Apesar da forte integração com o Windows e com as ferramentas do Microsoft Office, o Copilot, assistente de inteligência artificial (IA) da Microsoft, ainda não conseguiu conquistar o público corporativo. Em muitas empresas, o ChatGPT segue como a IA preferida dos funcionários, mesmo quando o pacote empresarial da Microsoft é adotado formalmente.
Microsoft aposta no Copilot para empresas, mas ChatGPT ainda é favorito dos funcionários
Mesmo com integração ao Office e Windows, Copilot enfrenta resistência nas empresas, onde ChatGPT se mostra mais popular entre funcionários.
A informação vem de um levantamento feito pela Bloomberg, que destaca o caso da Amgen, uma das maiores farmacêuticas do mundo. A empresa contratou um plano do Copilot para 20 mil funcionários, mas mais de um ano depois, a maioria dos colaboradores segue recorrendo ao ChatGPT nas tarefas do dia a dia.
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A preferência das empresas: ChatGPT ganha terreno
O caso da Amgen
A Amgen é apenas uma das muitas empresas que decidiram apostar na inteligência artificial para aumentar a produtividade interna. Com a aquisição do Copilot para 20 mil funcionários, a expectativa era de ampla adoção da ferramenta, já que ela está embutida nos produtos já utilizados pela companhia, como Outlook, Teams e Excel.
Na prática, no entanto, o que se viu foi diferente: os funcionários continuaram utilizando o ChatGPT por familiaridade, agilidade e eficiência. Diante dessa constatação, a Amgen optou por ampliar o acesso ao ChatGPT, mantendo o Copilot para funções específicas ligadas aos sistemas Microsoft.
Familiaridade e experiência do usuário
O principal obstáculo enfrentado pelo Copilot não é a qualidade técnica. Ambas as ferramentas — Copilot e ChatGPT — usam os mesmos modelos de linguagem da OpenAI, graças à parceria firmada entre as empresas. Os recursos oferecidos são muito similares. A diferença está, sobretudo, na experiência do usuário e na curva de aprendizado.
Funcionários já habituados ao ChatGPT não veem motivo para mudar de ferramenta, principalmente quando ela oferece resultados satisfatórios. Isso faz com que o Copilot enfrente uma barreira psicológica: não é que ele não funcione bem, mas sim que ele não é o “default” para muitos usuários.
Testes comparativos e decisões estratégicas
A estratégia da New York Life
Outra empresa que decidiu testar as duas ferramentas é a New York Life Insurance, uma das mais antigas e tradicionais companhias de seguros dos Estados Unidos. A empresa contratou licenças tanto do Copilot quanto do ChatGPT Enterprise para seus 12 mil funcionários e pretende usar o feedback dos colaboradores como base para definir qual solução manter no longo prazo.
Esse tipo de abordagem está se tornando cada vez mais comum: ao invés de adotar um único sistema, as empresas testam múltiplas soluções de IA antes de tomar uma decisão definitiva. Para a Microsoft, isso representa um desafio extra, já que mesmo estando presente em praticamente todo o ambiente corporativo, não tem conseguido converter essa vantagem em preferência dos usuários.
As vantagens do Copilot
Integração nativa com ferramentas Microsoft
A principal carta na manga da Microsoft com o Copilot é sua integração nativa com o ecossistema Office. Isso significa que:
- No Word, o Copilot pode gerar relatórios, resumos e editar documentos com comandos simples.
- No Outlook, ajuda a escrever e resumir e-mails.
- No Excel, facilita a análise de dados e criação de gráficos.
- No Teams, pode organizar reuniões, gerar atas e listar tarefas automaticamente.
Essa presença integrada é algo que o ChatGPT, por si só, ainda não oferece com a mesma fluidez. Mesmo com a possibilidade de plugins e uso via API, o Copilot está embutido nas ferramentas mais utilizadas por empresas, o que pode representar maior segurança, praticidade e controle de dados para os gestores.
Segurança e conformidade
Outro diferencial é a questão da segurança corporativa. O Copilot está alinhado com os padrões de conformidade exigidos por grandes empresas, incluindo políticas de proteção de dados, armazenamento local e controle de acesso. O ChatGPT, embora tenha evoluído nesse aspecto com a versão Enterprise, ainda é percebido por muitos líderes de TI como uma solução mais aberta e, potencialmente, vulnerável.
Por que o ChatGPT segue ganhando usuários?

Facilidade de uso e agilidade
O ChatGPT conquistou o público geral por sua interface amigável e respostas rápidas. Mesmo sem integração direta com sistemas como o Excel ou Word, muitos funcionários conseguem utilizá-lo para:
- Redigir textos;
- Fazer análises rápidas;
- Elaborar código;
- Tirar dúvidas técnicas;
- Realizar brainstormings.
Esse uso intuitivo e sem fricção fez com que o ChatGPT se tornasse, para muitos, um companheiro de trabalho indispensável — mesmo sem ser oficialmente adotado pela empresa.
Histórico e evolução rápida
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+311 mil seguidores
O ChatGPT foi lançado ao público antes do Copilot e ganhou proeminência mundial em pouco tempo, tornando-se sinônimo de inteligência artificial conversacional. Sua evolução foi rápida, com melhorias frequentes e lançamentos de funcionalidades quase mensais.
O fator “pioneirismo” também contribuiu para o sentimento de confiança entre os usuários, que preferem continuar com o que já conhecem e confiam.
A analogia com o navegador Edge
Integração não é sinônimo de preferência
A Microsoft já passou por algo parecido com o navegador Edge. Mesmo sendo baseado no mesmo núcleo do Google Chrome (o Chromium) e oferecendo recursos interessantes, o navegador nunca conseguiu quebrar o domínio do Chrome no ambiente corporativo e doméstico.
A situação com o Copilot pode estar seguindo o mesmo caminho: tecnologia robusta, integração total com produtos da empresa, mas rejeição silenciosa por parte dos usuários, que já adotaram outra solução como padrão.
O futuro das IAs no ambiente corporativo
Adoção depende do usuário final
Uma das principais lições que a Microsoft está aprendendo com o caso do Copilot é que a decisão final sobre qual IA usar não está apenas nas mãos dos gestores, mas também no comportamento dos usuários finais.
Mesmo que as empresas contratem o Copilot, se os funcionários preferirem usar o ChatGPT — seja por produtividade ou costume — essa escolha pode moldar o futuro do investimento em IA dentro da organização.
Competição saudável e evolução constante

O cenário atual indica que, ao menos por enquanto, o mercado de IA corporativa não tem um vencedor absoluto. A competição entre Copilot e ChatGPT deve estimular melhorias constantes em ambas as plataformas, levando a soluções mais eficientes, seguras e adaptáveis ao ambiente de trabalho.
Para os funcionários, o ideal é que esse embate resulte em ferramentas cada vez mais úteis e acessíveis. Para as empresas, o desafio será encontrar o equilíbrio entre controle, desempenho, adoção e custo-benefício.
Imagem: Volodymyr Kyrylyuk / shutterstock.com
