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Copom deve segurar Selic em 15%, com possível corte em março de 2026

Mercado analisa comunicado e ata do Copom em busca de sinais para início do ciclo de cortes da Selic, hoje em 15% ao ano.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Selic

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciada nesta terça-feira, 27, e com decisão prevista para quarta-feira, coloca a comunicação do Banco Central no centro das atenções do mercado financeiro. A expectativa predominante é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, mas investidores e analistas buscam, sobretudo, indícios de que o colegiado esteja preparado para iniciar um ciclo de cortes já em março.

Diante de um cenário de inflação ainda acima do centro da meta, mas com sinais recentes de desaceleração, a avaliação majoritária é que o Copom dificilmente fará uma sinalização direta sobre os próximos passos. Assim, nuances do comunicado e da ata ganham importância decisiva para a formação de expectativas.

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A manutenção da taxa básica reflete a postura cautelosa adotada pelo Banco Central desde o fim de 2025. Apesar da continuidade do processo de desinflação, o IPCA segue acima do centro da meta perseguida pela autoridade monetária, o que limita movimentos mais ousados no curto prazo.

Além disso, indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho ainda mostram resiliência, especialmente no setor de serviços, tradicionalmente mais sensível à política monetária. Esse conjunto de fatores sustenta a decisão de manter o atual grau de restrição.

Mercado espera menos tom hawkish, mas sem sinalização explícita

A economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, avalia que a probabilidade de um direcionamento claro para queda dos juros é reduzida. Segundo ela, o Copom deve abandonar parte do discurso mais hawkish, mas sem adotar uma postura claramente dovish.

Na prática, isso significa um comunicado mais neutro, que permita ao comitê acompanhar a evolução de dados macroeconômicos relevantes, como inflação, mercado de trabalho e os efeitos fiscais da reforma do Imposto de Renda. Esse tipo de abordagem dá flexibilidade ao Banco Central para agir sem se comprometer antecipadamente.

Ajustes sutis podem indicar mudança de probabilidade

Entre os pontos observados pelo mercado está o trecho que afirma que o Copom “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste” caso julgue necessário. A eventual retirada dessa expressão seria interpretada como aumento da probabilidade de corte, ainda que sem confirmação explícita.

Para Argenta, esse tipo de alteração seria suficiente para reforçar a expectativa de início do ciclo de flexibilização monetária na reunião seguinte.

Corte da Selic em março virou consenso entre analistas

O início do ciclo de cortes em março tornou-se praticamente consensual. Levantamento do Projeções Broadcast, divulgado na última quinta-feira, mostra que 34 de 37 instituições consultadas trabalham com esse cenário.

Esse consenso, no entanto, não foi sempre dominante. No fim de 2025, parte relevante do mercado ainda considerava possível uma redução já em janeiro. O Banco Inter, por exemplo, revisou recentemente sua projeção, adiando o início dos cortes para março.

A economista-chefe do banco, Rafaela Vitória, aponta que o tom conservador do Copom em dezembro e dados macroeconômicos mais recentes justificaram a mudança. Para ela, a comunicação de janeiro deve manter cautela, mas abrir espaço para decisões condicionadas à evolução do cenário.

Inflação, câmbio e serviços no radar do Copom

Entre os fatores que podem favorecer o início do afrouxamento monetário estão um câmbio mais benigno e uma inflação corrente mais baixa. Ainda assim, o Banco Central evita decretar vitória prematuramente.

O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, destaca que, embora haja sinais de atividade mais forte, o processo de desinflação segue em curso. Segundo ele, o mais relevante será a discussão, na ata, sobre em que condições o atual grau de restrição poderá ser revisto.

Projeção de inflação pode ser o principal sinal

Na última reunião, o Copom projetou inflação de 3,2% no segundo trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária. Essa projeção funciona como uma âncora para as expectativas do mercado.

Uma eventual revisão para 3,1% seria interpretada como sinal mais claro de que o ciclo de cortes pode começar em março. Caso o número seja mantido, a mensagem implícita é de que o comitê ainda precisa ser convencido por novos dados até a próxima reunião.

Declarações recentes reforçam cautela do Banco Central

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A baixa expectativa por uma sinalização direta também reflete declarações recentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em dezembro, ele afirmou que o mercado busca uma “seta”, mas que o colegiado não vê necessidade de oferecer esse tipo de código antecipado.

Dias depois, Galípolo reforçou que não há “seta nem porta fechada”, indicando que as decisões seguem dependentes dos dados, sem compromisso prévio com cortes ou manutenção prolongada dos juros.

Reunião ocorre com Copom desfalcado

A reunião de janeiro ocorre com uma composição atípica: sete diretores, em vez dos nove habituais. As vagas nas diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução seguem em aberto desde o fim do ano passado.

Para Carla Argenta, o impacto tende a ser limitado, dado o histórico recente de decisões coesas. Rafaela Vitória também minimiza eventuais efeitos, destacando que o Copom brasileiro não divulga posições individuais de seus membros, ao contrário do que ocorre em bancos centrais como o dos Estados Unidos.

O que o mercado deve acompanhar após a decisão

Mais do que a decisão em si, o mercado acompanhará de perto:

  • O tom geral do comunicado
  • Mudanças sutis na prescrição de política monetária
  • Avaliações sobre inflação, serviços e mercado de trabalho
  • A projeção de inflação para o horizonte relevante

Esses elementos serão determinantes para consolidar, ou não, a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic em março, com impacto direto sobre crédito, investimentos e consumo no Brasil.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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