Ela é sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), uma das entidades investigadas na Farra do INSS.

Lucineide também é dona de uma igreja evangélica localizada no Recanto das Emas, no Distrito Federal, que aparece em registros oficiais como endereço de outros CNPJs ligados ao grupo investigado.

Solution e Impacto Serviços de Apoio

As empresas Solution Serviços de Locação e Impacto Serviços de Apoio, ambas vinculadas a Lucineide, realizaram transferências diretas para a conta do zelador. Parte do valor teria sido entregue à vista, segundo informações do relatório enviado à CPMI do INSS.

Além dessas movimentações, um bombeiro militar do Distrito Federal realizou um Pix de R$ 70 mil para a conta, enquanto outro servidor público transferiu R$ 38 mil em duas parcelas distintas.

Transferências fracionadas levantam suspeitas

Pagamentos em múltiplas transações

Uma das operações que mais despertou atenção do Coaf envolveu um homem identificado como Dennys Bezerra. Ele realizou uma transferência de R$ 63.627,00 para a conta do zelador, dividida em 14 transações ao longo de um mês.

O fracionamento de valores é uma prática frequentemente associada a tentativas de driblar mecanismos automáticos de controle e monitoramento bancário.

Destino do dinheiro após os créditos

Após a entrada dos recursos, o relatório aponta que parte significativa do dinheiro foi redistribuída rapidamente. Uma das saídas identificadas foi a transferência de R$ 150,1 mil para uma segunda conta registrada com os dados pessoais do próprio zelador, em cinco transações distintas.

Além disso, R$ 93,2 mil foram repassados em seis transferências para Dennys Bezerra, enquanto R$ 27,2 mil foram enviados via Pix para uma enfermeira. O valor restante foi fracionado e destinado a outras contrapartes não detalhadas no documento.

Conta já havia sido reportada anteriormente

O relatório do Coaf revelou ainda que a conta do zelador já havia sido objeto de comunicações anteriores ao órgão. Antes mesmo de constar no levantamento enviado à CPMI do INSS, a movimentação suspeita já havia sido reportada outras duas vezes.

Para o conselho, há claros indícios de uso da conta em benefício de terceiros, além de movimentações incompatíveis com o perfil do titular, reforçando a tese de que o zelador teria sido usado como laranja no esquema investigado.

Zelador nega conhecimento das transações

Declaração à reportagem

Procurado pela reportagem, o zelador afirmou desconhecer completamente os valores movimentados e as transações realizadas em sua conta bancária. Segundo ele, não houve autorização para que terceiros utilizassem seus dados ou movimentassem recursos em seu nome.

O morador do Gama informou ainda que pretende procurar a Polícia Civil do Distrito Federal para registrar um boletim de ocorrência e esclarecer a situação.

Possível uso indevido de dados pessoais

O caso levanta suspeitas sobre o possível uso indevido de dados pessoais, prática comum em esquemas financeiros fraudulentos. Investigadores apuram se o zelador teve documentos extraviados, se foi induzido a abrir contas ou se houve falsificação de informações cadastrais.

Associação dos Aposentados do Brasil no centro das investigações

Vínculos com a Conafer

A Associação dos Aposentados do Brasil aparece em relatórios que indicam vínculos financeiros e administrativos com a Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer), outra entidade investigada no escândalo do INSS.

Segundo os levantamentos, ambas compartilham o mesmo endereço de sede, além de números de telefone e e-mails associados a CNPJs ligados às duas organizações.

Suspeita de empresas fantasmas

Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve a existência de empresas que, oficialmente, funcionariam em endereços onde, na prática, não há atividade comercial. Um CNPJ pertencente a Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, contador da Conafer, estaria registrado no mesmo local da igreja de Lucineide.

Apesar de constar como ativo na Receita Federal, no endereço foi encontrada apenas a instituição religiosa, levantando suspeitas de que se trate de uma empresa fantasma utilizada para movimentações financeiras.

Criação de múltiplos CNPJs com alto capital social

Estrutura empresarial suspeita

Samuel, Lucineide e Cícero Marcelino, apontado como assessor do presidente da Conafer, teriam criado diversos CNPJs com capitais sociais superiores a R$ 100 mil. Essas empresas supostamente funcionariam em um sobrado na região administrativa do Distrito Federal.

Entre essas empresas estão justamente aquelas que efetuaram repasses para a conta do zelador, reforçando a ligação entre as movimentações financeiras suspeitas e a estrutura empresarial investigada.

Repasse a lobista amplia alcance do esquema

Transferência para banco investigado

Outro documento encaminhado à CPMI do INSS identificou uma movimentação envolvendo a Impacto Serviços de Apoio e o lobista Danilo Berndt Trento. Segundo o relatório, a empresa realizou uma transferência de R$ 100 mil para a conta de Danilo no BK Bank.

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A instituição financeira é investigada por supostamente lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que adiciona um novo grau de gravidade ao caso.

Atuação em conjunto com ex-dirigente do INSS

De acordo com a Polícia Federal, Danilo Berndt Trento teria atuado em conjunto com o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio de Oliveira Filho, para desviar recursos de aposentadorias por meio de descontos irregulares nos benefícios previdenciários.

Danilo foi convocado a depor na CPMI do INSS em 9 de outubro, como parte das apurações em andamento.

Operação Sem Desconto avança em todo o país

Nova fase deflagrada pela PF e CGU

Em 13 de novembro, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

A operação mobilizou equipes em 17 estados e no Distrito Federal, demonstrando a dimensão nacional do esquema.

Prisões e mandados cumpridos

Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, além de 10 mandados de prisão preventiva. Entre os presos estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido como Careca do INSS, e dirigentes de entidades envolvidas.

Os alvos da operação estão espalhados por diversos estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal.

Como funcionava o esquema de descontos irregulares

Inclusão fraudulenta de beneficiários

Segundo as investigações, os suspeitos inseriam dados falsos em sistemas oficiais para incluir aposentados e pensionistas em associações ou entidades fictícias. A partir dessa inclusão fraudulenta, eram realizados descontos mensais diretamente nos benefícios.

Muitos dos segurados afetados não tinham qualquer conhecimento sobre as cobranças, que apareciam de forma silenciosa nos extratos de pagamento do INSS.

Crimes investigados

O grupo é investigado por organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de ocultação de patrimônio. As autoridades também apuram o uso de estruturas empresariais complexas para dificultar o rastreamento dos valores desviados.

O outro lado

A reportagem tentou contato com todos os citados ao longo da investigação, mas não obteve retorno até a última atualização do caso. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.

Conclusão

O caso envolvendo a conta do zelador desempregado do Gama revela mais uma camada da complexa teia de fraudes que compõem a Farra do INSS. As movimentações financeiras incompatíveis com o perfil do titular, os vínculos com empresas investigadas e os repasses fracionados reforçam os indícios de um esquema estruturado para desviar recursos de aposentados e pensionistas.

As investigações seguem em andamento e devem trazer novos desdobramentos sobre a atuação de entidades, empresários e intermediários financeiros envolvidos no maior escândalo recente da Previdência Social.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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