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Entidade alvo da Polícia Federal tenta modificar MP de combate à fraude do INSS com 96 emendas

Polícia Federal aponta Contag na tentativa de alterar MP para dificultar fiscalização e manter descontos irregulares no INSS.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
INSS

A atuação de uma das principais entidades investigadas pela Polícia Federal por fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao Congresso Nacional. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), alvo de suspeitas de desviar até R$ 2 bilhões por meio de descontos associativos indevidos, atuou para modificar uma medida provisória (MP) que tinha como objetivo endurecer o combate às fraudes na Previdência Social. A entidade, com forte ligação política, elaborou 96 das 578 emendas apresentadas para mudar a MP 871/2019, usadas para enfraquecer mecanismos de fiscalização.

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Contag e a MP 871/2019: a tentativa de mudar regras contra fraudes

Aposentados Polícia Federal
Imagem: Reprodução /Polícia Federal

A Medida Provisória 871/2019, editada pelo governo Bolsonaro, visava aprimorar o combate às fraudes no INSS. Entre as regras mais relevantes, estava a obrigatoriedade de revalidação anual dos descontos associativos cobrados diretamente nos benefícios previdenciários dos aposentados e pensionistas. Esse mecanismo tinha como propósito garantir que as cobranças fossem autorizadas e periódicas, evitando abusos e descontos indevidos.

No entanto, deputados e senadores, em grande parte ligados à esquerda política e com emendas redigidas dentro do escritório da Contag, tentaram derrubar essa regra. A análise dos metadados dos documentos oficiais revelou que a entidade foi a autora direta de 96 propostas para modificar a MP, com o objetivo de ampliar prazos de revalidação ou até mesmo eliminá-la.


A capilaridade do lobby da Contag no Congresso

A influência da Confederação no Legislativo é significativa. Quinze parlamentares, sendo nove do PT, assinaram as emendas apresentadas pela entidade, formalmente em nome de suas bancadas. A Contag atua no Congresso há mais de seis décadas, segundo a própria entidade, mas a investigação mostra que a organização usa esse histórico para defender interesses que podem prejudicar os beneficiários da Previdência.

Um dos avanços obtidos pelos parlamentares aliados à Contag foi o adiamento da revalidação anual para cada três anos. Porém, mesmo essa mudança não foi colocada em prática, já que outra MP, publicada em 2022, revogou totalmente qualquer tipo de exigência de revalidação.


Emendas idênticas e justificativas para ampliar prazos

Um padrão curioso entre as emendas redigidas pela Contag foi a repetição do mesmo texto para justificar o aumento do prazo de revalidação de um para cinco anos, em vários documentos semelhantes. Essas justificativas alegam que a revalidação anual dos descontos seria “praticamente inviável” para as entidades associativas.

Segundo o texto das emendas, a revalidação anual causaria “inviabilidade operacional”, já que milhares de autorizações são processadas diariamente por sindicatos e associações rurais que têm acordos de cooperação com o INSS. Dessa forma, a Confederação argumenta que o controle do Estado sobre essas cobranças seria excessivo e prejudicial à organização dessas entidades.


A lei aprovada e o descumprimento da regra

Apesar do Congresso ter aprovado o adiamento da revalidação para cada três anos, essa exigência nunca entrou em vigor. A revogação definitiva da revalidação por uma MP de 2022 eliminou por completo a obrigação dos sindicatos e associações de confirmar periodicamente as autorizações para descontos nos benefícios.

Esse cenário favorece a perpetuação de descontos associativos que podem estar sendo feitos sem o consentimento efetivo dos beneficiários, um dos principais focos da investigação da Polícia Federal.


A atuação da Polícia Federal e as suspeitas contra a Contag

Entre 2019 e 2024, a Contag recebeu aproximadamente R$ 2 bilhões em descontos feitos diretamente nas aposentadorias e pensões, valor que levanta suspeitas sobre a origem e a regularidade dessas cobranças. A Polícia Federal apurou que o presidente da entidade assinou acordos técnicos com o INSS e chegou a pedir o desbloqueio em lote de quase 35 mil benefícios para incluir descontos associativos, fato que a auditoria interna da autarquia classificou como irregular.


Indícios de lavagem de dinheiro e Operação Sem Desconto

A investigação, batizada como Operação Sem Desconto, identificou ainda “fundados indícios de lavagem de dinheiro” envolvendo diretores e procuradores da Contag. O processo policial apontou para ações coordenadas que teriam possibilitado a perpetuação das fraudes por meio do sistema de descontos automáticos.

Essas suspeitas colocam em xeque a legitimidade da atuação da entidade e aumentam a pressão para que haja um maior controle e transparência na relação entre sindicatos, associações e a Previdência Social.


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Contag responde e parlamentares alegam atuação em nome do PT

INSS
Imagem: Freepik e Canva

Procurada, a Confederação afirmou repudiar “qualquer tentativa de generalização que coloque organizações sérias no mesmo patamar que estruturas criadas para fraudar o sistema previdenciário”. A entidade ressaltou seu histórico de 60 anos de colaboração no Poder Legislativo e negou irregularidades nas emendas apresentadas.

Por sua vez, deputados e senadores que assinaram as propostas atribuíram sua atuação ao mandato da bancada do PT, destacando que as emendas são legítimas dentro do processo legislativo.


Entenda a importância da revalidação anual para os beneficiários

A revalidação periódica dos descontos associativos é um mecanismo de segurança para evitar que aposentados e pensionistas tenham descontos não autorizados em seus benefícios. Sem essa checagem, há risco de cobranças indevidas, que muitas vezes passam despercebidas até que causem prejuízos significativos ao bolso dos beneficiários.


Como funcionam os descontos associativos no INSS

Sindicatos e associações rurais firmam acordos com o INSS para descontar diretamente dos benefícios valores referentes a mensalidades associativas. Para que isso ocorra, o beneficiário precisa autorizar previamente o desconto. Contudo, a falta de fiscalização e de exigência de revalidação abre espaço para fraudes e cobranças irregulares.


Conclusão

A tentativa da Contag de modificar uma medida provisória essencial para combater fraudes no INSS revela o complexo jogo de interesses entre entidades sindicais, política e a administração previdenciária. A investigação da Polícia Federal, que aponta para desvios bilionários e suspeitas de lavagem de dinheiro, destaca a urgência de mecanismos mais rígidos de fiscalização e transparência para proteger os direitos dos aposentados e pensionistas brasileiros.

Imagem: Freepik e Canva

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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